Campo Grande •27 de Junho de 2017  • Ano 6
OrganizaçãoIvan Paes BarbosaDiretor de RedaçãoUlysses Serra Neto

Giselli Figueiredo, de Aquidauana, em colaboração para o Diário Digital | Domingo, 19 de Março de 2017 - 08h17Defesa do caso lava jato critica parecer do MPEPara o Ministério Público, autores cometeram crime de homicídio doloso

  
Vítima de 17 anos foi agredida em lava jato, na Capital, no dia 3 de fevereiro (Foto: Marco Miatelo)
  • Vítima de 17 anos foi agredida em lava jato, na Capital, no dia 3 de fevereiro
  • Wesner da Silva de Oliveira, 17 anos, morreu após agressão em lava jato (Foto: Divulgação)

Parecer do Ministério Público Estadual (MPE) pede que Thiago Giovanni Demarco Sena, 20 anos, e Willian Henrique Larrea, 30, sejam julgados por homicídio doloso (quando há a intenção de matar) contra Wesner da Silva de Oliveira, 17. A defesa da dupla alega que não houve intenção de matar, visto que a lesão ocorreu durante uma brincadeira entre os três, em um lava-jato, em Campo Grande, no dia 3 de fevereiro. O jovem morreu dias depois na Santa Casa da Capital. Na sexta-feira passada, dia 17, o procurador-geral de Justiça, Paulo Passos, convocou uma entrevista coletiva para esclarecer o posicionamento no MPE sobre o caso.

Os advogados Francisco Guedes Neto, Ricardo Trad Filho e Assaf Trad Neto, integrantes do escritório Ricardo Trad Advogados, que defende os acusados, disseram ao Diário Digital que "acreditam no bom senso da Justiça no processamento e no julgamento do caso". Segundo a defesa, "não é inteligente afirmar que os seus clientes tiveram a vontade de lesionar ou de matar a vítima".

"É inaceitável a ocorrência do dolo, seja direto ou eventual, no caso em concreto. Os investigados e a vítima se davam bem, eram colegas de trabalho, e brincavam diariamente entre si. Como eles poderiam desejar lesionar ou matar Wesner se não havia entre eles nenhuma inimizade?" - questionou um dos advogados à reportagem.

Os advogados foram contundentes em dizer que a justificativa do chefe do Ministério Público foi infeliz e totalmente contrária a prova dos autos, especialmente porque fez vista grossa para o depoimento da única testemunha ocular que desmente a versão da vítima.   "A jurisprudência inadmite a valoração da palavra da vítima quando não corroborada com outras provas, como ocorre no caso em destaque. O depoimento da única testemunha ocular desmente a vítima, pois afirma que todos estavam brincando. A testemunha também afirmou para a assistente social que foi Wesner quem começou com a brincadeira", enfatizou a defesa.

O grupo de defesa enfatizou que Thiago e Willian não imaginaram que o ar comprimido pudesse transpassar o grosso do tecido jeans e que adentraria no corpo da vítima a ponto de lesioná-la ou matá-la.  "É natural a acusação apontar o dedo ao acusado". “Cabe à defesa conduzir o julgador ao equilíbrio", enfatizaram.

Os advogados ainda alegaram que será travada uma guerra entre o testemunho de uma criança isenta de malícia, contra a heresia de uma acusação insensata. "Só falta a acusação tentar satanizar uma criança isenta de mentiras para tentar satisfazer a sua vaidade acusatória".

O procurador vai encaminhar o processo para a promotora Lívia Bariani, da 18ª Promotoria de Justiça. Ela deverá oferecer denúncia por homicídio doloso para que os autores sejam julgados no Tribunal do Júri. Conforme Paulo Passos, sua decisão foi baseada em provas do processo. “Há provas bastante claras de que ocorreu um crime de homicídio”, definiu o procurador-geral.

Um pedido de prisão preventiva dos investigados já está em análise no Judiciário. Já a defesa informou que os seus clientes estão à disposição da Justiça e que não se furtarão dos atos judiciais, motivos que afastam a necessidade de decretação de qualquer medida prisional.

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