Campo Grande •28 de Maio de 2017  • Ano 6
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Valdelice Bonifácio | Sexta, 19 de Maio de 2017 - 16h38Delator da JBS implica Zeca, Puccinelli e ReinaldoRedução de ICMS era concedida em troca de pagamento de propina, diz dono da JBS

Zeca do PT, André Puccinelli e Reinaldo Azambuja teriam se beneficiado de esquema de propina em troca de benefícios fiscais, segundo delator
Zeca do PT, André Puccinelli e Reinaldo Azambuja teriam se beneficiado de esquema de propina em troca de benefícios fiscais, segundo delator (Foto: Montagem/DD)

A delação premiada de um dos donos da JBS implica o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) e seus antecessores André Puccinelli (PMDB) e Zeca do PT nas investigações da Operação Lava Jato. Em depoimento, Wesley Mendonça Batista, um dos sócios da empresa, revelou a existência de esquema de repasse de propina em troca de incentivos fiscais do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Segundo ele, havia a colaboração de empresas que emitiam notas fiscais frias para justificar o repasse do dinheiro ilegal.

“No caso de Mato Grosso do Sul, havia um esquema de incentivos fiscais para redução da alíquota do ICMS. Esse esquema começou quando Zeca do PT foi eleito. Começou com ele o esquema de pagamento de propina em troca de redução de pagamento de ICMS do Estado”, mencionou Wesley em seu depoimento que foi gravado e cujo vídeo divulgado nesta sexta-feira, 19 de maio, está publicado no final desta matéria. O grupo JBS tem 10 frigoríficos no Estado, sendo sete da marca JBS e três Seara, daí a busca por incentivos fiscais.

O esquema iniciado na gestão Zeca teve continuidade nos governos de André Puccinelli e Reinaldo Azambuja, segundo o delator. Os três governadores teriam recebido valores superiores a R$ 150 milhões, só Puccinelli teria levado mais de R$ 100 milhões em repasses feitos de várias formas, entregues a seus interlocutores. Já o atual governador nunca teve um interlocutor. Ele próprio tratava diretamente do repasse da propina, entregando pessoalmente as notas fiscais frias aos mensageiros do JBS que operavam o esquema.

Conforme o relato de Wesley, em 2003, foi acertado 20% do benefício de redução de ICMS em contrapartida ao pagamento de propina a Zeca do PT, governador à época. O empresário disse não se lembrar dos valores repassados a Zeca, mas citou que em 2010, quando ele já não era mais governador,  foi feito um pagamento ao petista no valor de R$ 3 milhões. O dinheiro foi repassado de duas formas sendo R$ 1 milhão em doação declarada para campanha eleitoral – Zeca concorria novamente ao governo do Estado – e R$ 2 milhões entregues em espécie. “Zeca foi à sede da empresa (JBS) em São Paulo, pegar o dinheiro em mãos”, detalhou.

O esquema de benefícios fiscais em troca de propina passou de Zeca para Puccinelli e funcionou nos oito anos da gestão peemedebista. Segundo Wesley, quem tratava com Puccinelli era seu irmão Joesley Batista, também sócio do JBS. “Os valores foram pagos por várias modalidades como notas fiscais frias, pagamento de doleiro a terceiros e dinheiro em espécie”, relatou. No momento da delação, o empresário entregou aos procuradores notas fiscais que comprovariam o esquema.

Durante sete anos, o operador de Puccinelli foi Ivanildo Miranda. Em um dos pagamentos, ele teria levado R$ 5 milhões. Em outra ocasião mencionada por Wesley, foram repassados R$ 9,5 milhões para Proteco Construções e ainda R$ 2,9 milhões para Gráfica e Editora Alvorada. No depoimento, ele cita várias outras empresas que teriam emitido notas fiscais para colaborar no esquema.

“No período do Puccinelli, houve um adicional de R$ 30 milhões em dinheiro em espécie e mais R$ 60 milhões via doleiro para terceiros”, detalhou o empresário. O sócio da JBS lembrou ainda que uma segunda pessoa atuou como operador do então governador no esquema. Após sete anos, Puccinelli teria substituído Ivanildo Miranda por André Luis Cance. "Eu acho que se desentenderam e aí ele trocou", supõe.

Já na gestão Reinaldo Azambuja, Wesley reforçou que tratava de tudo diretamente com o próprio governador. Ele mencionou, por exemplo, o pagamento de R$ 12,9 milhões para a empresa Buriti. O empresário entregou aos procuradores notas fiscais emitidas por produtores rurais contra a JBS para colaborar com o esquema.

Houve ainda o pagamento de dinheiro em espécie no valor de R$10 milhões para Azambuja. As notas fiscais eram entregues na governadoria pelo próprio Azambuja. “Era o mesmo esquema, incentivos fiscais para redução de ICMS. Vários incentivos são legítimos, um dos termos de acordo não foi cumprido (...) O investimento era legítimo mas se você não pagasse, você não conseguia fechar o acordo”, mencionou Wesley.

Conforme o empresário, em MS o esquema é generalizado no setor de frigorífico. Inclusive, os pequenos frigoríficos, também pagariam propina para obter incentivos fiscais.

O depoimento em delação premiada foi colhido pelos procuradores da força-tarefa da Lava Jato Fernando Antonio Oliveira e Sérgio Bruno Fernandes. O esquema de propina em MS é tratado em um anexo próprio, de número três, dentro da delação do empresário.

Zeca do PT – Em nota, o deputado Zeca do PT informou que não tem o menor temor da alardeada delação dos executivos do grupo JBS, já que na condição de ex-governador do Estado, nunca pediu e nem tomou conhecimento de que alguém tenha pedido propina ao referido grupo em seu nome ou em nome do seu governo.

“Resta desafiado que seja apresentado qualquer prova ou indício do fato aludido na referida delação. O Deputado Zeca do PT confia que o poder judiciário ao final da apuração saberá distinguir as verdadeiras imputações daquelas que tem um único propósito: Obter benefício com uso indevido da delação premiada”, disse na nota.

André Puccinelli – O ex-governador André Puccinelli não vai se manifestar, segundo sua assessoria de imprensa.

Reinaldo Azambuja – A assessoria de imprensa do governador Reinaldo Azambuja informou que emitirá uma nota sobre o assunto ainda na tarde desta quinta-feira, dia 19 de maio.

Abaixo o vídeo da delação premiada de Wesley Mendonça Batista, sócio da JBS

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