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Valdelice Bonifácio | Terça, 14 de Novembro de 2017 - 18h29Delator recolhia propina em quatro frigoríficos e entregava a PuccinelliEmpresário recebia para atuar como operador do esquema de repasse de propina

  
Ivanildo da Cunha Miranda revelhou detalhes do pagamento de propinas e nomes dos envolvidos durante depoimento de delação premiada (Foto: Reprodução)
  • Ivanildo da Cunha Miranda revelhou detalhes do pagamento de propinas e nomes dos envolvidos durante depoimento de delação premiada
  • Puccinelli foi preso  na Operação Papiros de Lama, 5ª Fase da Lama Asfáltica, baseada na delação de Ivanildo Miranda (Foto: Marco Miatelo)
  • Puccinelli e o filho chegando ao Centro de Triagem do Complexo Penal de Campo Grande (Foto: Marco Miatelo)
  • (Foto: Marco Miatelo)
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  • (Foto: Marco Miatelo)

Na colaboração premiada que embasou a Papiros de Lama, quinta fase de Operação Lama Asfáltica, o empresário e pecuarista Ivanildo da Cunha Miranda, 59 anos, relata em detalhes o esquema de recebimento de dinheiro dos frigoríficos Bertin, Independência, Marfrig e JBS feito a mando do ex-governador André Puccinelli (PMDB). Ivanildo era agente ativo no esquema. Ele recolhia pessoalmente os valores junto aos empresários e entregava ao então governador. Parte do dinheiro repassado pelos frigoríficos, inclusive, serviu para quitar o empréstimo de R$ 1 milhão que Ivanildo fez a Puccinelli na campanha eleitoral de 2006.

O depoimento dele foi fundamental para as investigações que culminaram na prisão preventiva (sem data para terminar)  de André Puccinelli e o filho dele André Puccinelli Júnior. Foram presos ainda os advogados Jodascil Gonçalves Lopes e João Paulo Calves, mas em caráter temporário com validade de cinco dias. Para a Polícia Federal (PF), trata-se de uma organização criminosa que teria lesado os cofres públicos em pelo menos R$ 235 milhões.

Conforme o delator, em 90% das vezes, os envelopes e caixas com dinheiro eram levados ao apartamento de Puccinelli, no edifício Champs Élysées, na Rua Euclides da Cunha, em Campo Grande. Era o próprio ex-governador quem pegava o dinheiro. A função de operador do esquema era remunerada. Ivanildo admite que recebia valores para arrecadar o dinheiro junto aos frigoríficos. “No início era entre R$ 60 mil e R$ 80 mil por mês e a partir de 2010 e 2011 aumentou para R$ 200 mil a R$ 250 mil, sempre através das contas correntes”, relatou o empresário no depoimento de colaboração premiada.

Ivanildo foi apresentado a Puccinelli pelo atual governador Reinaldo Azambuja (PSDB), então candidato a deputado estadual em 2006. Puccinelli que concorria ao governo do Estado perguntou se Ivanildo não gostaria de ser seu colaborador. O empresário aceitou dando início à parceria entre os dois. “Levei em algumas pessoas para fazer doações a Puccinelli e emprestei R$ 1 milhão para a campanha”, disse. Ivanildo contou que estava tão ativo na campanha que chegou a pensar que seria escolhido Secretário de Fazenda quando Puccinelli fosse eleito. Tal convite não veio, mas, em 2007, o empresário ganhou outro posto, o de interlocutor entre o governador e os frigoríficos.

O governador o encontrou no mês de junho daquele ano, disse era muito grato pelo ajuda na campanha eleitoral e informou que gostaria de pagar o empréstimo de R$ 1 milhão concedido por Ivanildo no ano anterior. Puccinelli então pediu que o empresário procurasse os frigoríficos e recolhesse dinheiro, sendo que deveria retirar parte do valor para quitar a dívida em parcelas. A partir daí, Ivanildo assumiu o posto de operador do esquema de recolhimento de propinas que eram repassadas em troca de incentivos fiscais concedidos pelo governo de Puccinelli.

