Campo Grande •19 de Outubro de 2017  • Ano 6
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Valdelice Bonifácio | Quinta, 3 de Agosto de 2017 - 16h51Professor surdo diz ter sido rejeitado em mestradoCaso foi denunciado à polícia como discriminação; universidade nega tal prática

  
(Foto: Marco Miatelo)
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  • (Foto: Divulgação)
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Édio Tadeu Leite Waismann Asen, de 41 anos, fez história ao se tornar o primeiro professor brasileiro surdo a dar aulas para alunos no ensino regular.  Contudo, a surdez, barreira que ele já derrubou tantas vezes, voltou a servir de impedimento ao seu progresso profissional. Ele denuncia ter sido recusado na inscrição do curso de Mestrado Profissional em Educação do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp) por ser surdo. O caso inclusive foi denunciado à Polícia Civil de Engenheiro Coelho, onde fica o campus da universidade.

Os fatos aconteceram no dia 24 de julho, quando Édio e sua esposa a intérprete de Libras Alice de Souza do Nascimento, 32 anos, chegaram à Unasp após terem viajado de Campo Grande, especificamente para tratar da matrícula do professor no mestrado. “Antes de partir, eu telefonei, eles me disseram que havia possibilidade do Édio fazer esse mestrado. Contudo, quando chegamos lá a realidade foi outra. Fomos até destratados”, disse.

Conforme Alice, o casal foi enviado de um setor para outro dentro da Unasp sem que ninguém conseguisse tratar do assunto com precisão. Eles foram encaminhados para dois funcionários surdos da instituição um do setor de contabilidade e outro da limpeza, que nada sabiam sobre o assunto. “Por fim, quando chegamos ao último setor o Acadêmico Geral fomos informados que não havia possibilidade de matrícula, porque a universidade não poderia atender um surdo”, disse.

O casal chegou a solicitar o alvará de funcionamento da Unasp, o que foi negado. Conforme Alice, a instituição, por lei, tem que garantir a acessibilidade não só predial, mas também de comunicação, o que inclui estar preparada para receber pessoas como Édio. No boletim de ocorrências, o caso foi registrado como praticar, induzir ou incitar discriminação de pessoa em razão de sua deficiência.

Em fala interpretada por Alice, Édio reclama que muitos surdos sequer sabem de seus direitos porque essas informações não são devidamente transmitidas. “A sociedade surda não é culpada por não saber. A legislação existe, mas o medo muitas vezes cala o surdo”, desabafa o professor.

Alice pretendia oferecer um projeto de ensino de Libras e obter a bolsa de mestrado para o marido. De volta a Campo Grande e sem conseguir fazer a matrícula, o casal procurou a Associação Adventista que também não conseguiu intermediar o problema. Ela conseguiu um contato telefônico com o reitor da universidade Paulo Martini, através de um dos pastores da Adventista.

Alice relata ter sido ameaçada pelo reitor. Ele teria informado que a inscrição no mestrado era livre e que Édio poderia fazê-lo, mas que a bolsa não seria concedida por considerar que o casal praticou calúnia e difamação contra a universidade. Além disso, seria aberto um processo de difamação pelo departamento jurídico da Unasp.

Na entrevista ao Diário Digital, Alice chorou ao relatar que jamais supunha que a viagem planejada para ser o início de uma nova realização para Édio se tornaria um caso de polícia. Ela revela que o casal sequer dispunha de recursos financeiros para a viagem e chegou a fazer um empréstimo no banco para ir em busca da nova meta do marido.

Sem conseguir resolver o impasse com a universidade, e agora sentindo-se amedrontado, o casal não fez a inscrição no mestrado, cujo prazo terminou no dia 31 de julho.

Outro lado – Por meio da assessoria de imprensa, a Unasp disse ter prestado todo atendimento possível ao casal.  Eles foram orientados a fazerem a inscrição pela internet, como é praxe na instituição.  Portanto, segundo a Unasp, não havia necessidade de o casal se deslocar a Engenheiro Coelho para esta finalidade, como fizeram.

A Unasp assegura ainda que promove acessibilidade de comunicação, bem como outras formas de inclusão. Abaixo do texto, a nota encaminhada pela universidade está publicada na íntegra. A instituição, inclusive, enviou fotografias do campi ao Diário Digital na tentativa de provar que segue as normas de acessibilidade física.

Em relação às ameaças feitas pelo reitor Paulo Martini, a reportagem tentou falar com ele por telefone, mas foi informada que ele estaria em reunião. Contudo, a assessoria de imprensa transmitiu as considerações do reitor. Paulo Martini nega ter feito qualquer tipo de ameaça ao casal e muito menos mencionado a possibilidade de processo judicial.

Nota da Unasp

O Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp) informa que a inscrição do processo seletivo ao Mestrado Profissional em Educação não foi efetivada pelo candidato Edio Tadeu Leite no período correspondente ao edital público, o qual se encerrou no último dia 31 de julho. O processo seletivo ao Mestrado pode ser feito por qualquer pretendente que tenha acesso ao site e siga com o preenchimento dos dados pessoais, anexação dos documentos e o pagamento da taxa da prova. Embora a inscrição independa da presença do pretendente a vaga, atendendo à solicitação específica da esposa do Sr. Edio, o UNASP ainda scaneou os documentos e encaminhou por e-mail, restando-lhe, exclusivamente, o acesso ao portal para a conclusão e o pagamento da taxa de efetivação da inscrição.

O UNASP possui um Curso de Libras e tem professores qualificados para ministrá-lo. Por essa razão, a instituição tão logo comunicada da necessidade especial do futuro candidato informou que faria um processo seletivo que atendesse a essa circunstância. No entanto, considerando que sequer houve inscrição no processo seletivo, a instituição não pôde auxiliar ainda mais o candidato.

Sobre o boletim de ocorrência, o Centro Universitário lamenta a alegação, no entanto ressalta que não houve registro de maus tratamentos por parte dos seus colaboradores, atendendo-os com hospedagem paga pela instituição, bem como com a devida acessibilidade necessária à documentação ao corpo de funcionários e as dependências utilizadas no campus.

O Unasp promove a acessibilidade mantendo em sua estrutura alunos e funcionários com necessidades especiais (inclusive com deficiência auditiva), cursos livres na área de Linguagem Brasileira de Sinais (Libras) e um Coral de Libras, bem como outras formas de inclusão, cumprindo assim os termos do Estatuto do Deficiente, Lei n. 13.146/2015.

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