Campo Grande •26 de Março de 2017  • Ano 5
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Valdelice Bonifácio | Sábado, 31 de Dezembro de 2016 - 14h35“Saio de cabeça erguida”, diz Bernal em despedidaProgressista passa as últimas horas como prefeito fechando balanços financeiros

Alcides Bernal em conversa com membros de sua equipe na tarde deste sábado, 31 de dezembro, seu último dia como prefeito
Alcides Bernal em conversa com membros de sua equipe na tarde deste sábado, 31 de dezembro, seu último dia como prefeito (Foto: Divulgação)

O prefeito de Campo Grande Alcides Bernal (PP) passa suas últimas horas como chefe do Poder Executivo fechando balanços financeiros do município e se despedindo de sua equipe de trabalho, no prédio da prefeitura. Bernal pediu a seu grupo que permaneça unido. “Saio de cabeça erguida pois fizemos tudo que estava ao nosso alcance pela nossa cidade”, mencionou ao discursar para a equipe.

Amanhã, dia 1º de janeiro de 2017, toma posse o novo prefeito da Capital, Marquinhos Trad (PSD) escolhido nas eleições de outubro deste ano. A posse do novo prefeito, secretários e vereadores será às 17h no Centro de Convenções Rubéns Gil de Camillo, no Parque dos Poderes. Bernal deve comparecer para transmitir o cargo.

Bernal está concluindo o mandato tendo vivido situações inéditas para um prefeito da Capital. Eleito em 2012, derrotando o candidato da situação Edson Giroto (PR) em segundo turno, o progressista não formou maioria na Câmara Municipal.

Em março de 2014, ele foi cassado pelos vereadores, sob a acusação de forjar uma situação de emergência para contratar empresas sem licitação, o que Bernal sempre negou ter feito. Ele ficou afastado da prefeitura até 25 de agosto de 2015 quando retornou por decisão judicial.

A volta de Bernal à prefeitura ocorreu após a Operação Coffee Break apurar a existência de um escândalo, sem precedentes, no Legislativo Municipal. Segundo a investigação do Gaeco, a cassação de Bernal foi na verdade comprada. Vereadores agiram de forma criminosa aceitando vantagens (cargos ou dinheiro) para votarem pela cassação do prefeito. O então vice-prefeito Gilmar Olarte (PP) que ficou com a prefeitura após a cassação do titular figura entre os denunciados.

Em 31 de maio de 2016, o Ministério Público denunciou 24 pessoas entre empresários, políticos e servidores públicos por envolvimento na trama. Os crimes mencionados são associação criminosa, corrupção ativa e passiva. Todos os envolvidos negam as acusações do MP.

Em outubro deste ano, ele tentou a reeleição, mas não conseguiu votação suficiente para ir ao segundo turno disputado entre Marquinhos Trad e a vice-governadora Rose Modesto (PSDB). Bernal,  aliás, apoiou Marquinhos.

O último ano da administração de Bernal foi marcado por dificuldades financeiras e administrativas. Neste mês de dezembro, a Justiça determinou a ruptura dos contratos que a prefeitura mantinha com as entidades Omep e Seleta (alvos de investigação criminal), com isso serviços públicos ficaram prejudicados. Mais de quatro mil servidores eram contratos por meio dos convênios.

Outra medida relevante e polêmica foi adotada pelo próprio prefeito. Ele rompeu o contrato de concessão com a Solurb, responsável pela coleta de lixo, por meio de decretos. Bernal alegou que a licitação vencida pela Solurb em 2012 foi fraudulenta, além disso, segundo ele, a concessionária teria superfaturado os valores dos serviços prestados. A empresa nega as acusações.

 A situação já foi discutida com Marquinhos Trad que vai aguardar a Justiça se manifestar sobre o assunto. 

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