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22 de abril de 2018 • Ano 7
Diretor de RedaçãoUlysses Serra Neto
Política

​Educadores reforçam importância do voto dos jovens de 16 e 17 anos

Participação dos eleitores de 16 e 17 tem caído a cada eleição, o que preocupa os educadores, que consideram essa faixa etária essencial para o processo eleitoral, principalmente devido ao acesso à informação.

29 Set2016Da redação11h44

Os dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em julho deste ano mostraram que 144,08 milhões de brasileiros estão aptos a votar nas 5.568 cidades nas eleições municipais do dia 2 de outubro. Desse total, 2,3 milhões de eleitores têm 16 ou 17 anos, faixa etária em que o voto não é obrigatório e que representa 1,6% do eleitorado brasileiro.
 
O voto facultativo para adolescentes de 16 e 17 anos foi instituído pela Constituição de 1988, quando os constituintes consideraram que esse direito incentivaria a participação política e social dos mais jovens no destino do país. Embora a adesão não tenha sido imediata, a mobilização pelo impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello, em 1992, motivou muitos jovens com menos de 18 anos a tirar o título eleitoral.
 
O que preocupa educadores nos dias de hoje, no entanto, é que a participação desses eleitores tem caído significativamente eleição após eleição. Em 1994, 2,3% dos eleitores tinham 16 ou 17 anos (2,4 milhões de pessoas). Já nas eleições presidenciais de 2014, somente 1,6 milhões de jovens estavam aptos a votar, o que representava 1,1% do total.
 
Em 2016, esse grupo representa apenas 22% de todos os brasileiros com 16 ou 17 anos, de acordo com os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Em meio a um cenário político recheado de crises e denúncias, como mensalão, petrolão, máfia da merenda, Lava Jato, os adolescentes estão evitando tirar o título de eleitor enquanto não são obrigados”, explica o cientista político David Fleischer, da Universidade de Brasília (UnB).
 
Exercício da cidadania
 
Educadores que trabalham com temas relacionados à cidadania mostram-se preocupados e insistem na importância de o adolescente participar do processo eleitoral, mesmo sem tal obrigação. “Votar consciente e responsavelmente é uma das melhores formas de exercer a cidadania e ajudar a construir um país melhor. A corrupção e os maus políticos são fruto, em grande parte, da omissão do voto consciente”, afirma o professor de Filosofia do Ensino Médio, Edgar Delmondes, do Colégio Dom Bosco.
 
É o que pensa a estudante Millena Gonçalves de Carvalho, 17 anos, da 3ª série do Ensino Médio. “Ainda não sou obrigada, mas decidi tirar meu título de eleitor e votar porque tenho a possibilidade de interferir no futuro da minha cidade e do meu país. Embora seja apenas um voto, esse voto vale como outro qualquer e, no final, todos juntos farão a diferença”, diz.
 
Para a professora de Língua Portuguesa do Ensino Médio, Mônica Figueiredo, do Colégio Dom Bosco, o adolescente deve ter a noção de que os políticos não são todos iguais, havendo aqueles que são corruptos e incompetentes, mas também muitos que são dedicados e procuram fazer um bom trabalho. “É difícil identificar quais são os políticos sérios, para isso é essencial acompanhar os noticiários, com atenção e critério, para saber o que o político ou candidato tem feito”, acrescenta.
 
“Como os programas eleitorais nas emissoras de rádio e TV são muito parecidos, é difícil distinguir as propostas e perfis dos candidatos”, reconhece o professor Edgar. Ele recomenda então que o jovem utilize os meios digitais para pesquisar e entender os projetos e ideias do candidato. “Ele cumpriu o que prometeu nos mandatos anteriores? Há recursos disponíveis para executar os projetos que está propondo?”, complementa.
 
Os educadores salientam que votar com consciência e responsabilidade realmente é um pouco trabalhoso, mas os resultados são extremamente positivos. “Numa democracia, o voto é o nosso maior patrimônio e deve ser exercido com critério e responsabilidade. Votar em qualquer um pode ter consequências negativas sérias, sendo que depois é tarde para o arrependimento”, observa a professora Mônica.
 
Ambos os professores concordam que, tão importante quanto votar com responsabilidade é acompanhar o que faz o político eleito durante os quatro anos do mandato, para ser possível avaliar se vale a pena repetir ou mudar o voto. “É muito fácil ficar reclamando, mas não tem resultado nenhum comentar que estou insatisfeito e não fazer nada. Temos que demostrar a nossa insatisfação com atitude, votando com critério e cobrando permanentemente”, concorda o estudante Matheus Soares Ferreira, 17 anos, da 3ª série do Ensino Médio.

 

 

Fernanda Oliveira. 

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