Campo Grande •25 de Fevereiro de 2017  • Ano 5
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Valdelice Bonifácio | Terça, 3 de Janeiro de 2017 - 21h00Bernal nega ter deixado dívida de água e energia elétricaEx-prefeito rebate afirmações de Marquinhos Trad e equipe

Bernal explica que prefeitura está recebendo muito dinheiro neste início de 2017
Bernal explica que prefeitura está recebendo muito dinheiro neste início de 2017 (Foto: Roberto Okamura)

O ex-prefeito de Campo Grande Alcides Bernal (PP) negou as afirmações feitas pelo atual prefeito Marquinhos Trad (PSD) segundo as quais sua gestão teria deixado uma dívida no valor de R$ 12 milhões com as concessionárias Energisa e Águas Guariroba. Marquinhos disse que só não houve interrupção no fornecimento de água e energia ao Paço Municipal e outros prédios públicos porque ele pediu às empresas que aguardassem.

“Isso sequer faz sentido. Se as contas tivessem ficado seis meses sem pagar, a água e a energia elétrica teriam sido cortadas. Isso não aconteceu. Não existe essa dívida”, informou o ex-prefeito em entrevista ao Diário Digital.

Bernal explicou que em relação à Energisa existe um impasse judicial. Isso porque uma lei municipal suspendeu a cobrança da taxa de Contribuição de Iluminação Pública (Cosip). A gestão dele questionou a lei na Justiça. O dinheiro referente a Cosip era repassado todos os meses para a prefeitura e dele abatido o valor da iluminação pública.

Nestes seis meses de vigor da lei, a prefeitura não recebeu a Cosip e nem a Energisa recebeu pela iluminação pública. No entanto, segundo Bernal, a situação não gerou acúmulo de dívida, mas sim um impasse, porque a prefeitura brigava na Justiça para derrubar a lei e novamente passar a obter o dinheiro da Cosip.

O restante das faturas, na gestão Bernal, eram pagas normalmente à Energisa. A vigência da lei vai até 25 de janeiro de 2017, quando a taxa poderá novamente ser cobrada na conta de energia elétrica dos consumidores e repassada aos cofres municipais.

Sobre a Águas, Bernal assegura que nunca deixou de pagar a concessionária.  Também no caso da Águas restou um impasse judicial referente ao chorume do aterro sanitário de Campo Grande. Porém, trata-se de valor pequeno. Na ação judicial, a prefeitura alega que quem deve pagar a Águas é a Solurb, responsável pelo aterro sanitário e não o município.

Dívida ativa - Além de reclamar da suposta dívida de água e energia, Marquinhos reclamou também da postura da gestão anterior em relação à dívida ativa (créditos a receber) da Capital. Para ele, não houve um esforço em recuperar este dinheiro para os cofres municipais. O valor em questão seria de cerca de R$ 2 bilhões.

Já Bernal que teve a gestão interrompida por um ano e cinco meses em cassação considerada fraudulenta pelo Ministério Público Estadual (MPE) afirma que fez tudo o que pôde. “Criei programas de recuperação de débitos e de conciliação com os contribuintes. Fiz tudo o que estava ao meu alcance, o que me faltou foi tempo. Eu não tive um mandato completo”, mencionou.

O programa de conciliação, segundo Bernal, recuperou mais de R$ 20 milhões em dívidas antigas. Bernal apoiou Marquinhos em segundo turno, mas afirma que não está magoado por conta das críticas de seu sucessor.

Dinheiro novo – Diferente do relato feito pela equipe de Marquinhos, Bernal aponta que a prefeitura está recebendo muito dinheiro neste início de ano. “No dia 30 de dezembro, entraram mais de R$ 8 milhões da repatriação. Chegaram ainda mais R$ 5 milhões do FPM e ICMS, R$ 50 milhões de IPVA, fora o dinheiro do IPTU que garantirá R$ 179 milhões. Haverá ainda o dinheiro dos depósitos judiciais, no valor de R$ 30 milhões”, disse o ex-prefeito.

Ele menciona também os depósitos judiciais do impasse com a Solurb, que chegam a R$ 120 milhões. “É um dinheiro que está indevidamente com a empresa. Ela deve à prefeitura”, afirma.

Senado – Longe da prefeitura, Bernal já mantem contato com lideranças políticas sobre as eleições de 2018. Ele afirma que correligionários e apoiadores o incentivam a concorrer ao Senado, ideia que o agrada, mas ele ainda não decidiu qual cargo disputará. O certo apenas é que concorrerá nas próximas eleições.

Em 2014, Bernal já disputou o Senado. Na ocasião, ele obteve 204.262 votos válidos, o que representou 16,78%, ficando na terceira colocação da disputa vencida por Simone Tebet (PMDB).

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