Campo Grande •24 de Novembro de 2017  • Ano 6
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Valdelice Bonifácio | Quinta, 14 de Setembro de 2017 - 18h30Obra de arte é apreendida por suposta apologia à pedofiliaPolícia recolheu quadro da artista Alessandra Cunha que estava exposto no MARCO

  
Policiais e delegado compareceram ao MARCO e recolheram tela que fazia parte da exposição Cadafalso da artista mineira Alessandra Cunha (Foto: Marco Miatelo)
  • Policiais e delegado compareceram ao MARCO e recolheram tela que fazia parte da exposição Cadafalso da artista mineira Alessandra Cunha
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A Polícia Civil apreendeu na tarde desta quinta-feira, 14 de setembro, um quadro cujo nome é Pedofilia. A obra de arte integra a exposição Cadafalso da artista plástica mineira Alessandra Cunha em andamento no Museu de Arte Contemporânea (MARCO), no Parque das Nações Indígenas, em Campo Grande. A ação policial ocorreu após os deputados estaduais Paulo Siufi (PMDB), Coronel David (PSC) e Herculano Borges (SD) registrarem um boletim de ocorrências. Para eles, a exposição tem caráter sexual desrespeitoso, ofensivo e impróprio, além de ferir a moral e os bons costumes.

O delegado Fábio Sampaio da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA) compareceu ao MARCO junto com uma equipe de policiais. Em entrevista à imprensa, ele mencionou que enxergou suposta apologia ao crime de estupro de vulnerável ou pedofilia no quadro cujo título é Pedofilia. Na imagem, uma criança aparece entre dois homens nus. Por isso, apreendeu a obra, mas não viu problemas quanto às demais telas da exposição Cadafalso.

“Vamos levá-lo para perícia e abrir uma investigação. Evidentemente, todos serão ouvidos, a artista, a responsável pelo Museu, os responsáveis pela mostra, as pessoas que visitaram a exposição e outros”, mencionou o delegado. Conforme Sampaio, a apologia a crimes é considerada de menor potencial ofensivo.

Assim, se as investigações apontarem que de fato o crime ocorreu, as pessoas apontadas como responsáveis não serão indiciadas pela polícia, mas responderão diretamente ao juizado especial. “Normalmente, a penalidade é pagamento de cesta básica ou algo assim”, explicou.

O delegado também chamou a atenção para a classificação indicativa da exposição que começou com 12 anos e nesta quinta-feira, após a polêmica levantada pelos deputados estaduais, mudou para 18 anos. A exposição aberta no mês de junho tem imagens fortes do órgão sexual masculino.

A coordenadora do MARCO, Lúcia Monteserrat Alves Bueno,  informou que não viu qualquer apologia ao crime na exposição. “A arte não pode ser vista de forma isolada, mas sim no conjunto. A exposição Cadafalso tem como objetivo discutir o assunto, não incentivar a criminalidade”, disse a coordenadora que ressaltou que, mesmo não concordando, respeita a posição das autoridades.

Surpresa - O Diário Digital conversou com a artista por telefone. Alessandra Cunha ficou surpresa ao saber da apreensão do quadro e da mudança na classificação indicativa da exposição. A polêmica, na visão dela, é tardia visto que a mostra termina no próximo domingo, dia 17 de setembro.

“Acho muito estranho isso acontecer neste momento. Parece que teve início uma perseguição aos artistas neste País”, diz ela citando a exposição Queermuseu- Cartografias da Diferença na Arte Brasileira que tratava da diversidade sexual, e foi cancelada em Porto Alegre, após acusações de blasfêmia contra símbolos religiosos.

Conforme a artista, seu objetivo com a exposição Cadafalso foi denunciar a existência de pedofilia e

criticar o machismo. “É um alerta para que cuidem das crianças. Por isso, no quadro pedofilia tem a imagem da menina assustada. Temos que falar sobre isso”, defende.

Alessandra diz que os quadros já foram expostos em Uberlândia, cidade onde mora, e não houve polêmicas. “Aqui todo mundo entendeu muito bem”, afirma. Ela também defendeu a faixa indicativa para  12 anos. “Não tem pornografia naquilo que fiz. O que está exposto é o órgão sexual masculino. Acho até que se fosse uma exposição de mulheres nuas não haveria polêmica. Os homens se sentiram incomodados em ver o órgão masculino exposto e não mulheres nuas como estão acostumados”, analisa.

A artista de 39 anos pinta quadros há mais de 20 e normalmente usa as telas para fazer críticas sociais. “Se existe violência ou machismo, eu quero é que isso acabe”, explica. “Agora, sobre os políticos o que eu acho é que estão se aproveitando do momento (em referência à exposição de Porto Alegre) para uma fazerem autopromoção”, critica.

Deputados – Na sessão desta quinta-feira, 14, na Assembleia, os deputados estaduais repudiaram as imagens da exposição Cadafalso. Paulo Siufi disse que as imagens estimulam a pornografia. "Justamente em um momento tão conturbado, em que vemos tantas crianças com 11 anos sendo mães, temos essas imagens, de mentes poluídas. Uma verdadeira 'porcariada'", disparou o parlamentar.

Na tribuna da Casa de Leis, o parlamentar criticou a utilização de recursos públicos para viabilizar as exposições. "Irei ao Ministério Público Estadual e também quero saber quem colocou aquelas obras lá", reiterou.

O deputado Maurício Picarelli (PSDB) cobrou informações da Fundação de Cultura. "Para aquilo estar lá é porque alguém viu e gostou. É um absurdo apenas normal em mentes pornográficas e nos surpreende que ninguém tenha visto isso antes", disse.

"Lamento profundamente que tenha sido autorizada essa exposição que ofende a família brasileira e agride as nossas crianças", afirmou Coronel David (PSC), autor da Lei 5.038/2017, que dispõe sobre o Cadastro Estadual de Pedófilos em Mato Grosso do Sul. "Entendo que há certos tipos de manifestações artísticas, mas temos nas imagens cenas explícitas sexuais e não podemos admitir isso em um ambiente onde vão nossas crianças", enfatizou Antonieta Amorim (PMDB).

Exposição - Apesar de o quadro Pedofilia ter sido retirado, a Exposição seguirá normalmente no Marco até domingo. A faixa indicativa é para 18 anos. O horário é das 7h30 às 17h30 de segunda a sexta-feira. Aos sábados, domingos e feriados das 14h às 18. O Marco fica na Rua Antônio Maria Coelho, 6000, Parque das Nações Indígenas, em Campo Grande. Telefone: 67-3326-7449.

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