Campo Grande • 11 de dezembro de 2016 • Ano 5
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Da redação | segunda, 19 de setembro de 2016 - 13h16Governador de SP pesquisadores de MS em reunião sobre vacina contra dengueTestes já começaram em 10 centros de pesquisa e envolverão 17 mil voluntários

(Foto: Divulgação)

O governador Geraldo Alckmin participou nesta segunda-feira (19) de reunião com pesquisadores dos 14 centros de pesquisa que estão conduzindo os testes clínicos da vacina contra a dengue em todo o país. Representantes da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul estiveram presentes. No evento, Alckmin apresentou o cronograma de início dos testes clínicos da primeira vacina brasileira contra a dengue em mais quatro estados do país.
 
“Hoje estamos enfrentando este grande desafio, são anos de estudo. Última fase da 1° vacina do mundo tetravalente com dose única e contra quatro tipos de vírus, com altíssimo índice de proteção. Estamos muito otimistas”, comemorou o governador.
 
Os ensaios clínicos comandados pelo Instituto Butantan, unidade da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e um dos maiores centros de pesquisa biomédica do mundo, começam no dia 5 de outubro em Brasília (DF) e Cuiabá (MT) e no dia 19 de outubro em Recife (PE) e Belo Horizonte (MG). 
 
Os testes já começaram em 10 centros de pesquisa e envolverão 17 mil voluntários em 13 cidades nas cinco regiões do Brasil (confira abaixo a relação dos centros de pesquisa).
 
São convidadas a participar do estudo pessoas saudáveis, que já tiveram ou não dengue em algum momento da vida e que se enquadrem em três faixas etárias: 2 a 6 anos, 7 a 17 anos e 18 a 59 anos.  Os participantes do estudo são acompanhados pela equipe médica por um período de cinco anos para verificar a eficácia da proteção oferecida pela vacina.
 
A vacina do Butantan, desenvolvida em parceria com os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês), é produzida com vírus vivos, mas geneticamente atenuados, isto é, enfraquecidos. “Com os vírus vivos, a resposta imunológica tende a ser mais forte, mas, como estão enfraquecidos, eles não têm potencial para provocar a doença. A vacina deve proteger contra os quatro sorotipos da dengue com uma única dose”, explica o diretor do Instituto Butantan, Jorge Kalil.
 
Nesta última etapa da pesquisa, os estudos visam comprovar a eficácia da vacina. Do total de voluntários, 2/3 receberão a vacina e 1/3 receberá placebo, uma substância com as mesmas características da vacina, mas sem os vírus, ou seja, sem efeito. Nem a equipe médica nem o participante saberão quais voluntários receberam a vacina e quais receberam o placebo. O objetivo é descobrir, mais à frente, a partir de exames coletados dos voluntários, se quem tomou a vacina ficou protegido e quem tomou o placebo contraiu a doença.
 
Os dados disponíveis até agora das duas primeiras fases indicam que a vacina é segura, que induz o organismo a produzir anticorpos de maneira equilibrada contra os quatro vírus da dengue e que é potencialmente eficaz.
 
Nova fábrica -  A futura fábrica de vacinas do Instituto Butantan possuirá uma ampla plataforma de produção, que poderá incluir vacinas contra a raiva, dengue e zika vírus, entre outras.
 
A fábrica possui 3 mil m² e foi planejada para a produção de ate 100 milhões de doses de produto concentrado (bulk) e até 30 milhões de doses de vacina contra a dengue por ano. A unidade realizará todas as etapas de produção de uma vacina: produção viral em célula, purificação, filtração, formulação, envase, liofilização e embalagem.
 
Os investimentos na nova planta são de R$ 110 milhões, com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES).
 
Histórico da vacina contra a dengue
Em 2008, o Instituto Butantan firmou parceria de colaboração com o NIH, passando a desenvolver, no Brasil, uma vacina similar a uma das estudadas pelo instituto americano, composta pelos quatro tipos de vírus da dengue.
 
Um dos grandes avanços do Butantan no desenvolvimento da vacina foi a formulação liofilizada (em pó), que garante a estabilidade necessária para manter os vírus vivos em temperaturas não tão frias, permitindo seu armazenamento em sistemas de refrigeração comum, como geladeiras, além de aumentar o período de validade da vacina (um ano).
 
Nas etapas anteriores, a vacina foi testada em 900 pessoas: 600 na primeira fase de testes clínicos, realizada nos Estados Unidos pelo NIH, e 300 na segunda etapa, realizada na cidade de São Paulo em parceria com a Faculdade de Medicina da USP (através do Hospital das Clínicas e do Instituto da Criança) e com o Instituto Adolfo Lutz.
 
Ter a vacina desenvolvida e produzida por um produtor público nacional é uma vantagem competitiva para o Brasil, pois garante a disponibilidade do produto, permitindo a autossuficiência produtiva, além de garantir preços mais acessíveis.

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