Campo Grande •20 de Novembro de 2017  • Ano 6
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Da redação | Quinta, 7 de Setembro de 2017 - 12h36Pesquisa monitora regeneração no Cerrado após desmatamentoEstudo de longo prazo que vem sendo monitorada periodicamente desde 1996

(Foto: Divulgação/UFMS)

Conhecer as espécies arbustivo-arbóreas que apresentam maior potencial para dar início ao processo de sucessão da vegetação em áreas do cerrado típico (sensu stricto), submetidas a diferentes técnicas de desmatamento, é uma das propostas da tese de Doutorado do professor Gileno Brito de Azevedo, do Câmpus de Chapadão do Sul.

Com o tema “Crescimento e produção da vegetação lenhosa estabelecida em áreas de cerrado no Brasil Central, ao longo de 27 anos, após distúrbios por desmatamento”, a pesquisa, segundo o professor, é de fundamental importância para a conservação, restauração e o manejo da vegetação do Cerrado.

Aplicado na Reserva Ecológica e Experimental da Universidade de Brasília, Fazenda Água Limpa, localizada a 35 km do Câmpus Darcy Ribeiro da Universidade de Brasília, o desmatamento foi realizado apenas em área suficiente para atender aos objetivos da pesquisa, no ano de 1988.
“A área desmatada encontra-se circundada por grandes extensões de áreas com vegetação natural do Cerrado. Desde o desmatamento em 1988 não houve novas intervenções na área, e toda a vegetação presente é resultante do processo de regeneração natural. Desde então, a área encontra-se protegida de perturbações antrópicas. Contudo, como o fogo é um distúrbio bastante comum no Cerrado, toda a área de pesquisa foi atingida por dois incêndios florestais, sendo um em 1994 e outro em 2011”, explica o professor.

Os tratamentos avaliados são T1 – Corte com motosserra + retirada da lenha; T2 – Corte com motosserra + retirada da lenha + fogo; T3 – Remoção com lâmina + retirada da lenha; T4 – Remoção com lâmina + retirada da lenha + fogo; T5 – Remoção com lâmina + retirada da lenha + 2 gradagens (24”); T6 – Corte com motosserra + retirada da lenha + fogo + destoca + 2 gradagens (24”), sendo cada tratamento composto de três parcelas com dimensões de 20 x 50 m cada.

Segundo o professor, “durante as avaliações foram mensurados todos os indivíduos lenhosos arbóreo-arbustivos com diâmetro tomado a 30 cm do nível do solo (Db) igual ou superior a 5 cm, sendo registrados o diâmetro, a altura total e a espécie botânica de cada um deles”.

Após a implantação dos tratamentos, a vegetação lenhosa arbóreo-arbustiva regenerada em 18 parcelas experimentais (área total de 1,8 hectares) já foi monitorada em oito ocasiões (1996, 1998, 2000, 2002, 2005, 2008, 2011 e 2015), permitindo assim, acompanhar as mudanças na vegetação por um período de 27 anos.

A avaliação do crescimento e produção foi realizada para as espécies mais importantes, identificadas pela análise dos parâmetros fitossociológicos e para o total da comunidade. Atualmente, as dez espécies arbustivo-arbóreas mais comuns no local são: Acinodendron pohlianum (Pixirica), Myrsine guianensis (Capororoca), Kielmeyera coriacea (Pau-santo), Qualea parviflora (Pau-terra-mirim), Qualea grandiflora (Pau-terra), Caryocar brasiliense (Pequi), Piptocarpha rotundifolia (Coração-de-negro), Dalbergia miscolobium (Jacarandá-do-cerrado), Schefflera macrocarpa (Mandiocão-do-cerrado) e Polyouratea hexasperma (Vassoura-de-bruxa). Outras espécies comuns são: Stryphnodendron adstringens (Barbatimão), Byrsonima pachyphylla (Murici), Pterodon emarginatus (Sucupira), Tachigali vulgaris (Carvoeiro), Eremanthus glomerulatus (Candeia) e Hymenaea stigonocarpa (Jatobá).

“Esta é uma pesquisa de longo prazo que vem sendo monitorada periodicamente desde 1996. Contudo, os resultados até agora obtidos indicam que a vegetação do cerrado sensu stricto apresenta baixo incremento em volume de madeira (± 2 m³/ha/ano), e que o manejo da vegetação do cerrado para extração de madeira exigiria ciclos de corte em torno de 30 anos”, expõe Gileno.

A pesquisa foi idealizada na década de 80 pela professora Jeanine Maria Felfili, mas hoje é coordenada pela professora Alba Valéria Rezende, e tem a participação de outros professores do Departamento de Engenharia Florestal da Universidade de Brasília e de alunos de graduação e pós-graduação.

“A minha participação ocorre em virtude do meu doutorado que está sendo realizado junto ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Florestais na referida universidade, sob a orientação da professora Alba Valéria Rezende”, diz Gileno.

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