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7 de junho de 2020 • Ano 9
Diretor de RedaçãoUlysses Serra Netto
Estelionato

Empresa de bitcoins teria aplicado golpe milionário em moradores da Capital

Vítimas procuram polícia depois que contas foram esvaziadas ou bloqueadas; prejuízos ultrapassam 100 mil dólares

3 Dez2019Ana Lívia Tavares16h33
Delegado Camilo Kettenhuber, da 2ª DP, diz que caso foi encaminhado para o Paraná (Foto: Marco Miatelo
  • Idosa, moradora no Aero Rancho, perdeu R$ 20 mil depois de investir em bitcoins
  • Delegado Camilo Kettenhuber, da 2ª DP, diz que caso foi encaminhado para o Paraná (Foto: Marco Miatelo
  • ( Foto: Marco Miatelo)

Foi trabalhando como costureira em sua casa e juntando o pouco dinheiro que sobra da aposentadoria, durante cinco anos, que uma idosa de 65 anos, moradora do Bairro Aero Rancho, em Campo Grande, conseguiu investir R$ 20 mil em empresas, com a promessa de até 230% de lucro. Mas, seis meses depois, além de não receber nenhuma vantagem financeira, ela ainda perdeu todo o valor investido. Uma das empresas teria falido deixando vários investidores no prejuízo, inclusive a aposentada.

A idosa e os outras pessoas foram vítimas da empresa chamada Vik Traders, uma suposta pirâmide financeira de criptomoedas (moeda digital). No dia 8 de outubro deste ano, 13 pessoas procuraram a 2ª DP (Delegacia de Polícia), no Bairro Monte Castelo, alegando terem sido vítimas de estelionato, após se filiarem à investidora.  Os prejuízos somados, segundo relatos, ultrapassam os R$ 661 mil, com base na cotação do dólar do dia 3 de dezembro.

Uma das vítimas, um homem de 28 anos, relatou a polícia que teria investido US$ 11 mil dólares, na época do registro da ocorrência, aproximadamente R$ 44 mil, na empresa que surgiu no mercado de arbitragem de criptomoedas, oferecendo ganho de 130%.  No entanto, nos últimos meses, a plataforma de negociação passou a apresentar problemas financeiros, o que levou a quebra de contratos e o não pagamento dos valores.

Ainda de acordo com a vítima que foi o comunicante da denúncia, o CEO da empresa seria um laranja da Colômbia, com quem foi possível descobrir o nome dos verdadeiros donos da investidora, dois empresários do Paraná.  

A idosa se filiou à empresa por indicação de uma amiga que fazia parte do grupo de investimentos. “Depois de 5 anos eu quitei meu carro e vendi, foi com este dinheiro que entrei no negócio. Eles dizem que aplicam o dinheiro e depois rende 230% e que não tinha perigo, era seguro. Então, eu pensei assim, no banco não rende nada, já estava há muito tempo aplicado lá e me interessei para ver se eu saia da lama”.

Outra vítima que também procurou a polícia diz ter perdido US$ 5 mil dólares. “Um parente meu foi convidado para entrar na empresa, ele estava na pior e mudou de vida. Quando o vi ganhando dinheiro eu comprei cotas no valor de US$ 5.000,00 e depois a empresa iria me repassando os valores de volta com o lucro”, explicou a mulher.

O delegado da 2ª DP, Camilo Kettenhuber Cavalheiro, informou que o caso foi encaminhado para a Polícia Civil do Paraná logo após o registro, no dia 9 de outubro, já que o delito de estelionato  se consuma no local de obtenção da vantagem.  “Esta atribuição ocorre justamente para facilitar a identificação da autoria. O que a gente faz nesses casos é ouvir a vítima que está registrando a ocorrência e imediatamente depois encaminhar, junto com cópia do comprovante de depósito que ela fez ou transferência para acelerar o trabalho de investigação”, explicou.

A assessoria da Polícia Civil do Paraná, apenas confirmou que o caso está em investigação, mas não quis passar mais detalhes.  

A reportagem do Diário Digital entrou em contato com a empresa Vik Traders através do endereço de e-mail fornecido no site. Porém,  não obteve retorno, assim como por meio de mensagens nas redes sociais.

Em um dos perfis, no Facebook, a empresa de Bitcoins, localizada no Panamá, se intitula uma plataforma de negociação de criptografia, criada em 2018, em que as operações comerciais são realizadas semanalmente e o resultado é distribuído automaticamente com uma variação máxima de 3% ao dia no capital. Ainda segundo a página em espanhol, os filiados podem solicitar a retirada do valor total a qualquer momento.

Em um vídeo de 4 minutos e 40 segundos, publicado no dia 1 de setembro, a empresa fez um comunicado oficial e informou que “o titular do conselho de administração decidiu de maneira intempestiva abandonar suas responsabilidades levando um enorme capital monetário pertencente aos usuários”.  

Segundo o vídeo, “mediante um suposto sequestro, mentiras e uma falsa história bem executada, o CEO da empresa, teria roubado os recursos da plataforma”. Mas que a administração estaria reforçando a equipe de suporte para oferecer respostas rápidas e claras.

Os comentários do vídeo foram desativados. No entanto, na rede social, vários usuários brasileiros reclamam que estão tendo problemas para retirada dos investimentos e movimentação das contas.

Enquanto isso, a idosa e outras vítimas na Capital estão movendo uma ação judicial na tentativa de recuperar o dinheiro. “Eu não entendo porque aconteceu isso e nem o que eles fazem, não quero nem os juros do dinheiro, quero o meu capital, retornando o que é meu está ótimo”, lamenta a aposentada.

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