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24 de fevereiro de 2020 • Ano 9
Diretor de RedaçãoUlysses Serra Netto
Caso John John

MP afirma que 'sintonia geral' do PCC no estado está entre julgados

Segunda etapa de julgamento de integrantes de facção criminosa é realizada no Fórum da Capital

13 Fev2020Ana Lívia Tavares16h58

A segunda etapa do julgamento dos integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital), Gabriel Rondon da Silva, o “Biel”; Elionai Oliveira Emiliano, o “Coringa”; Tiago Rodrigues de Souza, o “Sincero” e Leonardo Caio dos Santos Costa, vulgo “Apolo” começou pouco depois das 9h da manhã desta quinta-feira (13), no Tribunal do Júri em Campo Grande, e após horas de debate entre a acusação e defesa, ainda não há um veredito. Houve réplica do Ministério Público Estadual e tréplica da Defensoria Pública na tentativa de convencer os jurados. 

Na primeira etapa do julgamento, ontem (12), quando os réus foram interrogados, "Biel" assumiu ter sequestrado e decapitado John Hudson dos Santos Marques, conhecido como “John John”, em fevereiro de 2018, para se vingar da morte de um primo e disse que teve o auxílio de Maycon Ferreira dos Santos, conhecido como “De Menor” que será julgado separadamente, e Elionai Oliveira Emiliano, o “Coringa”. Livrando a culpa de Tiago Rodrigues de Souza, conhecido como “Sincero” e Leonardo Caio dos Santos Costa, o “Apolo”. Versão diferente da apresentada na delegacia durante a investigação e no processo. 

No início da manhã desta quinta-feira, nesta segunda fase do júri, a promotoria apresentou aos jurados a argumentação de que, na verdade, "Sincero" e "Apolo", seriam lideranças do PCC no estado e teriam gerenciado o crime por a vítima ser de uma facção rival, o CV (Comando Vermelho). 

Segundo o promotor Douglas Oldegardo, a motivação do crime não está ligada a vingança, mas a rivalidade. "Apolo" seria o "sintonia geral" da facção no Mato Grosso do Sul, ou seja, aquele capacitado e que possui uma hierarquia, sendo o representante da organização no estado. 

Ele, por ordem do PCC, recrutou membros para a execução da vítima, entre eles os réus julgados hoje. Leonardo, vulgo "Apolo", já foi condenado duas vezes por tráfico de drogas e quando foi preso pelo homicídio de "John John" estava no Paraguai. Ainda conforme a acusação, ele tinha ligação com o PCC no país vizinho. 

Já " Sincero", um paulista preso em Mato Grosso do Sul, ligado a uma quadrilha especialista em furtos de agências bancárias, estaria enfraquecido na organização devido ao vício de drogas. E, segundo o MP, teria sido recrutado por "Apolo" para fotografar a cabeça decapitada da vítima e enviar as lideranças no presídio, ganhando "moral" novamente. 

"Gabriel está protegendo os dois pilares, dois homens fortes do grupo, e carregando para si a culpa. Um batismo para que ele se torne irmão na facção. Por isso, "Biel" participou da execução e assume, livrando os principais", disse o promotor. 

Para o defensor público, Rodrigo Stochiero, não há provas suficientes no inquérito que comprovem a participação de "Apolo" e " Sincero" no crime. Pois, o que teria levado a polícia, na época, aos suspeitos, seria uma identificação dos próprios presos, como "Biel" e não as testemunhas do processo. 

Entre os réus, Elionai, acusado de decapitar a vítima, teve uma defesa particular. O advogado Alex Viana de Melo, manteve a mesma linha de defesa de Stochiero e condenou a falta de provas no processo. Ao tribunal do júri, ele alegou que o cliente é inocente e que não seria o "Coringa" citado pelas testemunhas como um homem alto, negro, tatuado. "Elionai tem 1,60 de altura. Como ele pode ter sido reconhecido com a descrição das testemunhas? Apenas Gabriel o reconheceu e na delegacia", disse o advogado. 

Versões opostas - Na delegacia, "Biel" afirmou que "Apolo" participou do cárcere da vítima e comandou o julgamento do "Tribunal do Crime" junto com outros membros do PCC e "Sincero" forneceu a arma do crime. Porém, a versão apresentada foi modificada no júri. Os réus atribuíram as confissões iniciais a tortura que teriam sofrido na delegacia, sendo pressionados. 

No entendo, durante a réplica, o promotor foi enfático ao explicar para os jurados sobre o funcionamento da facção criminosa. "Nesses processos sempre há uma dificuldade por falta de provas, já que é um crime sem testemunhas. Porém, eles ( membros do PCC) têm uma técnica padrão, seguem um manual, de confessar o crime quando é preso e mudar a versão alegando tortura", explicou Oldergado. 

Denúncia - Segundo a denúncia, na noite de 14 de fevereiro, depois de ficar em um cativeiro no bairro Mário covas e ser julgado, “John John” foi levado a estrada vicinal, na saída para Terenos, na BR-262 e morto com dois tiros na cabeça, em seguida decapitado. Os integrantes da facção ainda enviaram fotos da cabeça da vítima para membros do PCC dentro do presídio. 

Os integrantes do “Tribunal do Crime” foram identificados no decorrer do processo, presos entre os meses de abril e junho de 2018.

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