Campo Grande •23 de Fevereiro de 2017  • Ano 5
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Valdelice Bonifácio e Mariel Coelho, especial para o Diário Digital | Quinta, 9 de Fevereiro de 2017 - 17h22Golpe do terreno: vítima relata encenação de bandidosApós ver anúncio em jornal, homem comprou terreno e perdeu R$ 40 mil

  
Vítima perdeu R$ 40 mil ao conprar terreno de golpistas; ele chegou a retirar a escritura no cartório (Foto: Marco Miatelo)
  • Vítima perdeu R$ 40 mil ao conprar terreno de golpistas; ele chegou a retirar a escritura no cartório
  • Sérgio Luiz Pires dos Santos foi preso no decorrer das investigações (Foto: Marco Miatelo)
  • Titular da Dedfaz delegado Maércio Alves Barbosa está à frente das investigações (Foto: Marco Miatelo)
  • Equipamentos usados para adulterar documentos foram apreendidos (Foto: Marco Miatelo)
  • (Foto: Marco Miatelo)

“O cartório errou, todo mundo errou e o senhor ficou no prejuízo.” Foram essas palavras que um morador de Campo Grande ouviu do Oficial de Justiça que bateu em sua porta em uma manhã de setembro de 2014, três meses após ele ter comprado um terreno no Jardim Monumenta, na Capital. Ele pagou R$ 40 mil pelo imóvel que não pertencia à pessoa que o vendeu. 

O suposto proprietário do terreno era na verdade um golpista que juntamente com outros comparsas vendia terrenos alheios em várias regiões da cidade. Um dos integrantes do bando é Sérgio Luiz Pires dos Santos, de 55 anos, pai biológico da ex-BBB Priscilla Pires, que está preso no sistema penal de Campo Grande.

O caso está sendo investigado pela Delegacia Especializada em Repressão a Crimes de Defraudações e Falsificações (DedFaz). O bando teria vendido ao menos 50 terrenos de terceiros em várias regiões da Capital. Os anúncios eram feitos na internet ou nos classificados de jornais de Campo Grande, sempre com valores abaixo do preço de mercado. Para convencer os comprados, o grupo tinha uma encenação planejada para não levantar suspeitas.

A vítima citada no início da matéria tomou conhecimento do terreno à venda no Jardim Monumenta ao ver o anúncio em um jornal e decidiu investir o dinheiro que tinha guardado. “Vi o terreno, gostei. Pedi as certidões de nada consta. O rapaz que negociava comigo informou se chamar Roberto. Ele disse que o terreno era do pai dele e que iria vendê-lo para pagar sua festa de casamento”, relatou a vítima.

Em princípio, o valor pedido era de R$ 60 mil, mas Roberto alegou que tinha pressa para vender e propôs o valor de R$ 50 mil para fechar o negócio rapidamente. O comprador aceitou. A vítima foi ao endereço do terreno e encontrou o suposto pai de Roberto, de nome José Raimundo, que chegou a mostrar-lhe a área. O homem relatou que tinha dado o terreno para o filho construir uma casa, mas que Roberto tinha decido vender e que respeitaria a vontade dele.  “Era um senhor meio barrigudo, de boa aparência e estava em uma Saveiro de cor branca”, relembra.

No dia de fechar o negócio, José Raimundo compareceu ao cartório já que o terreno estava em nome dele. Enquanto aguardavam atendimento, comprador e vendedor conversaram por cerca de 40 minutos. A vítima ligou para Roberto e avisou que o negócio estava sendo fechado e que se desse tudo certo depositaria o dinheiro no mesmo dia. Foi então, que obteve um mais um inesperado desconto. “Ele disse que deixaria o terreno pelo valor de R$ 40 mil e que era para depositar o dinheiro em uma conta bancária em nome de Rejane”, relembra.

José Raimundo que estava ao lado da vítima confirmou que Rejane era sua nora e que podia depositar o dinheiro na conta dela. “Após terminarmos no cartório, fui ao banco e transferi os R$ 40 mil para a conta da Rejane”, disse. Pouco mais de 30 dias depois, a vítima obteve a escritura do terreno no Cartório e acreditava ter comprado a área no Jardim Monumenta.

Apenas quando o Oficial de Justiça chegou em sua casa descobriu que tinha caído em um golpe.

Investigações – O titular da Dedfaz delegado Maércio Alves Barbosa está à frente das investigações. Segundo ele, já foram identificadas cinco ou seis pessoas que participavam da quadrilha. Nomes não são revelados para não atrapalhar as apurações. O bando teria aplicado golpes nos anos de 2014, 2015 e 2016. “Trata-se de uma engrenagem que vem lesando várias pessoas”, disse.

Conforme o delegado, a conduta dos envolvidos era bem orquestrada para não levantar suspeitas. Eles tinham uma encenação bem convincente, o que impedia que as vítimas duvidassem de suas boas intenções.

Sérgio Luiz Pires dos Santos, pai da ex-BBB, Priscila Pires, teria encenado ao menos uma vez ser proprietário de terreno para vendê-lo. Ele teria feito o serviço a pedido do irmão que lhe pagou para representar. Sérgio foi reconhecido pela vítima.

Ele foi preso na terça-feira passada, dia 8, em Campo Grande. Ao ser abordado no decorrer das investigações sobre a venda dos terrenos, os policiais descobriram que havia contra ele um mandado de prisão em aberto por violência doméstica e lesão corporal dolosa.  Sérgio está preso no Centro de Triagem no Complexo Penal de Campo Grande, no Jardim Noroeste.

O irmão do Sérgio é marido de uma mulher que se passou por proprietária dos 18 terrenos que foram vendido de forma ilícita. A Justiça já expediu mandado de prisão contra ela que está foragida.

Por enquanto, a Dedfaz descarta a participação de funcionários de cartórios no esquema. Conforme o delegado, existe a presunção da boa fé e, por isso, os cartórios podem ter simplesmente falhado.

Conforme o delegado, a própria população pode se prevenir desse tipo de golpe. “É conveniente que o cidadão não se contente apenas com documentos e apresentação aos corretores. É ideal buscar informações no local do terreno, com os vizinhos, por exemplo”, sugeriu.

Conforme Maércio, os documentos apresentados pela quadrilha eram verdadeiros. “Falsas eram as informações que estavam ali.” A Polícia Civil, inclusive, apreendeu ferramentas que a quadrilha usava para adulterar documentos verdadeiros, inserindo neles dados falsos como nomes, datas e fotos.


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