Campo Grande •18 de Dezembro de 2017  • Ano 6
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Valdelice Bonifácio | Quarta, 6 de Dezembro de 2017 - 14h20Empresário estaria desacordado ao levar pancadaPolícia apura se vítima foi dopada antes de ser executada com pancada na cabeça

  
Corpo da vítima foi encontrado em cima da cama no quarto do casal na sexta-feira, 1 de dezembro (Foto: Marco Miatelo)
  • Corpo da vítima foi encontrado em cima da cama no quarto do casal na sexta-feira, 1 de dezembro
  • Ivan Júnior Marchezan e a esposa Dirleia Patrícia (Foto: Reprodução)
  • Dirleia Patrícia permitiu fotografias dos hematomas que segundo ela comprovam as agressões (Foto: Giseli Figueiredo)
  • Dirleia Patrícia na Delegacia de Polícia Civil de Aquidauana acompanhada do advogado (Foto: Giseli Figueiredo/Colaboração)
  • Delegado Valmir Moura Fé, da 6ª Delegacia de Polícia Civil (Foto: Marco Miatelo)
  • Local do crime foi periciado (Foto: Marco Miatelo)
  • (Foto: Marco Miatelo)
  • (Foto: Marco Miatelo)
  • (Foto: Marco Miatelo)

O empresário Ivan Júnior Marchezan da Cunha, 55 anos, encontrado morto dentro de casa, na sexta-feira passada, 1 de dezembro, foi golpeado na cabeça quando estava desacordado, segundo avaliação preliminar da Polícia Civil que ainda aguarda os laudos periciais definitivos.

A autora do crime é a esposa dele Dirleia Patrícia Montes Paes, 38 anos, que na tarde desta terça-feira, 5, se apresentou à Polícia Civil de Aquidauana. A mulher confessou o crime, mas alegou ter agido em legítima defesa para evitar um abuso sexual.

Em depoimento, ela afirmou que houve luta corporal e que bateu no marido no momento em que ele abria as calças para abusar dela. A arma usada no crime foi um objeto decorativo indígena chamado tacacá, uma espécie de tacape, com o qual o empresário a agrediu durante a discussão.

Porém, o delegado Valmir Messias de Moura Fé, da 6ª Delegacia de Polícia Civil, de Campo Grande, explica que aparentemente o corpo da vítima não tinha lesões de defesa e nem arranhões. Além disso, o local onde o sangue espirrou na parede indica que o golpe foi dado na cabeça da vítima quando ela estava deitada na cama.

“Pedimos exames toxicológicos para saber se a vítima ingeriu algum veneno, sonífero ou bebida alcoólica. Nós, inclusive, encontramos na residência um copo com conteúdo suspeito e encaminhamos para a perícia. Tudo indica que a vítima estava desacordada quando levou o golpe fatal na cabeça”, informou o delegado.

No quarto, havia vários objetos quebrados e espalhados pelo chão. Contudo, isso não confirma que houve luta no local, já que a cena pode ter sido ‘montada’. A situação está em análise da perícia.

Além do exame toxicológico, o delegado aguarda ainda o resultado do exame papiloscópico (digitais) e necroscópico.

Imagens apagadas - A Polícia Civil também está em busca de respostas sobre o local do crime. Não foram encontradas imagens do circuito de segurança interno da casa do empresário. Na explicação da mulher, não havia gravações internas a pedido do próprio Marchezan, pois o casal tinha o hábito de andar nú dentro de casa. Mas, a polícia suspeita que as imagens tenham sido apagadas naquela madrugada.

Conforme delegado, as brigas entre os dois eram constantes. A mulher registrava boletins de ocorrência contra o marido desde 2010, mas apesar das desavenças os dois permaneciam casados.

O último boletim de ocorrência foi registrado por Dirleia horas depois da briga com o marido na sexta-feira. Na ocasião, quem compareceu à Delegacia de Mulher foi o advogado de Dirleia. No registro, ela alega que os dois brigaram, houve agressões físicas mútuas e o homem teria ficado desacordado.

Naquela mesma sexta-feira, Dirleia desapareceu levando consigo o filho do casal que é especial. Apenas ontem, dia 5, a mulher se apresentou à Polícia Civil em Aquidauana e confessou o crime, sob alegação de legítima defesa. Ela preferiu se apresentar em Aquidauana porque tem parentes na cidade e para evitar a imprensa da Capital. Como passou o período de flagrante, ela responde pelo crime em liberdade.

Sumiço de dinheiro e joias - A Polícia Civil também investiga o suposto desaparecimento de R$ 200 mil na imobiliária de Marchezan no dia do crime. Câmeras de segurança mostram Dirleia entrando no estabelecimento durante a madrugada, provavelmente após o crime. Nas imagens, ela aparece deixando o local com um pacote nas mãos.

A defesa de Dirleia nega que ela tenha retirado qualquer quantia em dinheiro da imobiliária. Ela teria recolhido apenas documentos do carro e pessoais.  Dirleia levou comsigo dois veículos um Fusion que está em nome do marido e uma Pajero, em nome dela. “Mas, ambos são bens do casal. Portanto, patrimônio dos dois”, argumentou o advogado Juliano Ribeiro.

Os parentes de Marchezan também reclamaram do sumiço de uma corrente, no valor de R$ 300 mil, de propriedade da vítima. Relógios de ouro também teriam desaparecido, segundo familiares do empresário. 

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