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Valdelice Bonifácio | Quinta, 6 de Outubro de 2016 - 18h25Tentativa de homicídio é exagero, diz advogado sobre indiciamentoLaudo apontou que vítima de espancamento na Vila Jacy teve lesões leves

Imagens do rapaz sendo espancado provocaram comoção nacional
Imagens do rapaz sendo espancado provocaram comoção nacional (Foto: Reprodução)

O advogado Ronye Mattos que defende Jhonny Celestino Holsback Belluzzo, 19 anos, contesta o indiciamento do cliente por tentativa de homicídio. O jovem é o principal envolvido no espancamento de um rapaz de 18 anos na Vila Jacy, cujo vídeo viralizou na internet causando comoção nacional. O laudo apontou que a vítima teve ferimentos leves, mesmo assim o delegado do caso insistiu no enquadramento por tentativa de homicídio.

“Se fosse assim toda lesão corporal deveria ser enquadrada como tentativa de homicídio. Está havendo um exagero nesta questão. Esse enquadramento é muito pesado e desproporcional”, avalia o advogado. Além de Jhonny,  também está sendo indiciado pelo crime Alessandro Ronaldo Mosca Junior, de 21 anos, defendido por outro advogado.

O delegado Fabiano Nagata, da 1ª Delegacia de Polícia Civil, na hora de decidir o enquadramento, levou em conta a empolgação dos jovens durante o espancamento. Para ele, as imagens do vídeo deixaram claro a intenção de matar a vítima, por isso, decidiu indiciar por tentativa de homicídio e não pelas lesões que a vítima sofreu. O espancamento ocorreu após a vítima urinar no veículo de Jhonny.

 O advogado pretende usar o laudo para argumentar junto ao Ministério Público quando for chamado a se manifestar no processo. “Ele não é bandido,  cometeu um equívoco. É um jovem de 19 anos, que errou como qualquer pessoa pode errar nessa vida. Não se pode imputar uma pena por ódio, vingança, tem que ter um equilíbrio”, diz.

Conforme Ronye Mattos,  Jhonny está muito arrependido do que fez e ainda não retomou sua rotina normal de trabalhar e estudar. “Ele não sai mais de casa, está com medo das ameaças que vem sofrendo. Ele chora muito, está apavorado e aflito”, relata o defensor.

Segundo o advogado, Jhonny e a família já teriam se prontificado a ajudar a vítima, oferecendo a assistência necessária. “Felizmente o rapaz está bem. Não queremos desmerecer o sofrimento da vítima, mas a lei tem que ser corretamente aplicada”,  pondera.

O advogado revelou que enfrenta questionamento por ter aceitado fazer a defesa de Jhonny.  “Perguntam: e se fosse seu filho? Eu digo que tanto o que apanhou quanto o que bateu poderia ser um filho meu. Todos podem cometer erros. Como advogado tenho que ser técnico e profissional. Quero que a lei seja corretamente aplicada”, argumenta.

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