Campo Grande •25 de Abril de 2017  • Ano 5
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Segunda, 10 de Outubro de 2016 - 16h51Procurador jamais recebeu propinas, diz advogadoTribunal nega liberdade a André Scaff que está no Presídio Militar da Capital

(Foto: Arquivo Diário Digital)

O advogado do procurador jurídico da Câmara dos Vereadores de Campo Grande, André Luiz Scaff, que está preso, afirma que seu cliente nega ter recebido propinas de contratos públicos, conforme acusa o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). “Ele jamais teve este tipo de atitude”, diz. Scaff foi detido no sábado passado, dia 8, está no Presídio Militar, no Complexo Penal de Campo Grande, no Jardim Noroeste.

Ontem, o advogado teve negado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) um habeas corpus para Scaff. Agora, o advogado avalia se recorrerá ou não a instâncias superiores. Esta é terceira prisão de Scaff no ano, a primeira foi em maio quando investigadores do Gaeco encontraram munições na casa dele;  a segunda foi em 20 de setembro em decorrência da  Operação Midas. E, agora, ele está novamente preso por, segundo o Gaeco, tentar atrapalhar as investigações.

No fim de semana, o Tribunal de Justiça divulgou nota qual relata parte do decreto de prisão preventiva (por tempo indeterminado) do juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida, da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande. Conforme a nota, o Gaeco, após diversas diligências, teria se constatado que na condição de servidor público, inúmeras vezes, Scaff recebeu milhões de reais provenientes de pagamentos ilícitos, possivelmente de empresas que possuíam contratos junto à administração pública.

“Relatório do Gaeco mostra que foram identificadas inúmeras remessas, sem justificativas, de recursos para as contas bancárias do investigado, cujo total alcançou montante superior a R$ 3.500.000.00, além de mais R$ 3.045.325,31 em depósitos não identificados”, diz a nota. O  procurador jurídico da Câmara foi secretário de Planejamento, Finanças e Controle na gestão do ex-prefeito Gilmar Olarte (14 de março de 2014 a 25 de agosto de 2015), período em que teria recebido valores ilícitos, segundo as investigações.

O advogado não informou se os valores mencionados no despacho judicial são possíveis de serem justificados. Ele diz apenas que as investigações estão em sigilo e que por isso não pode entrar em detalhes. O advogado afirma que teve acesso aos autos do processo e às gravações que o Gaeco usou como prova para pedir a nova prisão de Scaff. Conforme o advogado, as gravações realmente existem, mas nenhum diálogo incrimina seu cliente.

O advogado reclama que Scaff nunca foi chamado a se manifestar no processo. Ele falou aos promotores do Gaeco uma única vez quando se apresentou espontaneamente para depor. 
Conforme descrito no decreto de prisão preventiva, as provas colhidas até o momento indicam que Scaff era peça fundamental em um esquema criminoso na administração pública municipal, “já que centralizava parte das propinas referentes a contratos de empresas com a Câmara de Vereadores e o Executivo Municipal, além de existirem suspeitas de que agia como operador de um partido político durante as campanhas eleitorais. Para isso, tinha ajuda da esposa, que fornecia nome e conta bancária para lavagem do dinheiro oriundo de propina.”

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