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19 de outubro de 2018 • Ano 7
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MS 41 anos

Instituto é o endereço da história de MS

Criada há 40 anos, instituição cultural na Capital preserva farto material sobre a criação do Estado

11 Out2018Valdelice Bonifácio09h12
Jornais antigos estão à disposição para pesquisa no Instituto Histórico (Foto: Luiz Alberto)
  • A historiadora Maria Madalena Dib Mereb Greco mostra a bandeira confeccionada em 1977 pelos divisionistas
  • Jornais antigos estão à disposição para pesquisa no Instituto Histórico (Foto: Luiz Alberto)
  • (Foto: Luiz Alberto)
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A história de Mato Grosso do Sul que completa 41 anos de criação nesta quinta-feira, 11 de Outubro, tem um endereço fixo em Campo Grande. Trata-se do Instituto Histórico e Geográfico de MS. Neste local, papéis importantes que relatam a criação do Estado são físicos e podem ser sentidos na palma da mão ou apreciados digitalmente na tela do computador. Este local guarda também a primeira bandeira confeccionada pelos divisionistas. No tecido verde de cetim, uma faixa branca destaca o nome Mato Grosso do Sul.

O Instituto existe há 40 anos. É uma instituição privada mantida em parceria com a prefeitura que cede funcionários para o local. Atualmente, são três um geógrafo, um revisor e a historiadora Maria Madalena Dib Mereb Greco que é quem guia e orienta os visitantes pelo local. A ajuda dela, aliás, é imprescindível. São tantos jornais, livros, documentos e arquivos digitais que fica difícil saber por onde começar a pesquisa.

Segundo a historiadora, o acerto digital já tem mais de 150 mil imagens históricas e cresce a cada dia. Uma importante referência para quem busca estudar a história do Estado são os jornais da época. Entre os arquivos digitalizados, há jornais que datam de 1917 e grande quantidade das décadas posteriores.

Obras raras estão à disposição dos pesquisadores. Parte do acervo foi doado por familiares de personagens ativos na história da criação do Estado tais como Vespasiano Martins – que foi nomeado para um governo dissidente em 1932 na primeira tentativa de cisão de Mato Grosso.

Também figuram entre os doadores do acervo familiares de Wilson Barbosa Martins, que governou Mato Grosso do Sul por duas vezes; José Octávio Guizzo, músico, radialista e jurista, e Paulo Coelho Machado, também jurista, jornalista, escritor e pecuarista. Essas famílias tradicionais doaram ao Instituto caixas cheias de livros, cartas, fotografias, artigos e jornais da época. Muito do que chegou ainda precisa ser catalogado.

Além da farta papelada e do acervo digital, também  está ao alcance das mãos dos pesquisadores um símbolo histórico mencionado no início deste texto: a primeira bandeira de Mato Grosso do Sul confeccionada pelos divisionistas à toque de caixa, como diz a historiadora. “Essa quem mandou fazer foi o senhor Almeidinha (fazendeiro e considerado um divisionista ferrenho). Ele fez parte da caravana que foi a Brasília acompanhar a votação da lei que criava o novo Estado em 24 de agosto de 1977”, relata Maria Madalena.

O então presidente Ernesto Geisel assinou em 11 de outubro de 1977 a Lei Complementar nº 31, que decretou desmembramento de Mato Grosso e criou MS. Contudo, vale mencionar que mesmo após a sanção da lei, a parte administrativa do novo estado permaneceu em Cuiabá. Mato Grosso do Sul só foi implantado de fato em 1979.

Os movimentos divisionistas começaram, de forma mais organizada, ainda na década de 1930. No Instituto, são muitos os documentos que relatam as reuniões da liga sul-mato-grossense. Nas atas constam nomes como Eduardo Olímpio Machado, Francisco Cavassa, Wilson Coelho, José Fragelli, João Barbosa Rodrigues, Cândido Mariano da Silva Rondon.

A Liga Sul-Mato-Grossense ou Liga Divisionista nasceu em 1934 no Rio de Janeiro, liderada por jovens do Centro Mato-Grossense de Estudantes, onde a maior parte dos alunos era composta por filhos de ruralistas do Mato Grosso.

Os relatórios elaborados pelos divisionistas com argumento pró-divisão deram subsídio para que o governo federal encaminhasse a criação do novo estado. Os documentos tratam desde as correntes migratórias até a questão econômica, considerada decisiva para o crescimento do clamor divisionista. “A questão principal da divisão foi a econômica. Dizia-se que o Sul carregava o estado do MT economicamente e não tinha os mesmos benefícios do Norte. Toda arrecadação ia para o Norte”, diz a historiadora.

Documentos encaminhados ao governo federal tem gráficos que apontam que o Sul contribuía com 75% do ICM (imposto da época) arrecadado no grande Mato Grosso. Além disso, somava-se à esta alegação o fato de que já nas primeiras décadas do século XX, a ligação com o estado de São Paulo pela antiga Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB) tornou as relações entre o Sul e Cuiabá pouco relevantes. A economia do Sul podia se desenvolver sem o Norte. Outro argumento diz respeito aos terminais telefônicos. O Sul tinha 12 mil contra três mil do Norte.

Além do rico acervo histórico, o Instituto mantém uma livraria com raridades e obras atualizadas. Todos os livros  tratam de traços históricos, geográficos ou culturais de MS. Muitos deles estão à venda por valores acessíveis.

Serviço – O Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul fica localizado na Avenida Calógeras, 3000 - Centro, Campo Grande. O horário de atendimento é das 7h às 11h e da 13h às 17h, de segunda a sexta-feira. O telefone é 3384-1654.

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