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17 de agosto de 2018 • Ano 7
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NASA

Sonda ‘Parker’ inicia sua viagem de sete anos para chegar ao Sol

Durante sua maior aproximação à estrela, a nave estará a mais de cem milhões de quilômetros da Terra

12 Ago2018El País12h17

Há sessenta e cinco anos, em seu curto conto As Maçãs Douradas do Sol, Ray Bradbury já descreveu a primeira expedição humana para obter uma amostra de nossa estrela. Pouco antes de decolar, o capitão ordena fixar o rumo em direção ao sul. A surpresa tripulação se queixa: “Mas capitão, no espaço não existem pontos cardeais”. Ao que ele responde: “Quando sua viagem te leva a regiões cada vez mais quentes e a temperatura aumenta dia a dia e o Sol está cada vez mais alto no céu você vai em direção ao Sul...”.

Nesse domingo, uma nave robô – a sonda solar Parker- muito diferente do que imaginou Bradbury decolou do Cabo Canaveral rumo ao sul. O mais ao sul jamais alcançado por um veículo espacial.

A viagem será longa. Contra todas as aparências, cair em direção ao Sol exige um gasto de energia muito, muito maior do que – por exemplo- ir a Marte. A razão é que a Terra gira em sua órbita muito depressa, a 100.000 Km/h; para chegar aos planetas interiores (Vênus e Mercúrio) e, evidentemente, perto do Sol, um veículo espacial precisa perder, e não ganhar, velocidade. Nesse caso, a sonda Parker deverá reduzir em quase 80% essa velocidade.

Não existe foguete capaz de exercer uma frenagem tão intensa. Por isso, a sonda seguirá uma trajetória que a fará passar sete vezes à pouca distância de Vênus. Normalmente, esse tipo de aproximação é feito para ganhar velocidade, como no caso em que se utiliza a atração de Júpiter para se dirigir aos confins mais remotos do Sistema Solar. Dessa vez, pelo contrário, Vênus servirá de freio. O que forçará com que a trajetória da Parker se transforme em uma elipse muito alongada, cujo extremo se aproximará cada vez mais do Sol. A altura mínima (ridículos 4 milhões de quilômetros) será alcançada em 2025.

Como é possível que a sonda não seja fundida? Principalmente graças ao seu escudo protetor, feito de fibra de carbono e capaz de resistir a temperaturas próximas aos 2000 graus. Além disso, está instalado com uma separação de quase um metro do restante dos equipamentos. Um metro de vazio é um ótimo isolante; enquanto nenhum instrumento sair da sombra projetada pelo escudo, podem se manter a confortáveis 35 graus.

Durante sua maior aproximação ao Sol, a Parker estará a mais de cem milhões de quilômetros da Terra. Nessa distância, o atraso nas comunicações será medido em minutos e, portanto, é impossível controlar sua posição com agilidade suficiente. Precisará ser autônoma e para isso leva uma série de sensores instalados logo atrás do escudo. Quando um deles detectar uma iluminação direta, pequenos motores se encarregarão de corrigir a posição para que a sombra da tela volte a proteger os equipamentos a bordo.

Os painéis fotoelétricos foram projetados de maneira que durante o periélio se escondam na sombra. É um modelo novo, refrigerado por um circuito de água à pressão, como o radiador de um carro. Mas nem com toda essa proteção poderiam resistir a poucos segundos de exposição ao calor do Sol em uma distância tão pequena. Só serão abertos quando sua órbita alongada a levar longe do perigo e o escudo esfriar antes do próximo mergulho.

Nosso Sol é a única estrela que pode ser estudada de perto. E possui alguns mistérios cuja origem se remonta a mais de um século e meio atrás. Como o paradoxo da coroa: Por que nessa região que corresponde à alta atmosfera do Sol o gás – muito tênue – está a milhões de graus de temperatura, enquanto na “superfície” somente chega a modestos 6.000 graus? O mecanismo que explica essa surpreendente transferência de energia continua sendo desconhecido. Talvez quando por fim completar sua viagem de sete anos a Parker ajude a desvendá-lo.

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