Campo Grande •23 de Junho de 2017  • Ano 6
OrganizaçãoIvan Paes BarbosaDiretor de RedaçãoUlysses Serra Neto

Da redação | Quinta, 13 de Abril de 2017 - 14h50Deputado quer ações contra tuberculose em presídios de MSProjeto que institui o Dia "D" de Combate a Tuberculose foi apresentado na ALMS

(Foto: Marco Miatelo)

A ttuberculose está entre as doenças infecciosas que mais mata no Brasil. O cenário é ainda mais grave quando se trata dos presídios, pois a doença se dissemina diante das condições precárias de higiene, de ventilação e de iluminação solar nas celas.

Preocupado com a situação de risco para o adoecimento de detentos e as condições favoráveis à infecção, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Junior Mochi (PMDB), apresentou nesta quarta-feira (14/4), Projeto de Lei que institui o Dia “D” de Combate a Tuberculose no âmbito do Sistema Penitenciário de Mato Grosso do Sul.

Anualmente, no dia 25 de março, serão intensificadas as ações para detecção precoce dos casos. Gestores e profissionais de saúde realizarão triagens, teste molecular rápido e tratamento mais ativo da forma latente da doença. A comunidade deverá receber informações sobre prevenção e tratamento adequado. “Recebemos uma equipe que cuida da saúde nos presídios e o índice de pessoas infectadas pela tuberculose é alto. Portanto, o projeto visa despertar as autoridades diante da gravidade do problema e, a partir daí, oferecer ações preventivas para reduzir esse número alarmante”, diz Mochi.

A superlotação é o fator determinante para os altos casos de tuberculose nos presídios. No Brasil, a cada ano são notificadas aproximadamente 70 mil ocorrências da doença e 4,5 pessoas morrem em decorrência da enfermidade. A Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza que esforços conjuntos devem ser somados para se alcançar a meta de eliminação da tuberculose até o ano de 2035.

Um grupo de pesquisa, liderado pelo professor Henrique Rosa Croda, evidenciou que em Mato Grosso do Sul a taxa de tuberculose latente em pessoas que estavam no primeiro mês de aprisionamento, sendo 7,9% para homens e 8,3% para mulheres. Após um ano de encarceramento, constatou que 26% dos indivíduos que não tinham tuberculose latente e foram presos adquiriram a doença dentro das prisões. A pesquisa indicou uma elevada força de infecção nos ambientes prisionais.

Os pesquisadores detectaram ainda que 54% da bactéria do gênero Mycobacteirum Tuberculosis identificados na zona urbana de Dourados estavam relacionados com os casos identificados no presídio estadual do município. “Os dados revelam a necessidade de intensificar o controle a fim de diminuir a tuberculose nas prisões, para então reduzir efetivamente a carga da doença na comunidade”, destacou o presidente.  

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