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18 de dezembro de 2018 • Ano 7
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MS 41 anos

Os desafios econômicos do próximo governador

Economista-chefe da Associação Comercial aponta potencialidades do Estado que podem ser exploradas

11 Out2018Valdelice Bonifácio11h11
Normann Kalmus, economista-chefe da Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (Foto: Marco Miatelo)
  • Próximo governador tem desafios pela frente no que diz respeito à economia
  • Normann Kalmus, economista-chefe da Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (Foto: Marco Miatelo)
  • (Foto: Luiz Alberto)
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  • (Foto: Marco Miatelo)
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  • (Foto: Luiz Alberto)
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  • (Foto: Marco Miatelo)
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Se estivesse diante do próximo governador de Mato Grosso do Sul, o economista-chefe da Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG) Normann Kalmus teria um conselho muito preciso para dar a ele. “É necessário planejar o desenvolvido do Estado olhando para as potencialidades da terra. Não adianta ficar com o pires na mão em Brasília. De lá não vai vir nada e tudo o que precisamos já está aqui.”

Atualmente, dois nomes disputam a chefia do Poder Executivo Estadual, o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) que busca a reeleição e o juiz federal aposentado Odilon de Oliveira (PDT). A escolha será feita pela população do Estado na votação do segundo turno das eleições no dia 28 de Outubro, último domingo do mês.

Normann Kalmus trabalhou em vários governos em Mato Grosso do Sul e afirma que a falta de visão sobre as peculiaridades locais tem atrasado o progresso do Estado. “Você pode começar essa observação pela óbvia necessidade de industrialização do couro que não avança. Nós temos um Centro de Tecnologia do Couro na Embrapa que está parado. Nosso problema não é falta de oportunidades, mas sim de projetos para desenvolvimento”, analisa.

Conforme o economista, Mato Grosso do Sul tem vantagens exclusivas que se bem exploradas podem levar o Estado a um futuro ditoso. “Nossa posição geográfica é muito favorável para a economia. Além disso, temos dois terços do Pantanal, o quarto maior rebanho do País, terra e clima favoráveis”, pontua.

Kalmus aponta que as oportunidades de melhores negócios estão no dia a dia da economia local, mas não se percebe. “Por exemplo, temos um grande consumo de salmão, por conta da produção de sushi, já que a colônia japonesa aqui é grande. Porém, a gente fica comprando o produto de São Paulo ao invés de trazermos diretamente do Chile”, cita. “Outra situação é o azeite. Poderíamos comprar diretamente da Argentina”, complementa.

Ao contrário do que se supõe, MS não é um Estado agrário do ponto de vista do Produto Interno Bruto (PIB). “A economia de Campo Grande e do Estado já é de serviços”, ressalta. Bem por isso, quem quer que esteja governando precisará buscar soluções para incrementar a economia.

Kalmus sugere aproveitar localização de Mato Grosso do Sul que é privilegiada pois está no Centro do País no caminho da Rota Bioceânica -- que liga o oceano Atlântico ao Pacífico. “Poderíamos nos tornar um grande centro de distribuição de mercadorias e produtos para o restante do País e países limítrofes”, propõe. “Tem até uma situação intrigante. O tráfico usa MS como rota para o restante do País. Isso acontece porque deve ser compensatório para o traficante usar esse trajeto. E porque o empresariado não usa? Com certeza, essa rota é vantajosa para o transporte de mercadorias também”, acrescenta.

O economista lamenta que até hoje que a Hidrovia Paraná-Paraguai seja tão pouco explorada. “Temos uma avenida que não é utilizada. Uma estrada que não tem buracos. A melhor relação de custo para o transporte de produtos é a hidrovia, em segundo aparece a ferrovia e por último a rodovia”, salienta.

A torcida de Kalmus é para que o próximo gestor não se deixe tomar pelo habitual comodismo de esperar investimentos do governo federal. “Não podemos depender de Brasília. MS não é uma prioridade para eles. Não temos grande quantidade de votos, nem importância econômica. Somos apenas 1% do PIB do País. O governante precisa ter esta consciência e abrir os olhos para o potencial que está dentro de casa e pode nos levar ao crescimento sem depender de ninguém”, acredita.

Outra sugestão de Kalmus é para que o próximo governante não negligencie o potencial turístico do Estado. “Eu estive em Portugal e em todas as pequenas cidades tem as festas locais. Isso atrai muitos turistas. O Estado poderia investir nas festas tradicionais de cada cidade do interior também”, diz.

Para ele, o funcionamento do Aquário do Pantanal – cuja construção no Parque das Nações Indígenas está paralisada – seria um marco para Capital e o restante do Estado. Ele entende que a exibição das espécies ali poderia abrir as portas para o turismo no próprio Pantanal.

Hoje, a Capital já está no mapa do turismo para negócios, o que segundo o economista, se bem trabalhando pode alavancar o setor como um todo. “O turismo de negócios é promotor do turismo de laser”, salienta. Bem por isso, é importante, segundo ele, que a Capital, seja uma vitrine à altura daquilo que o Estado tem a oferecer e, como foi mencionado, há grande riqueza à espera de ser corretamente usada.

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