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19 de junho de 2018 • Ano 7
Diretor de RedaçãoUlysses Serra Neto
Campo Grande

Removidos de favela, moradores continuam sem casa

Residências de alvenaria estão inacabadas e famílias continuam vivendo em barracos

1 Set2017Valdelice Bonifácio17h20
Pastor Marcos Roberto Ferreira (Foto: Marco Miatelo)
  • Casas inacabadas angustiam moradores que já planejam fazer protestos na esperança de serem ouvidos pelo Poder Público
  • Pastor Marcos Roberto Ferreira (Foto: Marco Miatelo)
  • Os catadores de materiais recicláveis Márcio de Lima e Odair Gonçalves (Foto: Marco Miatelo)
  • (Foto: Marco Miatelo)
  • (Foto: Marco Miatelo)
  • (Foto: Marco Miatelo)
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  • (Foto: Marco Miatelo)
  • (Foto: Marco Miatelo)

Moradores da extinta favela Cidade de Deus, no Bairro Dom Antônio, em Campo Grande, assentados em loteamento no Bairro José Teruel Filho, desde março de 2016, ainda não realizaram o sonho de morar em uma casa de verdade. Eles continuam abrigados em barracos precários porque as residências de alvenaria não ficaram prontas. As unidades começaram a ser construídas na gestão de Alcides Bernal (PP), mas atualmente as obras estão paradas.

“Estamos com medo de o período de chuva chegar e nos encontrar em barracos precários mais uma vez”, reclama o catador de materiais de recicláveis Odair Gonçalves, 41 anos. Desde que mudou da favela a situação dele é a mesma. Mora em um barraco com a esposa e quatro filhos. A única diferença e que este é nos fundos de sua futura casa de alvenaria que demora a ficar pronta.

No início de 2016, a família dele e outras 400 foram removidas da Cidade de Deus para quatro loteamentos, localizados no José Teruel na região do Dom Antônio, Vespasiano Martins, Jardim Canguru e Vila Nasser. Na época, foi estabelecido um sistema de construção de casas pelos próprios moradores em parceria com a Morhar Organização Social, no programa Mutirão Assistido.

Contudo, a empresa não conseguiu tocar as obras. Faltaram materiais de construção e os funcionários que trabalhavam nas edificações reclamavam da falta de pagamento. Houve protestos de moradores nos três loteamentos.

Em 2017, uma nova gestão assumiu a prefeitura. O Poder Público decidiu implementar um curso de qualificação para os moradores destes loteamentos. Nas aulas, eles aprendem serviços de pedreiro e carpinteiro, por exemplo. O curso já dura mais de um mês. Porém, as obras continuam paradas.

“Nada contra o curso. É uma coisa boa. Porém, nossa situação continua a mesma. O que pedimos é que nos deem materiais de construção para concluirmos as casas. No curso, já tem muito pedreiro. Poderíamos usar esta mão de obra para terminar as construções”, propõe Márcio de Lima, 39 anos, que também é catador de materiais recicláveis.

Para o Teruel, foram levadas 98 famílias. Ao menos 60 casas foram iniciadas. Nenhuma delas foi finalizada pelo mutirão. Houve morador que improvisou. Aproveitando as paredes erguidas, fechou o teto com lona ou outros materiais. Houve também quem tenha terminado a casa por conta própria, atitude que não é possível para todos, segundo o pastor Marcos Roberto Ferreira.

“A maioria do pessoal aqui era catador de materiais no Lixão. Como o local foi fechado, muitos continuam desabrigados e sobrevivendo de bicos. Há ainda cadeirantes e pessoas sem condições de trabalhar. Só queremos que agilizem a construção das moradias”, mencionou.

No loteamento, muitos moradores defendem a realização de protestos, como o fechamento de ruas e avenidas para chamar atenção do Poder Público. “Basta terminar o que já começaram. Nós mesmos queremos trabalhar, mas precisamos dos materiais de construção. É só isso que queremos. Se não ouvirem, vamos ter que protestar”, disse um morador que não quis se identificar.

Outro lado – A reportagem do Diário Digital entrou em contato com a prefeitura, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.

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