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Da Agência Brasil | Sexta, 14 de Outubro de 2016 - 11h16Países de baixa e média renda concentram 90% das mortes por desastres naturaisSecretário geral da ONU afirmou que enquanto países de alta renda sofrem perdas econômicas em desastres, países de baixa renda pagam com vidas

Número de mortes no Haiti ainda pode subir, já que as equipes de resgate estão com dificuldades para chegar a vários locais mais isolados
Número de mortes no Haiti ainda pode subir, já que as equipes de resgate estão com dificuldades para chegar a vários locais mais isolados (Foto: Orlando Barria/EPA/Agência Lusa/direitos rese)

Nos últimos vinte anos, mais de 7 mil desastres naturais causaram 1,35 milhão de mortes. Mais da metade das vítimas morreu em terremotos e 90% das mortes ocorreu em países de baixa e média renda.

Os dados são do relatório Poverty and Death: Disaster Mortality 1996-2015” (Pobreza e Morte: Mortalidade em Desastres 1996-2015, em tradução livre), divulgado ontem (13), pela Organização das Nações Unidas (ONU), por ocasião do Dia Internacional para a Redução de Desastres.

O secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou ontem que, enquanto os países de alta renda sofrem perdas econômicas em desastres, os países de baixa renda pagam com vidas. "Podemos substituir os bens materiais, mas não podemos substituir as pessoas", disse o secretário, que pediu a todos os governos uma mudança de cultura de reação para prevenção.

O relatório constatou uma correlação direta entre o número de mortes em desastres e os níveis de renda e de desenvolvimento. Durante o período examinado no estudo, os países de baixa e média renda somaram mais de 1,2 milhão de mortes por desastres.

O Haiti, por exemplo, sofreu um terremoto devastador em 2010; três anos de seca relacionada ao El Niño; e, na semana passada, foi assolado pelo furacão Matthew, que, até o momento, já deixou mais de 400 mortos. Com quase 230 mil mortos ao longo dos últimos vinte anos, o país está no topo da lista de mortes relacionadas a desastres, em números absolutos.

Logo em seguida aparecem a Indonésia (182 mil), Myanmar (139 mil), China (123 mil), Índia (97 mil), Paquistão (85 mil), Rússia (58 mil), Sri Lanka (36 mil), Iraque (32 mil) e Venezuela (30 mil). Nenhum país de elevados rendimentos está entre os dez primeiros da lista.

O Brasil foi citado apenas uma vez no relatório, como uma das nações que mostraram reduções acentuadas nas mortes por inundação nos últimos 20 anos.

Sete objetivos, sete anos

Neste ano, a ONU lançou a campanha “Sendai Sete”, centrada no Marco de Sendai, para reduzir os riscos de desastres nos próximos sete anos. O Marco de Sendai para a Redução do Risco de Desastres foi adotado pelos Estados-Membros das Nações Unidas em março do ano passado e é resultado de uma série de negociações internacionais para aumentar a resiliência das nações perante desastres.

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