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6 de junho de 2020 • Ano 9
Diretor de RedaçãoUlysses Serra Netto
Foragido

Técnico de laboratório acusado de praticar abortos vai se apresentar, diz advogada

Dnilson Rodrigues Nunes, 44 anos, é acusado de receber R$600,00 de casal para praticar aborto

22 Mai2020Ana Lívia Tavares16h56
(Foto: Divulgação)
  • Dnilson Rodrigues Nunes, 44 anos, é acusado de praticar três abortos
  • (Foto: Divulgação)
  • (Foto: Divulgação)
  • Aline dos Reis Franco de 26 anos, morreu em dezembro de 2016

A Polícia Civil de Porto Murtinho está à procura do técnico de laboratório Dnilson Rodrigues Nunes, 44 anos, considerado foragido da justiça. Ele é acusado de receber R$600,00 de um casal para praticar um aborto, no dia 26 de março. Funcionário de um hospital da cidade, ele já responde a outros dois processos pelo mesmo crime. Em um deles, a gestante morreu, em dezembro de 2016. 

Segundo à polícia, o aborto teria ocorrido e quatro dias depois houve uma denúncia e a delegacia passou a investigar o caso. O casal  que contratou o técnico de laboratório foi identificado também vai responder por aborto com consentimento da gestante que durante o procedimento passou mal e precisou ser lavada ao hospital. 

Conforme o delegado de Porto Murtinho, Wilkson Vasco Francisco Lima Barros, os investigadores estiveram no hospital em que o técnico de laboratório trabalha, mas "ele fugiu de carro pelos fundos, assim que soube que os policiais estavam no local". A polícia ainda foi até a casa dele e não o encontrou.

O inquérito foi concluído e o delegado solicitou a justiça a prisão preventiva de Dnilson. "Nós recebemos denúncias sobre onde o acusado estaria, mas nada concreto ainda. As informações estão sendo verificadas", afirmou Wilkson Vasco. 

Abortos - Este é o inquérito mais recente acusando o técnico de laboratório pela prática de aborto. Porém, Dnilson é investigado pela Polícia Civil de Porto Murtinho desde 2010. 

Em outubro de 2010, ele foi preso acusado de vender abortivo para uma mulher de 20 anos. Conforme a denúncia, fora de seu horário de serviço, ele teria vendido medicamentos e induzido a jovem a abortar. 

O processo mais grave que Dnilson também responde em liberdade  se refere a dezembro de 2016, quando ele foi acusado de ter participado aborto que resultou na morte da gestante Aline dos Reis Franco de 26 anos.

Também é ré no processo uma amiga da vítima, Simone Mareco Penha, que teria intermediado o contato entre a jovem e o técnico de laboratório para a realização do aborto e oferecido a própria casa para o procedimento.  Após realizar o procedimento abortivo, Aline passou mal e foi para o hospital da cidade, onde foi atendida e seria transferida para Campo Grande , mas morreu dentro da ambulância, em Jadim. 

Quase quatro anos depois, a mãe de Aline que, na época, deixou dois filhos, de 11 e 6 anos, disse em entrevista a TV MS Record que ainda tenta superar a dor do luto. "Mexeu com a minha estrutura, mudou a vida dos meus netos que tiveram uma fase de adaptação, não foi fácil. Quer dizer, ainda não está sendo  porque uma pessoa faz muita falta. Ela era tão querida pela família e boa mãe, faz falta na vida da gente", contou Helemary dos Reis, 56 anos. 

Helemary só descobriu que a filha estava gestante depois da morte de Aline. "Talvez, se eu soubesse na época, a gente tentava encontrar uma solução, mas digo a essas jovens, não interrompam a gravidez porque você pode pagar com sua vida, como minha filha pagou. Infelizmente, essas meninas que estão gestantes buscam, até por imaturidade, no desespero, achando que o aborto é a melhor solução,  mas não é". 

Defesa - A defesa de Dnilson afirma que o cliente está disposto a se apresentar e  nega a participação dele nos crimes. 

"Quem teve envolvimento, realmente, foi a amiga da Aline porque ela confessou. Tanto é que o processo foi alterado de crime de aborto para fato atípico. Então, na morte da Aline, alegamos que ele não tem envolvimento nenhum e até foi concedido o direito dele aguardar julgamento em liberdade", explicou a advogada Ana Paula Barbosa Colucci. 

Sobre o paradeiro de Dnilson, a advogada relatou que está conversando com familiares, mas não deu uma data para que o cliente se entregue a polícia. "Desde o dia 30 do março estou conversando com a família e sou da opinião de apresentá-lo mesmo com a ordem de prisão". 

A polícia faz um apelo a população por informações do suspeito. As denúncias podem ser anônimas e feitas pelo telefone (67) 3287-1289.

 

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