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Meio Ambiente

Monitoramento por GPS protege capivaras na Capital

Quinze animais que habitam parques da cidade já receberam colar de monitoramento

27 Nov2017Valdelice Bonifácio14h00
Capivaras andam sempre em grupo e passaram a ser monitoradas por GPS (Foto: Marco Miatelo)
  • Capivara que vive no Lago do Amor recebeu o colar com GPS; com o equipamento possível monitorar o deslocamento do grupo
  • Capivaras andam sempre em grupo e passaram a ser monitoradas por GPS (Foto: Marco Miatelo)
  • Várias placas foram instaladas para evitar atropelamento de animais (Foto: Marco Miatelo)
  • (Foto: Marco Miatelo)
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A presença de animais silvestres em ruas e avenidas movimentadas de veículos é comum em Campo Grande. Bem por isso, estes bichos sempre estiveram sujeitos a atropelamentos. Para evitar acidentes, capivaras da Capital estão sendo monitoradas por GPS, num trabalho desenvolvido pelo setor de Ecologia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). 

Por enquanto, 15 animais que habitam parques da cidade estão ultilizando o colar com GPS. Os sinais enviados via satélite chegam aos computadores da universidade, por onde os estudiosos monitoram o deslocamento das capivaras. "O monitoramento torna possível saber quais áreas estes animais ocupam e como, por onde passam e quais vias atravessam", relata o professor da UFMS, Luiz Gustavo Oliveira Santos, especialista em populações de animais silvestres.

As informações obtidas com o monitoramento são repassadas ao Ministério Público Estado, MPE, que solicita a colocação de placas e até radares nas vias onde as capivaras circulam. A sinalização é uma forma de deixar os motoristas mais atentos e assim evitar acidentes. A qualquer hora do dia as capivaras atravessam o asfalto,  o que exige atenção dos condutores.

A Avenida Senador Filinto Muller, em frente ao Lago do Amor, onde vivem 150 capivaras, já recebeu várias placas amarelas alertando os motoristas para a presença dos animais. O mesmo deverá ocorrer com outras vias à medida que os dados do monitoramento com GPS forem repassados à prefeitura.

O trabalho de monitoramento das capivaras pela UFMS começou em 2015. Vários animas têm brincos nas orelhas que contém informações sobre os animais já examinados por especialistas. Porém, esta é a primeira vez que se rastreia o deslocamento dos bichos. "Esse trabalho, além de previnir atropelamentos, trouxe informações importantes sobre o comportamento dos animais", relata o professor.

A quantidade de capivaras existentes em Campo Grande é desconhecida pelos estudiosos. Além dos parques, elas habitam todos os rios e córregos da cidade sempre em grupos de tamanhos variados. Apenas a população dos parques é estimada. Além das 150 no Lago do Amor, há 350 no Parque das Nações Indígenas, 35 no Parque do Sóter e 50 no Anhanduí. 

Capivaras saudáveis - As capivaras de Campo Grande não apresentaram problemas de saúde nos exames realizados pelos pesquisadores da Universidade. Por enquanto, está descartada a presença do vírus da febre maculosa, também conhecida como febre do carrapato, doença que pode ser letal se transmitida ao homem.

Recentemente, o temor da doença levantou a possibilidade de castração dos animais como forma de controlar a população de capivaras. O assunto foi tema de debate na Câmara Municipal de Campo Grande, liderado pelo vereador Veterinário Francisco Gonçalves de Carvalho, do PSB, o primeiro a sugerir que os bichos fossem castrados.

O professor da UFMS participou das discussões e esclarece que os exames de sangue feitos por amostragem mensalmente não encontraram nenhum animal doente. Além disso, ele explica que castração ou vazectomia não são procedimentos eficientes. 

"Isso não funciona. Se você castra o macho alfa que é quem comanda as cópulas no grupo, logo outro se levantará para a função. Além dos mais, o procedimento de castração é muito caro. É uma prática inviável. Por enquanto não há riscos para a saúde humana", apontou.

Apreciar à distância - Há semanas, uma cena tem chamado a atenção no Lago do Amor. As capivaras se aglutinam em torno da garaparia de onde recebem pedaços de cana para alimentação. O dono do negócio Ramiro de Freitas dos Santos, 76 anos, relata que distribui cana às capivaras todos os dias. "Elas já se acostumaram. Eu dou cana na boca delas. São muito mansinhas", relata.

O simpático garapeiro está no local há cerca de 60 dias e o gesto dele em relação às capivaras já tem sido copiado por alguns clientes e até crianças desejam se arriscar perto dos bichos. A intenção de Ramiro em alimentar os animais pode ser boa, mas é errada, segundo o professor da UFMS. 

"Essa alimentação pode fazer mal aos animais. O açúcar pode deixar as capivaras obesas, com diabetes, cáries nos dentes, problemas no coração e outros males", alerta o professor. "Além disso, elas estão associando o ser humano à comida, o que é muito perigoso. Dar alimento na boca destes bichos é arriscado. O dente deles é uma navalha pode arrancar os dedos de alguém", completa.

O caso já foi relatado à prefeitura que deverá orientar o dono da garaparia assim como demais ambulantes do local. "A recomendação de sempre é admirar os animais à distância", ensina o professor.

Projeto Quapivara - As informações obtidas no monitoramento feito pelos pesquisadores da Universidade Federal são uma ajuda às ações do Projeto Quapivara da procuradora de Justiça e Coordenadora do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça do Meio Ambiente (CAOMA), Marigô Regina Bittar Bezerra.

O projeto prevê várias ações para evitar o atropelamento dos animais tais como instalação de placas sinalizadoras e faixas nos locais com possibilidade de passagem de animais silvestres urbanos; conscientização dos condutores dos veículos para que reduzam a velocidade e permitam a travessia segura dos animais; divulgação de lembretes dos cuidados que a sociedade deve ter no trânsito e na preservação do meio ambiente.

Conforme a procuradora, futuramente, o projeto irá às escolas de Campo Grande para sensibilizar os futuros motoristas e motociclistas para a questão. O nome Quapivara remete aos quatis e capivaras, “animais silvestres que convivem com a população em regiões habitadas e de tráfego e por isto estão sujeitos a atropelamentos”. São parceiros do projeto Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Semadur), Parque das Nações Indígenas, Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) e Polícia Ambiental.  

Denúncias da população - A população de Campo Grande também pode colaborar com o Projeto Quapivara repassando ocorrências ao MPE. Ao avistar um animal atravessando uma via pública ou que tenha sido atropelado, basta enviar um whatsapp para o celular 67-98478-2014 com a foto e a localização. Esta informação vai ajudar a gerar dados para a estimativa do número de animais que são mortos ou atropelados, como também dos pontos da cidade mais propensos a este tipo de acidente.

Há também o Disk Atropelamento em que o cidadão fala direto com a Polícia Militar Ambiental pelo telefone fixo 67 3357-1500. A PMA dará assistência ao animal. Em caso de morte, o órgão entrará em contato com a concessionária Solurb para recolher o corpo, e em caso de animal ferido, o encaminhará para a reabilitação no Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS).

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