Campo Grande •25 de Abril de 2017  • Ano 5
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Da redação | Quinta, 29 de Setembro de 2016 - 06h50São Julião faz 1º enxerto ósseo para lábio leporinoPacientes poderão receber tratamento em Campo Grande

(Foto: Edemir Rodrigues/Governo de MS)

Em parceria com o Governo do Estado e com a Funcraf (Fundação para o Estudo e Tratamento das Deformidades Crânio-Faciais), o Hospital São Julião, em Campo Grande, realizou nessa terça-feira (27) a primeira cirurgia de enxerto ósseo em Mato Grosso do Sul em paciente com fissura lábio palatina, uma má-formação conhecida  popularmente como lábio leporino ou fenda palatina.

O hospital pretende a partir de agora realizar todas as cirurgias por quais os pacientes com essas más-formações precisam ser submetidos, como fechamento do palato, do lábio, enxerto ósseo e cirurgia plástica.  Hoje,  até para simples avaliações médicas, os pacientes precisam se deslocar até o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (USP), em Bauru, conhecido por “Centrinho”, uma referência do tratamento no país.

Como explicou o diretor administrativo do São Julião, Hamilton Alvarenga, a dificuldade em encontrar equipe médica- que inclui um cirurgião buco maxilo- disposta a assumir as cirurgias, além de outros entraves, não permitia que o hospital pudesse iniciar as intervenções cirúrgicas na Capital. Ele lembra ainda que algumas cirurgias, como a plástica, em casos de lábio leporino, já foram realizadas em Campo Grande, no entanto, o procedimento de enxerto ósseo, assistido pelo SUS, nunca havia sido realizado e todos os casos até hoje tinham sido encaminhados para Bauru.
“Nós temos interesse nesse projeto há algum tempo. O Governo do Estado vem acompanhando as negociações do hospital e dando todo apoio, assim como a Funcraf. Conseguimos uma equipe médica que se dispôs a fazer as cirurgias e nessa primeira experiência vamos avaliar os custos e todos os outros procedimentos envolvidos nesse modelo”, explicou Hamilton.

Ainda não foi definido como acontecerá a parceria entre Funcraf, São Julião e Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (SES), mas segundo Hamilton, ela deverá ser firmada inclusive com o município, caso haja interesse.  Com o acordo firmado e o início das cirurgias na Capital, o Estado deverá reduzir os gastos com o Tratamento Fora de Domicílio (TFD), benefício concedido aos usuários do SUS que precisam se deslocar para fora da cidade.

Segundo Hamilton, o hospital precisa ainda ser habilitado para esse tipo de cirurgia. “Contando com toda a burocracia, até dezembro devemos resolver e a partir de janeiro estará tudo certo. Ou seja, pacientes que antes precisavam se deslocar até Bauru, agora poderão ser atendidos aqui, um conforto bem maior para todos”.
E essa comodidade em receber tratamento em Campo Grande irá aliviar as preocupações e o cansaço da aposentada rural Rafaela Paiva Caetano, 62 anos, acostumada a viajar com o neto de 9 anos até o Centrinho, em Bauru. “Até para fazer uma avaliação temos que ir para São Paulo. É sempre muito cansativo”, disse ela nessa terça-feira enquanto aguardava o neto  que passava pela primeira cirurgia de enxerto ósseo do São Julião.

O menino, Rubens Paiva da Silva, nasceu com má-formação e sua primeira cirurgia foi aos 4 meses de idade. “Ele não conseguia mamar, chorava muito. Depois da cirurgia, melhorou  essa parte da alimentação. A cirurgia de hoje é a segunda por qual ele passa”, lembra a avó Rafaela que mora com o neto em um assentamento na cidade de Anastácio. Apesar da alegria inocente de criança, a avó conta que Rubens se preocupa em ser “sem defeitos”. “Ele diz que quer ser bonitinho, sem defeito nenhum e ficar com a boca normal”.

Conforme a Funcraf, contabilizando somente pacientes de Mato Grosso do Sul, a fila para o procedimento de enxerto ósseo no Centrinho, em Bauru, chega a aproximadamente 80 pessoas; e a espera pode ultrapassar dois anos. “O Centrinho atende todo país. Então, além das pessoas do Estado, existem muitos outros aguardando”, disse a coordenadora administrativa da Funcraf, Carla Pacheco Normando.

Segundo ela, para cirurgias primárias como a de fechamento do lábio não existem filas. “Nesses casos o atendimento é feito logo. Já para o fechamento de palato ou plástica a fila de pacientes do Estado chega a aproximadamente 150 pessoas aguardando cirurgia no Centrinho”.

Lábio Leporino ou Fenda Palatina - A má-formação dos lábios ou do palato requer, na maioria dos casos, uma série de cirurgias e tratamentos e que começam ainda no início da vida. Conhecido como lábio leporino ou fenda palatina, a doença se caracteriza por uma fissura que pode se desenvolver no lábio e no palato (céu da boca) ao mesmo tempo ou apenas em um deles.

A primeira cirurgia, para o fechamento do lábio, pode ser feita a partir dos três meses de idade, como explicou a ortodontista da Funcraf, Tatiana Nishioka. Já a segunda acontece a partir de um ano, quando há fissura de palato também. “Essa segunda cirurgia só acontece quando o palato tem fissura. A terceira intervenção deve acontecer entre 9 e 12 anos de idade e quando há necessidade de enxerto ósseo”, disse.

Para a fase da cirurgia plástica a avaliação é feita de acordo com cada caso, segundo Tatiana. “O Rubens, por exemplo, esta fazendo hoje (27) a retirada de um pedaço de osso para juntar a fissura que passa atrás da linha da gengiva. Uma cirurgia plastica no caso dele ainda vai depender de algumas coisas “, avaliou.

Funcraf - Os pacientes de Mato Grosso do Sul, atendidos pelo SUS, são encaminhados para a Funcraf, fundação que oferece equipe médica multidisciplinar para acompanhamento e tratamento da doença. “Lá eles recebem um planejamento individual, focado exclusivamente de forma individual”, explicou a coordenadora Carla.

Além de pediatras, neurologistas e nutricionistas, a Funcraf oferece uma equipe de  enfermeiros, fonoaudiólogos, otorrinos, psicopedagogos, ortodontistas, odontopediatras, assistentes sociais e psicólogos.

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