Menu
5 de abril de 2020 • Ano 9
Diretor de RedaçãoUlysses Serra Netto
MS

Presídios de MS produzem materiais para hospitais na luta contra o coronavírus

A medida foi adotada diante da falta de equipamentos para profissionais de saúde que atuam na linha de frente do combate à pandemia

26 Mar2020Da redação07h20

O Governo do Estado, por meio da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) e parceiros, abriu uma importante frente de trabalho na luta contra a pandemia do Covid-19. Reeducandos de várias unidades penais iniciaram nesta semana a confecção de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), materiais de higiene, álcool 70º, máscaras, capotes e gorros.

A medida foi adotada diante da falta de equipamentos para profissionais de saúde que atuam na linha de frente do combate à pandemia. Toda a iniciativa é coordenada pela Diretoria de Assistência Penitenciária da Agepen, por meio das Divisões de Saúde e Trabalho Prisional, e conta com parceria da Secretaria Estadual de Saúde (SES).

De acordo com a integrante do Comitê de Operações de Emergência (COE) da SES,  infectologista Mariana Croda,  que realiza a monitoração técnica de todo o trabalho realizado junto aos presídios, essa proposta surgiu da grande necessidade dos hospitais de diferentes municípios utilizarem roupas privativas e equipamentos de proteção individual, que estavam em falta no mercado especializado. “Do ponto de vista do serviço de saúde essa parceria é muito importante, essa produção vai atender a demanda que existe e que está por vir, vai abastecer os hospitais para que todos possam usufruir e poupar os equipamentos que existem para os profissionais que vão estar à frente dos atendimentos do coronavírus”, destaca a médica especialista.

O diretor-presidente da Agepen, Aud de Oliveira Chaves, ressalta que todos os materiais  estão sendo confeccionados dentro das normas sanitárias. “Estamos fornecendo todo o suporte necessário, principalmente no que tange à mão de obra disponível, para amenizar a deficiência desses materiais de segurança”, informa destacando o importante papel social que esse tipo de trabalho representa. “Na Agepen, já temos várias ações em prol da população e estamos unindo forças neste momento crítico, colaborando da maneira que podemos para um bem maior de todos”, afirma. 

Dentro dessa perspectiva, um termo de cooperação mútua foi assinado entre a Agepen, Associação dos Magistrados de Mato Grosso do Sul (Amamsul), Associação Sul-Mato-Grossense do Ministério Público (ASMMP) e o Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS), para a produção de Epis; alguns insumos já foram repassados ao sistema penitenciário e estão sendo distribuídos aos estabelecimentos prisionais para início dos trabalhos.

Dentre as atividades já em andamento nas unidades da Agepen, está a fabricação de álcool 70º por detentos do Estabelecimento Penal “Jair Ferreira de Carvalho” – presídio de Segurança Máxima da Capital -, para atender as grandes demandas do sistema penitenciário do Estado, assim como, Hospital Regional de Mato Grosso do Sul.

O trabalho recebe acompanhamento técnico da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e conta com apoio da 2ª Vara de Execução Penal de Campo Grande, e Central de Execução de Penas Alternativas (CEPA),  representadas pelo juiz Albino Coimbra Neto, que destinou R$ 25 mil para aquisição de materiais, e da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), que doou 200 litros de água destilada para a produção. 

Com esses suportes, os detentos da Máxima também atuam na confecção  de sabão líquido e hipoclorito de sódio (desinfetante). As atividades dentro da penitenciária estão sendo coordenadas pelo diretor da unidade, Mauro Augusto Ferrari de Araújo, e pelo agente Osmar Nunes de Freitas, que é químico.

Além disso, gorros, capotes e máscaras estão sendo costurados pelos detentos, cujo início do trabalho foi acompanhado de perto pela diretora-presidente do HRMS, Rosana Leite de Melo, e pelo diretor administrativo, Marcelo César de Arruda Ferreira. 

Já no Estabelecimento Penal Feminino “Irmã Irma Zorzi”, cinco detentas iniciaram os trabalhos de confecção na oficina de costura do presídio. A ideia, aponta a diretora Mari Jane Boleti Carrilho,  é fabricar diariamente 30 capotes de napa azul royal. 

As peças serão distribuídas ao Hospital Maria Aparecida Pedrossian – Universitário (HUMAP), mais conhecido como HU. As articulações para organizar a dinâmica de produção conta com o apoio do enfermeiro e doutor em Doenças Infecciosas e Parasitárias, Everton Ferreira Lemos.

Uma funcionária do hospital esteve no EPFIIZ orientando as custodiadas sobre a produção. Segundo  a diretora da unidade, também está prevista a confecção para o Hospital do Câncer de Campo Grande.

Nos estabelecimentos penais de regime fechado de Três Lagoas, os internos e internas trabalham diariamente para suprir demandas locais do Hospital Nossa Senhora Auxiliadora, produzindo aventais, máscaras e gorros.

Para a diretora da unidade feminina, Leonice Guarini, poder de alguma forma contribuir traz certo alento à massa carcerária. “É muito gratificante participar dessa iniciativa, as internas ficaram muito satisfeitas em fazer algo importante para ajudar nesse momento que a humanidade está passando”, declara.

Presídio de Bataguassu

Conforme a diretora de Assistência Penitenciária da Agepen, Elaine Arima Xavier Castro, há intenções de expandir esse trabalho para outras unidades penais do Estado. A Agepen já possui produção também nos presídios de Dourados e Bataguassu, nessa unidade, por exemplo, um servidor penitenciário está orientando os internos na costura de máscaras, e os materiais para a fabricação  estão sendo doados pelo comércio local e da cidade de Santa Rita do Pardo, graças à mobilização da direção do presídio.

“Estamos viabilizando parcerias também para iniciar oficinas em unidades penais de Corumbá, Ivinhema,  Ponta Porã e Rio Brilhante”, informa. Conforme a diretora, pelo menos cerca de 50 internos deverão estar envolvidos nesses trabalhos e ainda não há uma estimativa total de produção. “A intenção é que consigamos ajudar a atender as demandas necessárias”, finaliza.

À frente da organização e logística desses trabalhos nas unidades prisionais do Estado, as chefes de Divisão da Agepen, Maria de Lourdes Delgado Alves (Saúde) e Elaine Cristina Alencar Cecci (Trabalho) apontam que essas ações refletem também diretamente na reinserção social dos custodiados.

“Impactam nos cuidados com nossos privados de liberdade à medida que possibilitam mais materiais para atendê-los, ao mesmo tempo em que contribuímos para a saúde pública de forma geral. É um somatório de esforços dentro e fora do sistema prisional”, destaca Lourdes. “Essas atividades também geram ocupação produtiva e conhecimento técnico aos internos, o que auxilia no processo de ressocialização”, complementa Elaine.

Pelo trabalho, os reeducandos recebem remição de um dia na pena a cada três dias trabalhados, conforme estabelece a Lei de Execução Penal (LEP).

Veja Também

Mega-Sena acumula em R$ 10,5 milhões para próximo concurso
Contrato com empresa que varre as ruas é prorrogado por 90 dias
Fim de semana de arrumação no comércio
Confira escala médica nas UPAs e CRSs neste domingo
Prefeitura faz plantão de atendimento para tirar dúvidas sobre novo decreto
Mais de 40 mil imóveis foram vistoriados
Pacientes crônicos estão sem remédios
Imasul mantém fechado Parque das Nações
Mega-Sena pode pagar R$ 1,8 milhão hoje
Mitos e verdades sobre o consumo de cerveja