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24 de junho de 2018 • Ano 7
Diretor de RedaçãoUlysses Serra Neto
Investigação

Empresário estaria desacordado ao levar pancada

Polícia apura se vítima foi dopada antes de ser executada com pancada na cabeça

6 Dez2017Valdelice Bonifácio14h20
Ivan Júnior Marchezan e a esposa Dirleia Patrícia (Foto: Reprodução)
  • Corpo da vítima foi encontrado em cima da cama no quarto do casal na sexta-feira, 1 de dezembro
  • Ivan Júnior Marchezan e a esposa Dirleia Patrícia (Foto: Reprodução)
  • Dirleia Patrícia permitiu fotografias dos hematomas que segundo ela comprovam as agressões (Foto: Giseli Figueiredo)
  • Dirleia Patrícia na Delegacia de Polícia Civil de Aquidauana acompanhada do advogado (Foto: Giseli Figueiredo/Colaboração)
  • Delegado Valmir Moura Fé, da 6ª Delegacia de Polícia Civil (Foto: Marco Miatelo)
  • Local do crime foi periciado (Foto: Marco Miatelo)
  • (Foto: Marco Miatelo)
  • (Foto: Marco Miatelo)
  • (Foto: Marco Miatelo)

O empresário Ivan Júnior Marchezan da Cunha, 55 anos, encontrado morto dentro de casa, na sexta-feira passada, 1 de dezembro, foi golpeado na cabeça quando estava desacordado, segundo avaliação preliminar da Polícia Civil que ainda aguarda os laudos periciais definitivos.

A autora do crime é a esposa dele Dirleia Patrícia Montes Paes, 38 anos, que na tarde desta terça-feira, 5, se apresentou à Polícia Civil de Aquidauana. A mulher confessou o crime, mas alegou ter agido em legítima defesa para evitar um abuso sexual.

Em depoimento, ela afirmou que houve luta corporal e que bateu no marido no momento em que ele abria as calças para abusar dela. A arma usada no crime foi um objeto decorativo indígena chamado tacacá, uma espécie de tacape, com o qual o empresário a agrediu durante a discussão.

Porém, o delegado Valmir Messias de Moura Fé, da 6ª Delegacia de Polícia Civil, de Campo Grande, explica que aparentemente o corpo da vítima não tinha lesões de defesa e nem arranhões. Além disso, o local onde o sangue espirrou na parede indica que o golpe foi dado na cabeça da vítima quando ela estava deitada na cama.

“Pedimos exames toxicológicos para saber se a vítima ingeriu algum veneno, sonífero ou bebida alcoólica. Nós, inclusive, encontramos na residência um copo com conteúdo suspeito e encaminhamos para a perícia. Tudo indica que a vítima estava desacordada quando levou o golpe fatal na cabeça”, informou o delegado.

No quarto, havia vários objetos quebrados e espalhados pelo chão. Contudo, isso não confirma que houve luta no local, já que a cena pode ter sido ‘montada’. A situação está em análise da perícia.

Além do exame toxicológico, o delegado aguarda ainda o resultado do exame papiloscópico (digitais) e necroscópico.

Imagens apagadas - A Polícia Civil também está em busca de respostas sobre o local do crime. Não foram encontradas imagens do circuito de segurança interno da casa do empresário. Na explicação da mulher, não havia gravações internas a pedido do próprio Marchezan, pois o casal tinha o hábito de andar nú dentro de casa. Mas, a polícia suspeita que as imagens tenham sido apagadas naquela madrugada.

Conforme delegado, as brigas entre os dois eram constantes. A mulher registrava boletins de ocorrência contra o marido desde 2010, mas apesar das desavenças os dois permaneciam casados.

O último boletim de ocorrência foi registrado por Dirleia horas depois da briga com o marido na sexta-feira. Na ocasião, quem compareceu à Delegacia de Mulher foi o advogado de Dirleia. No registro, ela alega que os dois brigaram, houve agressões físicas mútuas e o homem teria ficado desacordado.

Naquela mesma sexta-feira, Dirleia desapareceu levando consigo o filho do casal que é especial. Apenas ontem, dia 5, a mulher se apresentou à Polícia Civil em Aquidauana e confessou o crime, sob alegação de legítima defesa. Ela preferiu se apresentar em Aquidauana porque tem parentes na cidade e para evitar a imprensa da Capital. Como passou o período de flagrante, ela responde pelo crime em liberdade.

Sumiço de dinheiro e joias - A Polícia Civil também investiga o suposto desaparecimento de R$ 200 mil na imobiliária de Marchezan no dia do crime. Câmeras de segurança mostram Dirleia entrando no estabelecimento durante a madrugada, provavelmente após o crime. Nas imagens, ela aparece deixando o local com um pacote nas mãos.

A defesa de Dirleia nega que ela tenha retirado qualquer quantia em dinheiro da imobiliária. Ela teria recolhido apenas documentos do carro e pessoais.  Dirleia levou comsigo dois veículos um Fusion que está em nome do marido e uma Pajero, em nome dela. “Mas, ambos são bens do casal. Portanto, patrimônio dos dois”, argumentou o advogado Juliano Ribeiro.

Os parentes de Marchezan também reclamaram do sumiço de uma corrente, no valor de R$ 300 mil, de propriedade da vítima. Relógios de ouro também teriam desaparecido, segundo familiares do empresário. 

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