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28 de maio de 2018 • Ano 7
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Estratégia

‘Fui movido pelo ódio’, afirma assassino de musicista

Baterista que matou Mayara Amaral em motel afirma ter cometido o crime sozinho

5 Ago2017Valdelice Bonifácio14h35

O baterista Luís Alberto Bastos Barbosa, de 29 anos, que está preso pelo assassinato da musicista Mayara Amaral, 27, concedeu entrevista à revista Veja na qual afirma ter cometido o crime sozinho e sem premeditação. A explicação dele é de que brigou com a vítima no motel onde estavam e, furioso, acabou matando-a a marteladas.

Fui movido pelo ódio porque tínhamos discutido e ela debochou da minha namorada. Chamei-a de vagabunda e ela me bateu. Tive um ataque de fúria, tinha bebido e cheirado. Depois que tudo aconteceu, chorei por mais de duas horas seguidas”, disse Luis, segundo a entrevista publicada neste sábado, 5 de agosto.

As declarações indicam, na verdade, uma estratégia para mudar a tipificação do crime. A Polícia Civil, após investigar o caso, indiciou Luis e os outros dois envolvidos Ronaldo da Silva Olmeda, 30, conhecido como Cachorrão, e Anderson Sanches, 31, pelos crimes de latrocínio (roubo seguido de morte) e ocultação de cadáver que podem render penas de até 33 anos de prisão. Na entrevista, Luis relata o caso como se fosse um homicídio simples cuja pena pode ficar entre seis e 20 anos de reclusão.

A Polícia Civil reiterou em nota divulgada no dia 31 de julho ter a convicção de tratar-se de crime de latrocínio. As investigações apontaram que Luis atraiu a jovem ao motel já tendo planejado matar para roubar a moça. O carro, instrumentos musicais, documentos, cartões de banco e pertences da jovem foram encontrados em posse de Luis e seus comparsas. Durante apresentação à imprensa, no dia 26 de julho, na 5ª Delegacia de Polícia, Luis disse apenas que estava fora de si. Ronaldo e Anderson negaram qualquer participação no caso.

Na entrevista à Veja, Luis isenta os dois amigos. Ele afirma que Ronaldo não participou e que só o incriminou para se livrar, pois, pensava em diminuir sua pena. No primeiro depoimento, o baterista disse que o comparsa havia participado do assassinato da vítima. “Mas, se olharem as digitais no cabo do martelo, vão ver que são minhas”, afirmou à revista.

Sobre o martelo, Luis alegou que sempre o carregava para se proteger em caso de necessidade pois para “comprar pó” ele “ando em umas quebradas.” O baterista afirma ainda que tentou se livrar do corpo sozinho. Primeiro tentando enterrar e depois levando para uma área de matagal e ateando fogo.

O corpo da musicista foi encontrado por populares em uma área nas proximidades do local conhecido como Inferninho, na saída para Rochedo, em Campo Grande, ainda em chamas. “Fiz tudo sozinho. Só procurei o Ronaldo (Cachorrão) e o Anderson para me livrar do carro. Eles compraram por 1 000 reais. Essa foi a única participação que tiveram no crime”, assegura.

Ele diz ainda estar arrependido do que fez. “Por mais que ninguém vá acreditar, eu gostava dela. Minha vida está destruída. Eu ia me casar, estava procurando casa, dei entrada para sacar o FGTS. Agora, não sei o que será de mim. Quando fecho os olhos, vem a imagem da Mayara e o momento do crime. Não tenho religião, mas, à noite, na cela, eu grito por Deus.”

Na tarde desta sexta-feira, 4 de agosto, familiares e amigos de Mayara realizaram um ato público no Centro de Campo Grande no qual pediram respeito às mulheres. Cerca de 200 pessoas participaram da passeata. “Peço que não se mate mais Mayaras, a minha já foi, existem várias por ai, de várias cores, etnias. Não pode se ter medo”, disse a mãe da vítima Ilda Cardoso.

Luis, Ronaldo e Anderson estão presos preventivamente no sistema prisional de Campo Grande.

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