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Portal R7 | Domingo, 14 de Maio de 2017 - 13h39Mães ainda enfrentam obstáculo para achar empregoSer mãe no Brasil pode ser impedimento no mercado de trabalho

(Foto: Reprodução/Portal R7)

Dia das Mães é comemorado neste domingo (14) e, em pleno ano de 2017, ainda há empresas que deixam de contratar mulheres com filhos. Ou seja, ser mãe no Brasil pode ser impedimento no mercado de trabalho. Anúncios para vagas de empregos que especificam que a mulher não pode concorrer a vagas de emprego por terem filhos ainda são uma realidade enfrentada pelas mulheres.

Para entender como lidar com essa situação, o R7 conversou com especialistas e mães, que querem somente o mesmo tratamento que os homens na carreira.

O estudo Mulheres e o Mundo Corporativo, publicado pela Robert Half em abril de 2017, mostra que, depois de retornarem do período de licença-maternidade, 53% das mulheres reassumem suas atividades integralmente, enquanto 27% têm dificuldades de voltar ao cargo. Os outros 20% não foram especificados pela pesquisa, embora existam mulheres desligadas logo após o período de estabilidade. Segundo especialistas, é comum que as mulheres tenham menos oportunidades de ascensão profissional depois da maternidade.

A CEO da empresa B2 Mammy, Danieli Junco, explica que a maternidade dentro do mercado de trabalho ainda é um tema complexo. Para ela, existem alguns motivos que fazem com que as mães percam os empregos: a falta de uma rede de apoio para o cuidado dos filhos, os RHs das empresas que podem achar que a mulher sempre focará mais na família ou a opção da própria mulher não querer voltar para uma rotina pouco flexível.

— Muitas empresas acreditam que a prioridade e a produtividade da mulher mudam depois da maternidade. Às vezes eles não deixam nem a gente tentar.

A empresária afirma que existem muitas “mulheres inteligentes com o dinheiro parado”. Ela vê o empreendedorismo como uma solução para geração de renda e, ao mesmo tempo, obtenção de uma rotina flexível para poderem se dedicar aos filhos, caso seja o desejo da mulher. 

— Quando eu fiquei grávida, eu comecei a pensar num propósito maior do que meu filho para motivar o trabalho. Eu queria que as mães tivessem essa possibilidade.

A gerente de divisão da Robert Half Maria Sartori afirma que a produtividade da mulher depois da maternidade aumenta consideravelmente. Ela explica que quando a mulher consegue montar uma estrutura que atenda às necessidades dos filhos, os resultados conquistados pela funcionária nas empresas são ótimos.

— Nós, como recrutadores, vemos a mulher pós-maternidade como uma pessoa com comprometimento, qualidade de entrega e produtividade. Ela tende a ser mais efetiva do que antes. Como o tempo da mulher é extremamente valioso, ela costuma estar muito focada nas atividades.
A gerente de relacionamento com o cliente da Catho, Katia Garcia, complementa que a maternidade traz novas habilidades para as funcionárias, como lidar melhor com o tempo para executar atividades.

— Ela passa a ter que administrar uma série de coisas que ela está acostumada e outras novas, mas o dia continua tendo 24 horas.

A especialista da Robert Half aponta que cada empresa enxerga as mães de formas diferentes. Segundo ela, há uma tendência de que a localização geográfica e o porte da empresa sejam características que determinem o comportamento no mercado.

— Empresas europeias e norte-americanas acabam sendo mais igualitárias nas questões de gênero do que as nacionais e asiáticas.

Dia a dia das mães - A publicitária Beatriz Amano engravidou por acidente e, mesmo depois da licença-maternidade, resolveu continuar na empresa onde já trabalhava. Ela passou cerca de 5 meses em casa com o filho e, ao voltar para o ambiente de trabalho, ficava 12 horas por dia longe da criança, somando tempo de trabalho e deslocamento.

Beatriz conta que, por mais que é bem tratada onde trabalha, sente que os colegas a veem de forma diferente depois da maternidade. Segundo ela, a única diferença efetiva é que hoje tende a se ausentar mais do que antes, por necessidades específicas do filho.

A publicitária afirma que, depois da maternidade, passou a se cobrar muito mais e a entregar um trabalho tão bom — ou melhor — do que antes. A maternidade também trouxe uma capacidade de perceber pequenos atos machistas do dia a dia, que antes passavam despercebidos.

— Entre colegas de trabalho, eu não sou mais a “Bia publicitária”, eu sou a “Bia mãe”.

Pensar em parar de trabalhar, no entanto, é um pensamento constante para Beatriz. Segundo ela, há diversos fatores externos que influenciam para que pense dessa forma, mas a rede que tem para cuidar do filho ajuda bastante — o marido trabalha em casa e o bebê está matriculado em uma creche da prefeitura de São Paulo.

— Não só por causa dele, mas por tudo em volta. Eu perco muito tempo no trajeto. Eu tenho um horário flexível, mas eu fico muito tempo longe dele.

Ao contrário de Beatriz, a advogada Thais Perico Gomes optou por não continuar a carreira no universo corporativo depois do nascimento de seu segundo filho — uma menina de quase dois anos. Durante a primeira gestação, Thais tinha 21 anos e trabalhava como estagiária em um escritório de advocacia. A maternidade fez com que, ao final do contrato, ficasse desempregada, mas logo se reinseriu no mercado.

Na segunda gestação, 11 anos depois da primeira, Thais tinha um bom cargo, com um salário satisfatório, mas queria muito poder se dedicar aos filhos e à maternidade. Depois de tirar os 120 dias de licença-maternidade previstos pela CLT mais alguns dias de férias, a advogada não viu sentido em voltar para aquela rotina.

— Eu queria muito um outro filho, fazia parte do meu plano de vida. Claro que eu não estou deixando de reconhecer um privilégio meu. Houve um planejamento para eu ficar em casa.

Ao tomar esta decisão, Thais saiu do antigo emprego e decidiu que tentaria uma recolocação profissional quando a pequena completasse um ano. No entanto, não conseguiu uma vaga quando esperava e, por isso, começou a empreender. Hoje Thais é sócia de um escritório de advocacia especializado no atendimento jurídico a mulheres e pessoas LGBTs.

A advogada explica que, para quem era “workaholic” (pessoa que trabalha muito), ficar em casa foi complicado. Ela deixou uma jornada de trabalho de nove horas, além do tempo de deslocamento para permanecer em casa e conseguir seguir um dos seus objetivos, que era desenvolver um plano de amamentação.

Thais conta que, ao se tornar dona do próprio negócio, o principal ponto negativo é não ter um salário fixo todos os meses. No entanto, afirma ter feito uma escolha acertada porque a satisfação pessoal e profissional é ainda maior do que antes. 

— Tem gente tem aquela coisa de querer ficar só em casa. Eu não, eu gosto de trabalhar, mas eu gosto muito de ter o controle da minha jornada. Poder fazer tudo me agrada muito.

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