Campo Grande • 02 de dezembro de 2016 • Ano 5
OrganizaçãoIvan Paes BarbosaDiretor de RedaçãoUlysses Serra Neto

Da redação | quinta, 29 de setembro de 2016 - 10h52Pesquisadora usa gravações de voz no celular em aulas de portuguêsProposta foi realizada em 2014, na Escola Municipal Frederico Soares, em Campo Grande

Algumas salas de aula possuem até avisos na parede “Proibido usar celular”, contudo a proposta da pesquisadora Fátima Eveline Vareiro Teixeira, formada pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), no Mestrado Profissional em Letras, foi justamente inserir o aparelho como forma de ajudar no aprendizado dos alunos, durante as aulas de língua portuguesa. A docente utilizou o aplicativo de gravação de voz para que os alunos pudessem identificar possíveis erros, ao lerem e escutarem seus próprios textos.

Ela ressalta na pesquisa a necessidade de se trabalhar, além dos gêneros escritos, também os orais em sala de aula. Na pesquisa, os alunos participaram de uma sequência didática, em que a professora os acompanhava na leitura dos textos, depois eles faziam um resumo do texto lido e após isso gravavam o texto produzido utilizando o aplicativo do celular.

No decorrer da atividade foram identificadas algumas dificuldades em relação ao texto escrito, seja quanto à estrutura, coerência e grafia das palavras, ausência de acentuação, separação de sílabas ao final da margem, letras iniciais do parágrafo, entre outros. “Mas quando o aluno gravava a leitura com apoio do aplicativo de celular e analisava a oralização realizada, ele percebia suas incorreções, avaliando qual foi a falha e então fazia as correções”, disse Fátima Eveline Teixeira.

De acordo com o trabalho, que foi orientado pelo professor, Dr. Lucilo Antônio Rodrigues, a escola deve sim ensinar a norma culta padrão por meio das várias formas de manifestação, seja oral e principalmente na escrita, sem o receio de que os estudantes venham perder a identidade linguística.

“Estes textos orais são na verdade a expressão sonora do texto escrito, ofertado a partir do texto escrito. Na apresentação oral o aluno realiza a leitura do texto produzido, o que o autor Marcuschi chamou de ‘oralização da escrita’. Sob a premissa da escrita o texto oral se mostra coeso, pausado e argumentado, demonstrando a presença da norma quanto à estrutura, concordância e ideal pronúncia das palavras”, explicou.

A mestre, Fátima Eveline Teixeira, destaca que os desafios para a efetivação desta metodologia propõem mudanças quanto à proibição e a abertura para a integralização de tecnologias.

“É o ensino que deve se adequar à realidade escolar. É preciso buscar medidas que integrem e venham a somar didaticamente, despertando interesse, curiosidade e assim suplementar a aprendizagem. Pode-se dizer, que com a realização da pesquisa-ação houve avanços na aprendizagem dos alunos em relação à norma culta na escrita e na oralidade, pois é notável que os alunos têm se preocupado com a melhor forma de expressão oral e escrita”, concluiu.

A proposta foi realizada em 2014, na Escola Municipal Frederico Soares, em Campo Grande, e contou com a participação de 30 alunos do 8º ano, com a faixa etária entre 13 e 14 anos.

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