Campo Grande •28 de Maio de 2017  • Ano 6
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Valdelice Bonifácio | Quarta, 28 de Setembro de 2016 - 16h23Dono de boate depõe à PF e nega ter recebido propinaEmpresário da Capital foi alvo de mandado coercitivo na 35ª fase da Lava Jato

  
Thiago Nunes Cance é filho do ex-diretor da Sanasa que mantinha contratos com a Odebrecht, suspeita de distribuição de propina (Foto: Reprodução/Facebook)
  • Thiago Nunes Cance é filho do ex-diretor da Sanasa que mantinha contratos com a Odebrecht, suspeita de distribuição de propina
  • Augusto Arruda Botelho advogado de Thiago Cance (Foto: Roberto Okamura)
  • Advogado acompanhou Thiago durante depoimento (Foto: Roberto Okamura)
  • Dono de boate saiu pela lateral evitando a imprensa (Foto: Roberto Okamura)
  • (Foto: Roberto Okamura)

Durou cerca de 40 minutos o depoimento do empresário Thiago Nunes Cance, um dos donos da casa noturna Move Club e da antiga Wood´s, na superintendência da Polícia Federal (PF) na tarde desta quarta-feira, 28 de setembro. A Justiça tinha expedido contra ele mandado de condução coercitiva referente à 35ª fase da Lava Jato, intitulada Omertá, deflagrada na segunda-feira, 26 de setembro. Na data, o empresário estava viajando para o interior do Estado e não foi localizado pela PF.

Nesta tarde, ele chegou à superintendência acompanhado por dois advogados e, após depor, saiu pela lateral do prédio para não ser visto pela imprensa. Um dos advogados dele, Augusto Arruda Botelho, falou com os jornalistas. Segundo ele, Thiago Cance respondeu a todas as perguntas do delegado da Polícia Federal e negou envolvimento com os crimes investigados na Omertá. “Ele prestou depoimento na qualidade de testemunha (...) Não há acusação nenhuma contra ele na investigação”, afirmou.

Informações extra-oficiais apontam que Thiago é investigado por suspeita de ter recebido dinheiro ilícito vindo da empreiteira Odebrecht, alvo da Operação Omertá. Ele é filho do ex-diretor da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S/A (Sanasa), Aurélio Cance Junior. A empresa mantinha contratos com a empreiteira. “Thiago não tem qualquer ligação com a Odebrecht”, assegurou o advogado.

Colhido o depoimento, a superintendência da PF de MS vai encaminhá-lo para o Paraná, onde corre a Operação Lava Jato. Além do depoimento, a PF de MS também realizou apreensão de documentos por determinação da Justiça em uma empresa de Thiago.

Entre os investigados, a Omerta teve como alvo principal o ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci que está preso. A ordem partiu do juiz federal Sergio Moro, responsável pela Lava Jato em primeira instância, que atendeu pedido do Ministério Público Federal (PMF). Também estão presos Branislav Kontic, assessor de Palocci, e Juscelino Dourado, ex-assessor do petista.

No despacho, Moro diz que há provas de que Palocci era o responsável por receber recursos da Odebrecht e coordenar o repasse a seu grupo político. “Surgiram provas, em cognição sumária, de que ele [Palocci] recebia e era responsável pela coordenação dos recebimentos por parte de seu grupo político de pagamentos sub-reptícios (obtidos de forma ilícita) pelo Grupo Odebrecht.”

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