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9 de abril de 2020 • Ano 9
Diretor de RedaçãoUlysses Serra Netto
Campo Grande

Ex-candidata a vereadora é suspeita de aplicar golpe de R$ 500 mil em joalheiro

Denúncia da vítima leva a Polícia Civil de MS a investigar um suposto esquema de contas falsas e fraude em penhor de joias

19 Fev2020Ana Lívia Tavares15h30
(Foto: Marco Miatelo)
  • 1ª Delegacia de Polícia investiga estelionato e furto de joias na Capital
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Um joalheiro de 56 anos diz ter sido vítima de um golpe, em Campo Grande. A denúncia foi registrada no dia 27 de janeiro e está sendo investigada pela 1ª DP (Delegacia de Polícia). Segundo a vítima, ela passou R$500 mil em peças a uma mulher de 39 anos para que ela revendesse as joias, mas não recebeu o dinheiro e nem as mercadorias de volta. A suspeita é conhecida no meio político e foi ex-candidata a vereadora na Capital.

De acordo com a denúncia, a vítima é joalheiro há mais de 30 anos e trabalha com revendedores “freelancers” que levam as joias até clientes em troca de uma comissão pelas vendas. Como garantia, o comerciante fica com uma nota promissória - um título cambiário em que a pessoa assume a obrigação de pagar o valor correspondente.

Para não atrapalhar as investigações, o nome dos envolvidos serão citados na reportagem apenas com as iniciais.

A vítima, relatou ter sido procurada por um amigo da família. Este conhecido se ofereceu para intermediar a venda, pois tinha uma pessoa de confiança que indicaria clientes para revender as joias.

De olho na comissão da venda, o amigo da vítima ajudou uma mulher a escolher, aproximadamente, R$ 150 mil em peças e o joalheiro liberou a mercadoria para que ele entregasse a ela, com a informação de que receberia o pagamento em cheques.

Porém, depois do amigo enrolar no pagamento, a vítima recebeu dois cheques pré-datados, no valor de R$ 74.908,50 (setenta e quatro mil, novecentos e oito reais e cinquenta centavos) cada,  para os meses de agosto e setembro de 2019, em nome de um outro homem que o joalheiro não conhecia.

Antes mesmo da vítima descontar o primeiro cheque, o amigo da família e a mulher que pegou R$150 mil em joias, convenceram o comerciante que tinham outra venda grande em vista e que a primeira havia sido feita a uma fazendeira de Porto Murtinho (MS) e os cheques de pagamento foram no nome de um gerente da propriedade.

Com a certeza de que seria um bom negócio, a vítima entregou mais R$ 350 mil em joias para que os dois – igualmente vítimas - levassem até a suspeita, identificada apenas como R. F.C, de 39 anos. Porém, mais uma vez, o pagamento não veio.

Para agravar ainda mais a situação, o primeiro cheque voltou da compensação por divergência na assinatura. Após investigações, a polícia descobriu que o homem que assinou a conta, na verdade, seria um usuário de drogas em situação de rua, aqui na Capital.

E que R.F.C teria pego as mercadorias contando histórias e vantagens as vítimas – o joalheiro, o amigo dele e a mulher que pegou as joias da primeira vez.

Segundo a polícia, é comum que golpistas utilizem documentos de terceiros para abrir contas bancárias. “Nós estamos investigando se no caso desse morador de rua ele pode ter sido aliciado para abrir a conta em troca de dinheiro. Porque não foi um caso isolado, a suspeita passou a vítima outros cheques falsos em nome de mais pessoas, como um trabalhador rural”, explicou o delegado da 1ª DP, Mikaill Alessandro Gouvea Faria.

Foram meses tentando reaver o valor das joias com os envolvidos, até que a vítima passou a conversar apenas com a suspeita. Em inúmeros diálogos de WhatsApp, a mulher inventa desculpas pelo atraso. Mas depois da segunda negociação e o cheque não ser compensado, R. F.C sumiu.

A suspeita já foi presidente do PDT Mulher, do Diretório Estadual de Mato Grosso do Sul e é ex-candidata a vereadora de Campo Grande, na eleição de 2016. Nas conversas, R. F.C aparece negociando com a vítima, pedindo parcelamento, dizendo que tudo iria se resolver e o grupo que comprou as joias era importante, estaria ligado a políticos.

Em uma das conversas, o joalheiro pergunta à suspeita se os compradores teriam tanto limite no cartão, em torno de R$ 3000 mil e ela afirma que sim.

Em outro momento, a suspeita oferece ao joalheiro que passe na máquina de cartão dele o valor de R$ 800 mil, pela venda das joias, sendo que R$ 420 mil seria para ele, enquanto ela ficaria com o restante para devolver “ao pessoal do governo”, pois o cartão seria corporativo.

Durante as investigações, após a polícia acreditar inclusive que R. F.C, de 39 anos, poderia ter sido roubada e morta ao tentar vender as joias no interior do estado e alguém estivesse se apropriando do telefone celular dela,  os investigadores conseguiram localizar a suspeita que compareceu a 1ª DP para prestar depoimento.

Acompanhada de um advogado, ela apenas alegou que foi seduzida por um homem por quem se apaixonou e teve um relacionamento. Segundo a suspeita, foi ele quem teria negociado as joias.

Porém, o delegado responsável pelo caso afirma que nenhuma das pessoas citadas pela investigada, clientes ou o próprio homem com quem ela diz ter sido enganada, foram identificados pela polícia.

Cheques de laranjas e penhor na Caixa Econômica Federal - A suspeita disse em depoimento que devolveu uma parte da primeira remeça de joias para a vítima, totalizando apenas R$ 20 mil. A outra parte, ela empenhou na Caixa Econômica. “Ela fez isso sabendo que as joias não eram dela e ganhou dinheiro de novo porque o banco pagou R$13 mil”, explicou o delegado.

Por fim, a estelionatária por meio de procuração passou o direito de resgate das joias no penhor a um outro suspeito que a polícia preferiu não passar detalhes para não atrapalhar as investigações.

Até o momento, ninguém foi indiciado, mas segundo o delegado, as investigações apontam para uma ação conjunta em que a golpista não teria agido sozinha. A polícia agora, tenta localizar o restante das joias e identificar, ao certo, o que foi empenhado na Caixa Econômica.

“Este estelionato vai ajudar a solucionar outros crimes. Estamos trabalhando para descobrir como funciona esse esquema de abertura de contas em nome de laranjas”. Porém, para o delegado Mikaill, estelionatários estariam utilizando a Caixa Econômica para legalizar produtos de crime. “Uma pessoa consegue as joias através de furto ou estelionato dando cheque sem fundo. Então, passa para outra que vai ao banco e emprenha como se pertencesse a ela. Em seguida, um terceiro através de leilão ou uma procuração resgata as joias na Caixa”.

De acordo com a polícia, o banco paga o valor do grama do ouro, ou seja, um preço abaixo do mercado de joias. O que geraria um alto lucro aos estelionatários que resgatam as joias para revender legalmente.

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