Campo Grande •17 de Novembro de 2017  • Ano 6
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Da redação | Terça, 5 de Setembro de 2017 - 09h44MIS abre Mostra de Cinema com filme sobre as desigualdades sociais na AlemanhaMostra de Cinema Alemão vai até quarta-feira, sempre às 19 horas

Foi aberta na noite desta segunda-feira (4.09), no auditório do Museu da Imagem e do Som, a Mostra de Cinema Alemão, com o filme “Die fetten jahre sind vorbei (Edukators)”, de 2004, do diretor Hans Weingartner. O filme narra a história de jovens que acreditam que podem mudar o mundo. Eles se auto-denominam “Os Educadores”, rebeldes contemporâneos que expressam sua indignação de forma pacífica: eles invadem mansões, trocam móveis e objetos de lugar e espalham mensagens de protesto.

A crítica social, aliás, é a tônica de toda a mostra, que tem curadoria de Benjamin Möck e é realizada em parceria com a Berlin Idiomas. 
http://www.fundacaodecultura.ms.gov.br/cinema-alemao-exibe-dilemas-contemporaneos-em-mostra-gratuita-no-mis/) apresentam reflexões sobre a situação política, social e econômica na Alemanha atual. “Os alemães são críticos deles mesmos, não gostam muito de olhar para fora. Esse ‘lance’ de você seguir uma ideologia é muito forte, eles têm esse sentimento de arrependimento e prevenir para que não aconteça de novo”, diz, com relação à Segunda Guerra.

Para Benjamin, que é alemão de nascimento, a Mostra é uma oportunidade de as pessoas descobrirem uma perspectiva nova de como as coisas aconteceram na Alemanha. “Teve um jogo de como foi feito, a gente não se dá conta de que o sistema faz mal para a sociedade. As ferramentas para mudar isso são cada vez mais difíceis de alcançar. Hoje a gente vive uma democracia, que não é tão democracia assim. Você elege um político mas ele não consegue fazer tudo que promete porque é parte de um sistema de partidos”.

Os estudantes Breno Mandetta, de Odontologia, Caio Hikaru Ishii e Aline Lemos, de Psicologia, ficaram sabendo da Mostra pelas redes sociais e combinaram de vir juntos. Caio estudou alemão na época em que era estudante de Engenharia. Ele já esteve na Alemanha com Breno. “Achei as pessoas mais frias. Fomos no inverno, quase não tinha gente na rua. Visitando os monumentos vi um clima muito pesado, como eles veem o que aconteceu com a Segunda Guerra, as tragédias que aconteceram. Os monumentos são para lembrar aquilo. Indiferença eles não têm”, diz Caio. “As pessoas eram respeitosas, mas com tristeza”, completa Breno.

O casal Luciana Pacheco, psicóloga, e Rudi Laps, professor de Biologia, são de Blumenau e moram em Campo Grande há sete anos. Eles são amantes do cinema europeu em geral. “Em geral gosto bastante, o cinema alemão foge um pouquinho do convencional, o que eu gosto neles é que o filme é baseado no que você está vendo, é uma coisa muito real, não tem efeitos especiais, você consegue ver a realidade nesses filmes”, diz Rudi, que é neto de alemão.

Luciana conta que em Blumenau, onde foi criada, as pessoas têm conhecimento do idioma alemão por conta do grande número de imigrantes. “Meu avô dizia que quem mora em Blumenau e não fala alemão não é brasileiro. Eu recebi um intercambista de Frankfurt que ficou um ano e meio lá em casa. Eu tive convívio com alemães e por causa do comércio, muitos lá falam o idioma”.

Para o casal, a iniciativa do MIS em abrir espaço para filmes fora do circuito comercial é fundamental. “A gente não tem essa opção nos cinemas, aqui sempre que pode a gente vem. Aqui são mostrados filmes de arte”, finaliza. 

A Mostra de Cinema Alemão vai até quarta-feira, sempre às 19 horas, no Museu da Imagem e do Som, que fica no Memorial da Cultura: avenida Fernando Corrêa da Costa, 559, 3º andar. A entrada, como sempre, é franca.

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