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Valdelice Bonifácio | Quarta, 10 de Maio de 2017 - 20h30Mãe tenta transferir condenado por terrorismoAcusado de liderar grupo terrorista, Leonid El Kadri faz greve de fome em presídio

  
Advogada Zaine El Kadri prepara habeas corpus a favor do filho Leonid El Kadri, condenado por terrorismo (Foto: Marco Miatelo)
  • Advogada Zaine El Kadri prepara habeas corpus a favor do filho Leonid El Kadri, condenado por terrorismo
  • Leonid El Kadri de Melo foi condenado a 15 anos de prisão (Foto: Reprodução/Facebook)
  • “Eles foram condenados pela virtualidade”, considera Zaine El Kadri (Foto: Marco Miatelo)
  • Quatro condenados, incluindo Leonid El Kadri, permanecem no Presídio Federal (Foto: Roberto Okamura/Arquivo Diário Digital)
  • Suspeitos de terrorismo foram transferidos para Campo Grande em julho de 2016 (Foto: Agência Brasil)
  • (Foto: Marco Miatelo)
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  • (Foto: Marco Miatelo)
  • (Foto: Marco Miatelo)

A advogada Zaine El Kadri está na luta pela sobrevivência e liberdade do filho Leonid El Kadri de Melo, condenado a 15 anos de prisão, por supostamente planejar atos terroristas durante as Olímpiadas do Rio de Janeiro. O rapaz está no Presídio Federal de Campo Grande desde 27 de julho de 2016. Conforme a mãe, ele faz greve de fome há 43 dias, já teve ao menos quatro desmaios e, debilitado, está em uma cadeira de rodas. “Hoje ele é considerado um suicida por causa da greve de fome e está sobrevivendo à base de soro que dão para ele”, relata Zaine.

Com base nisso, ela prepara um pedido de remoção dele para outro estabelecimento no qual a família possa visita-lo com mais frequencia e ajudar na nutrição do rapaz. Outra possibilidade é mover um habeas corpus, solicitando que Leonid responda pelo crime em liberdade, benefício que outros envolvidos na suposta conspiração já conseguiram. Mesmo após a condenação, ele segue negando participação no caso.

Zaine que mora no interior de Mato Grosso está instalada em Campo Grande desde o mês de março deste ano para dar assistência ao filho. A última vez que visitou o Leonid no Presídio Federal foi em 6 de maio, quando, aliás, deu a ele a notícia da condenação que saiu no dia 4. “Ele colocou as mãos na cabeça e disse: como assim? Eu não fui pego em flagrante e nenhuma prova foi apreendida comigo”, relembra a mulher.

Leonid e outros sete homens foram condenados com base na Lei Antiterrorismo. Contudo, Leonid teve a maior condenação por ser considerado o líder da conspiração. Segundo Zaine, ele afirma que não conhece e que jamais conversou com os demais presos na Operação Hashtag. A defesa alega que dados de Leonid foram usados indevidamente no perfil de Abu Khalled que suspostamente aliciava jovens para prática de terrorismo.

Leonid é muçulmano, mas conforme a mãe e advogada, não tem qualquer ligação com grupos extremistas e é contra o terrorismo. A greve de fome foi a forma que ele encontrou para reivindicar a audiência de custódia. Leonid pediu ainda a presença dos Direitos Humanos e OAB-MS, que não compareceram.  O detento reclama de não ser ouvido pelas autoridades. Em 13 de dezembro, ele esteve na presença de um juiz durante interrogatório, mas ficou em silêncio. “Ele acreditava que já estava condenado e, além disso, teve medo que qualquer palavra dita por ele pudesse complicar a situação dos demais presos”, afirma a advogada.

Além de Leonid, outros três homens permanecem no Presídio Federal, Alisson Luan de Oliveira, condenado a seis anos e 11 meses de reclusão, Fernando Pinheiro Cabral (cinco anos e três meses) e Luis Gustavo de Oliveira (seis anos e três meses).  Leonid e Luis Gustavo são considerados de alta periculosidade.

