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24 de junho de 2018 • Ano 7
Diretor de RedaçãoUlysses Serra Neto
Justiça

Wesner era alvo de maldades no lava jato, diz mãe

Mãe e testemunhas de acusação foram ouvidas em audiência do caso lava jato

5 Set2017Valdelice Bonifácio17h00
(Foto: Marco Miatelo)
  • Marissilva Moreira da Silva chora apegada à fotografia do filho Wesner Moreira que morreu dias após ser agredido em lava jato
  • (Foto: Marco Miatelo)
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Chorando muito e amparada por familiares, Marissilva Moreira da Silva, mãe do jovem Wesner Moreira da Silva, 17 anos, morto após agressão em um lava jato de Campo Grande, compareceu à primeira audiência de instrução do caso no Fórum da Capital, na tarde desta terça-feira, 5 de setembro. “Eles fizeram algo muito cruel (...) Não quero que fiquem soltos. Wesner me pediu que lutasse por justiça”, disse à mulher se referindo aos acusados pelo crime Thiago Giovanni Demarco Sena, 20, dono do lava jato e Willian Henrique Larrea, 30, funcionário do estabelecimento.

O crime aconteceu no dia 3 de fevereiro de 2017. Na ocasião, Wesner teve uma mangueira de alta pressão introduzida no corpo por Thiago e Willian. Conforme a mãe, esta não foi a primeira vez que o filho foi alvo de maldades no lava jato. Durante depoimento ao juiz Carlos Alberto Garcete, ela relatou duas outras situações que a revoltaram e a levaram a aconselhar o filho.

Os réus não foram ouvidos desta vez. Eles acompanharam a audiência em silêncio. Falaram apenas testemunhas de acusação arroladas pelo Ministério Público Estadual (MPE), sendo a mãe de vítima, a assistente social e o enfermeiro que prestaram os primeiros socorros à vítima na unidade de saúde do Bairro Tiradentes, além de quatro primos da vítima. Somente após a instrução é que o juiz decidirá se os réus irão ou não a júri popular.

Thiago e Willian devem ser ouvidos na segunda audiência marcada para 2 de outubro. Na mesma ocasião, também serão ouvidas testemunhas de defesa. A dupla afirma que estava apenas brincando e que não tinham a intenção de matar ou ferir Wesner, alegação que a família contesta.  “Não foi brincadeira. Tiraram meu filho de mim”, disse Marissilva.

Brincadeiras duvidosas – Durante o depoimento, a mãe da vítima relembrou que Wesner conhecia Willian desde criança já que o acusado frequentava a casa da família. Contudo, havia semanas que ela vinha pedindo que o filho se afastasse dele, após tomar conhecimento de que Wesner era alvo de brincadeiras de gosto duvidoso no lava jato.

“Um dia deram-lhe uma massa estranha como se fosse bala. Ele comeu e ficou ruim do estômago. Teve que tomar remédio (...) Outra vez, ele estava limpando o carro quando o trancaram dentro do veículo”, relatou. Apesar disso, Wesner não queria se afastar. Dizia ter gratidão a Willian, pois foi ele quem lhe arrumou o emprego no lava jato. Marissilva ressaltou ter falado pessoalmente com Willian sobre as “brincadeiras” e pediu que ele parasse.

No dia da agressão, a mulher foi levada à Santa Casa pelos próprios agressores que, contudo, não lhe contaram o que tinha acontecido. “Pensei que fosse algo pequeno, do tipo quebrar a perna ou o braço. Só entendi quando o médico falou”, relembra. Ela informou ter ouvido relato do filho, dias antes da morte dele, sobre como os fatos ocorreram.

“Todos tinham lanchado e Wesner estava quieto limpando um carro. Foi quando Willian apareceu com um pano molhado. Wesner pediu que ele lhe pagasse uma Coca-Cola. O semblante de Willian se transformou naquele momento. Wesner disse que correu dele, mas Willian o pegou e colocou nos ombros. Wesner pediu que Willian o deixasse, mas ele o levou até Thiago, que abaixou as calças dele e introduziu a mangueira de ar”, diz a mãe reproduzindo o relato feito pelo filho no hospital.

Wesner também teria dito à mãe que, após ter a mangueira introduzida, vomitou e caiu. “Mas, apesar de estar no chão, ele estava consciente e via tudo o que acontecia. Ele disse: mãe eu parecia aqueles bonecos de ar, sem controle, mas eu via tudo”, mencionou a mulher.

O advogado Thiago e Willian, Francisco Guedes acompanhou a audiência.  A dupla responde pelo crime de homicídio doloso (quando há intenção de matar) em liberdade. Eles não têm antecedentes criminais.

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