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Papiros de Lama

Delator se comprometeu a devolver R$ 3 milhões

Depoimento de empresário e pecuarista entregou esquema de corrupção em detalhes

14 Nov2017Valdelice Bonifácio18h50
Operação Papiros de Lama, 5ª Fase da Lama Asfáltica, foi desencadeada nesta terça-feira pela PF (Foto: Marco Miatelo)
  • Ivanildo Cunha Miranda durante depoimento de delação premiada
  • Operação Papiros de Lama, 5ª Fase da Lama Asfáltica, foi desencadeada nesta terça-feira pela PF (Foto: Marco Miatelo)
  • (Foto: Marco Miatelo)
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O empresário e pecuarista Ivanildo Cunha Miranda cujas revelações, em depoimento de delação premiada, desencadearam a quinta fase da Operação Lama Asfáltica, a Papiros de Lama, se comprometeu a devolver R$ 3 milhões em seis parcelas, em 15 dias, a partir da data de homologação do acordo de colaboração premiada.

Pelo acordo, a Polícia Federal (PF) e Ministério Público Federal (MPF) se comprometem a pleitear prisão domiciliar sem o uso da tornozeleira para o colaborador. Contudo, caso se constate que o delator omitiu informações, o acordo poderá ser revisto.

A audiência de verificação da delação premiada foi realizada em 14 de agosto de 2017 na 3ª Vara Federal de Campo Grande e presidida pelo juiz Fábio Luparelli Magajewski.

Ivanildo Miranda era um operador ativo do esquema investigado na operação. Ele disse no depoimento de delação premiada que recolhia dinheiro de propina junto a frigoríficos e depois entregava nas mãos do ex-governador André Puccinelli. O delator admitiu que recebia valores para atuar como interlocutor entre os empresários e Puccinelli, função que exerceu por sete anos.

A Papiros de Lama teve Puccinelli como principal alvo. Ele é considerado importante líder da organização criminosa que lesou os cofres públicos em R$ 235 milhões em esquema de corrupção envolvendo várias empresas, segundo a PF. A delação de Ivanildo não implicou outros membros da gestão Puccinelli, mas apenas o próprio ex-governador.

Segundo a PF, Puccinelli era o “principal beneficiário e garantidor do esquema que tinha operadores, com funções definidas, várias empresas envolvidas no recebimento de vantagens e no pagamento de propinas”.

Puccinelli o filho dele André Puccinelli Júnior e os advogados Jodascil Gonçalves Lopes e João Paulo Calves estão presos em decorrência da operação. No início da noite desta terça-feira, eles foram levados para presídios da Capital. O advogado de Puccinelli e Júnior, Renê Siufi, informou que tentará um habeas corpus.

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