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Zika Virus

Mulheres afetadas pelo Zika se mobilizam em busca de apoio e informação

"É muito importante que o pouco que a gente tenha, a gente possa doar"

10 Nov2016Agência Brasil17h39

Se por um lado as mulheres figuram como as principais vítimas do vírus Zika no país, por outro elas emergem como líderes e empreendedoras de iniciativas de apoio. Seja na internet ou em associações, as mães de bebês com microcefalia vêm se unindo em redes de solidariedade para se proteger, informar e amenizar as consequências da epidemia. Nesta sexta-feira (11) completa um ano desde que o Ministério da Saúde decretou a epidemia do vírus Zika como Situação de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional.

A mobilização começou por aquelas que foram afetadas diretamente pelo vírus: as mães. Juntas nos corredores de hospitais, elas compartilham suas vivências e se unem pela garantia de direitos. No Hospital Municipal Dom Pedro I, em Campina Grande (PB), salas antes ocupadas para fins médicos, agora estão cheias de doações de fraldas, latas de leite, roupas e calçados infantis. “O que a gente tem feito aqui desde o começo foi encampar essa dor e essa angústia dessas mães. Então, independente da especialidade, todo mundo é meio que assistente social e psicólogo”, conta Adriana Melo, especialista medicina fetal.

A roda de psicologia é um dos momentos mais aguardados pelas mães que frequentam a unidade. Depois das sessões de fisioterapia dos filhos, elas tomam café da manhã e conversam sobre seus anseios. O momento de troca de experiências é seguido da sessão de terapia, em que elas são conduzidas por uma psicóloga a pensar nas mudanças de suas vidas.“Todo aprendizado humano ocorre num processo coletivo. Seja troca de conhecimento, seja de afeto. O grupo tem um potencial enorme de transformação. A gente aposta nessa técnica para que elas possam realmente perceber que não estão sozinhas nessa luta, que estão junto com outras mulheres que estão vivendo algo parecido. ”, explica a psicóloga Jaqueline Ramos Marinho.

Um dos focos do trabalho é ressignificar a maternidade para essas mulheres, que em grande parte descobriu a microcefalia no pós-parto. “Elas precisaram fazer toda uma desconstrução de uma maternidade idealizada para substituir por uma maternidade real. É um trabalho árduo. A gente percebe que elas conseguiram dar outro sentido à maternidade, transformando uma situação que é tão difícil, em algo positivo. Não mais olhar o filho como uma criança que possui uma deficiência, mas como uma criança que tem também potencial de transformação”, comenta a psicóloga.

Transformar a dificuldade em algo produtivo foi o que fez Jéssica de Jesus, mãe de Ícaro, um dos bebês com microcefalia de Salvador (BA) atendido no Centro de Reabilitação da Irmã Dulce. Antes de ser mãe, ela já desenvolvia um trabalho social realizado junto ao bloco de carnaval “Comanches do Pelô”, com foco em ajudar crianças com algum tipo de deficiência. Jéssica e o marido perderam o emprego, mas ficou a experiência de mobilização. A partir da própria vivência das mães ao seu redor, começou a mobilizar os blocos de carnaval de Salvador para arrecadar fraldas e leite nos shows. “O nosso foco principal são as mães que fazem tratamento de fisioterapia com seus filhos aqui. Então, é muito importante que o pouco que a gente tenha, a gente possa doar”, diz.

A iniciativa foi reconhecida pela direção do hospital e por vários empresários da cidade. Jéssica ainda tem apoiado as mães para que elas procurem, junto à prefeitura ou mesmo no SUS, o atendimeno adequado. “O sonho que eu tenho agora é de ver a felicidade das mães, independente da situação que está acontecendo”, revela Jéssica.

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