Bertin, Independência, Marfrig e JBS colaboraram financeiramente com Puccinelli desde a campanha eleitoral. “Teve doações oficiais e por fora”, afirma o delator. Na ocasião, o dinheiro foi repassado através da Associação Brasileira dos Exportadores de Carne, a Abiec.  Embora não se recorde dos valores com exatidão, ele calcula algo na casa dos R$ 5 milhões, dinheiro que não ficava só com Puccinelli, pois era dividido entre os candidatos da coligação.

Ivanildo se recorda de ter ido a São Paulo recolher R$ 500 mil, ocasião em que falou diretamente com Joesley Batista, dono da JBS. De volta a Campo Grande, ele entregou o dinheiro a Puccinelli no apartamento dele.

Mais tarde, a partir de junho de 2007, ele passou a viajar frequentemente para recolher o dinheiro a mando de Puccinelli. “Ele passava a lista por escrito eu ia lá e pegava. No JBS, eu não tinha mais contato com Joesley, era com o Denilton. No Marfrig, era o Marcos Molina. no Bertin, o Natalino Bertin e no Independência falava sempre com o Neto, filho do Antônio Russo”, detalhou.

No depoimento, Ivanildo, inclusive, entrega um diário de bordo que, segundo ele, comprovam todas as viagens feitas para buscar o dinheiro. O empresário cita as várias idas a Lins para recolher os valores entregues por Natalino Bertin. Na época, os pagamentos mensais giravam em torno de R$ 100 mil (Marfrig); R$ 150 mil (Bertin); R$ 150 mil (Independência) e R$ 80 mil (JBS). Tudo vinha direto para as mãos de Puccinelli, segundo o delator.

Entre os quatro, o JBS, na época uma empresa de médio porte, era o único que tinha dificuldades em repassar dinheiro vivo, por isso, pedia para fazer os depósitos em conta corrente. Ivanildo cedia suas contas pessoais. Posteriormente, sacava os valores e levava ao governador.

A JBS que começou com o menor dos repasses cresceu muito em questão de poucos anos, tanto que em 2010 e 2011, os valores entregues a título de propinas saltaram para cerca de R$ 400 mil por mês, conforme o delator.

Nesta fase, a conta de Ivanildo já não era a única usada para o recebimento dos valores. Em 2012, o operador entregou ao grupo JBS uma lista com nomes de pessoas físicas e jurídicas que deveriam receber os depósitos em conta tais como Gráfica e Editora Alvorada, Gráfica Jafar, Ícone, Ibope, MB, Damião Brum Vieira, Gerson Francisco de Araújo, que juntos deveriam perfazer o valor de R$ 20 milhões.

No depoimento, o empresário assegurou que não tratou de distribuição dos valores recolhidos com nenhum membro do governo a não ser com o próprio André Puccinelli. Houve uma ocasião em que deixou os valores com uma secretária na Governadoria, mas isso a mando do governador.

Amizade - Ivanildo se tornou tão costumeiro na JBS que criou laços de amizade com a família Batista, a ponto de Joesley, ter ido ao casamento de uma das filhas dele. O empresário atuou como corretor da JBS em MS colaborando nos negócios da empresa no Estado. Ele intermediou a compra de frigoríficos pela JBS, como as plantas de Coxim, Rio Verde e Ponta Porã, trabalho pelo qual foi remunerado.

Ivanildo também negociou a saída do executivo Mário César Lopes da Eldorado Celulose, negócio avaliado em R$ 300 milhões, pelo qual recebeu R$ 10 milhões de comissão. O dinheiro foi pago mediante notas fiscais frias do produtor.

O delator entregou fotografias que comprovariam sua ligação com a família Batista. Há ainda cópias de e-mail trocados entre ele e as empresas do grupo JBS e outros documentos como forma de provar que há serviços prestados não relacionados ao pagamento de propina.

Confira abaixo um dos vídeos da delação de Ivanildo Miranda:

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