Os outros quatro condenados teriam conseguido o direito de responder o processo em liberdade. “Eles disseram ao juiz que era tudo uma brincadeira e que deixariam de ser islâmicos. Por isso, foram liberados”, acredita Zaine. Leonid jamais confirmou participação na suposta conspiração, nem mesmo de brincadeira.

Ao decretar a condenação de Leonid, o juiz Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Federal em Curitiba, o qualificou como “líder máximo” entre os envolvidos e o condenou pelos crimes de promoção de organização terrorista, recrutamento com o propósito de praticar atos de terrorismo e associação criminosa. A pena total foi de 15 anos, 10 meses e cinco dias de prisão, sendo 13 anos, oito meses e 15 dias de reclusão relativos à prática de crime equiparado a hediondo, com regime inicial de cumprimento da pena fechado.

“Sua culpabilidade deve ser considerada como bem acima da normal, levando-se em conta a quantidade, frequência e natureza das suas manifestações de apoio à organização terrorista. É eloquente, possui conhecimento da língua árabe e de fragmentos importantes dos ensinamentos da religião muçulmana. Mostrou-se o tempo todo impositivo perante os demais”, descreveu o juiz.

Apenas virtual – De acordo com as investigações, de março a julho de 2016, os condenados promoveram a organização terrorista Estado Islâmico por meio de publicações em perfis das redes sociais Facebook, Twitter e Instagram. Eles teriam usavado grupos fechados do Facebook para compartilhar material extremista e planejar atentados em território brasileiro.

“O conteúdo obtido a partir do afastamento judicial dos sigilos de dados telemáticos e telefônicos se situa entre a exaltação e celebração de atos terroristas já realizados em todo mundo, passando pela postagem de vídeos e fotos de execuções públicas de pessoas pelo Estado Islâmico, chegando a orientações de como realizar o juramento ao líder do grupo ['bayat'], e atingindo a discussão sobre possíveis alvos de ataques que eles poderiam realizar no Brasil, a estrangeiros durante os Jogos Olímpicos, homossexuais, muçulmanos xiitas e judeus”, escreveu o juiz na sentença.

Porém, conforme Zaine, não constam dos autos do processo provas materiais de que a suposta conspiração fosse uma ameaça verdadeira. “Eles foram condenados pela virtualidade”, considera.  A advogada afirma que as transcrições das conversas trocadas entre os participantes, por aplicativos de celular, falam sobre o Islã, mas não sobre atos terroristas.

Ela admite, contudo, a existência de um e-mail que se refere ao recrutamento para atos terroristas. Mas, a advogada explica que a mensagem foi localizada em Angola. “Isso não pode ser considerado prova em território brasileiro”, argumenta.

Transferência - Zaine está muito preocupada com a saúde do filho. Leonid está atualmente na cela 1 da enfermaria do Presídio Federal. A advogada reclama de dificuldades para ter acesso ao relatório médico do filho. Segundo ela, o presídio disponibiliza apenas uma síntese de poucas linhas, sem detalhar a situação clínica.

Um dos relatórios, de apenas quatro linhas obtido por ela, apontou que o detento passou de 89 para 63 quilos desde a data da prisão. “Estou na luta para preservar a dignidade humana e estou tendo dificuldades (....) Hoje, ele é um frágil da justiça”, reclama. Zaine prepara um pedido de transferência do filho. Ela deseja que Leonid seja levado para um local onde os familiares possam ter mais acesso a ele e contribuir com sua alimentação.  “Se não remover, ele vai morrer lá dentro (do Presídio Federal)”, teme a mãe.

Enquanto isso, Zaine traz a família para perto do filho em Campo Grande. O pai de Leonid e um irmão dele que estava nos Estados Unidos já estão na Capital para tentar auxiliar o rapaz.

Para Zaine, o roubo dos dados do perfil de Leonid não ocorreu por acaso. Ele foi escolhido por ser muçulmano e ter condenações anteriores pelos crimes de homicídio e assalto, praticados no passado pelos quais já esteve preso. Quando detido na Operação Hashtag, ele estava em regime aberto. “Era um perfil convincente para uma liderança dessa natureza”, avalia.

Leonid se converteu ao Islã quando cumpria pena no Tocantins em 2003. Ele tem um filho de cinco anos que está com a mãe no interior do Mato Grosso.


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