Campo Grande • 11 de dezembro de 2016 • Ano 5
OrganizaçãoIvan Paes BarbosaDiretor de RedaçãoUlysses Serra Neto

Da redação | segunda, 07 de novembro de 2016 - 11h32Projeto educacional muda papéis e transforma a vida de professores e alunosProjeto mantém aberto o diálogo com a comunidade sobre as políticas públicas de educação, dando foco na qualidade, inclusão social, acesso e permanência do aluno na escola

Projeto Traje oferece apoio a pessoas que estão com algum tipo de situação de vulnerabilidade
Projeto Traje oferece apoio a pessoas que estão com algum tipo de situação de vulnerabilidade (Foto: Divulgação)

Um bom professor é aquele que é reconhecido pelas transformações na vida de um aluno. Uma boa escola é aquela que dá um voto de confiança e acredita no potencial do aluno, principalmente quando este, requer uma atenção especial e em muitas situações é desacreditado pela própria sociedade. É assim que atuam os professores do projeto Traje, (Travessia Educacional do Jovem Estudante) na escola Osvaldo Cruz, onde acolhem adolescentes entre 15 e 17 anos que não concluíram o ensino fundamental. 
 
Para a educadora Janaína Castro Salgado, de 35 anos, é preciso muito mais do que vontade de ensinar, é preciso ter muito amor pelo que faz. “Quem participa do Traje não pode se apegar em apenas um quadro e um giz. Temos que oferecer um diferencial para os alunos. Nós realizamos um trabalho de resgate, pois é um público que já tem o “não”, então não dá para trabalhar apenas com matéria em sala. Por isso o projeto oferece esse apoio a pessoas que estão com algum tipo de situação de vulnerabilidade. Aqui nós trabalhamos de forma diferente e temos este retorno, eles nos respeitam, se tornam amigos e acabamos fazendo parte do mundo deles e todo esse esforço vale a pena. São alunos diferenciados e que tem muito potencial. Fazer parte da história de cada um ensinando me faz ser uma pessoa e uma profissional melhor, por isso eu amo o que eu faço e não troco nenhum outro emprego por nada”, disse a professora do projeto. 

Transformação

Um destes alunos é a jovem, Agatha Christie de Oliveira, que tem nome de escritora inglesa, participou do EJA (Educação de Jovens e Adultos) e acredita que somente com os estudos pode um dia realizar os grandes sonhos de sua vida. “Eu sou jovem, sei que tenho um futuro enorme e cheio de oportunidades a minha frente, mas sei também que quando uma pessoa não estuda, não tem conhecimento, ela não tem a oportunidade de crescer na vida. Eu sinto que sem os estudos me falta algo e os professores me fazem acreditar que estou no caminho certo, pois sentimos que eles são nossos amigos, eles ensinam e nos motivam a procurar o caminho dos estudos e não andar com pessoas erradas. Se eu investi nos meus estudos e hoje tenho um trabalho é por que os professores estão me ensinando a ser alguém melhor”, disse a jovem que hoje está empregada, pretende se formar em direito e ser delegada de polícia. 

Voto de confiança

Foi na sala de aula que Richard Eduardo Pereira de Souza, 17 anos contou que a vida começou a lhe cobrar responsabilidades desde cedo, o que fez com que ele tomasse decisões e buscasse um recomeço através dos estudos. “Eu era uma pessoa que não acreditava em ninguém, andava com pessoas erradas e já vi muita gente fazendo coisas que prejudicaram as pessoas. Hoje eu sinto que o estudo e a minha formação me ensinou a ser alguém melhor e a acreditar em mim. Aqui a gente não só estuda, aqui a gente aprende a ser homem, a ter responsabilidade e acreditar em si. Hoje eu estou fazendo o ensino médio e curso de Técnico em Eletrotécnica e não vejo a hora de entrar no mercado de trabalho e colocar em prática tudo que eu venho aprendendo. Se não fosse os professores eu não estaria aqui para contar a minha história, provavelmente estaria num mundo errado, andando com pessoas que só levam a um caminho sem volta”, comentou Richard. 

Seguindo exemplos

Johnny Daniel tem 22 anos é a prova de que quem acredita nos estudos pode ter um futuro melhor. Ele também fez o Traje e hoje é acadêmico do curso de História da Universidade Federal e um dia pretende entrar numa sala de aula para ser um professor. “Eu nunca gostei de escola. Sempre achava que era cansativo e isso acabava me desmotivando, mas com o tempo percebi que era bom saber, era bom aprender e os professores foram o fator decisivo nesse processo. São eles que fizeram a diferença para que eu me interessasse mais pela escola. Hoje estou fazendo uma faculdade na qual eu amo, quero aprender e realizar o sonho de ensinar um dia e ser um bom professor para os meus alunos, assim como os professores do projeto foram pra mim” destacou Johnny. 

Apoio pedagógico

Jurema Cabral, coordenadora pedagógica acredita que a dedicação dos profissionais da educação é o item especial para formar alunos em situação de vulnerabilidade.  “Trabalhamos em um projeto que não apenas ensina, mas resgata e acredita que a vida do aluno pode ter um destino diferente através dos estudos. Nós trocamos experiências e nós acabamos aprendendo mais do que eles. Aqui nós construímos algo que terá um resultado positivo lá na frente. Temos profissionais extremamente apaixonados pelo que fazem, dedicados e dispostos a lidar com pessoas que requerem um pouco mais de atenção. Aqui as pequenas atitudes fazem a diferença, um olhar, um abraço,um gesto de carinho incentiva muito mais estes jovens e adultos que querem continuar estudando, por isso o trabalho dos profissionais é tão importante”, comentou a coordenadora. 


O projeto mantém aberto o diálogo com a comunidade sobre as políticas públicas de educação, dando foco na qualidade, inclusão social, acesso e permanência do aluno na escola. Quem estiver interessado em investir num futuro de estudos, as aulas do projeto Traje são realizadas na escola Osvaldo Cruz na rua Yokoama, 146 na Vila Palmira. O telefone é (67) 3314-7025 e 3314-7808.

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