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23 de junho de 2018 • Ano 7
Diretor de RedaçãoUlysses Serra Neto
Caso único

Fora da UTI, bebê Yago terá mais contato com a família

Expectativa médica é que daqui pra frente menino consiga chegar aos 2 quilos

30 Ago2017Da redação18h31

Acomodado na Unidade Intermediária da Santa Casa de Campo Grande desde a manhã desta quarta-feira, 30 de agosto, o bebê Yago terá maior contato com a família, o que deverá ajudá-lo a progredir em seu quadro de saúde. Hoje com cinco meses de vida, Yago resistiu até a 27ª semana de gestação no ventre da mãe Renata Souza Sodré, 22 anos, diagnosticada com morte cerebral. Desde o parto, ele estava internado na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal.

Ao nascer, o bebê foi assumido na UTI sob a responsabilidade do neonatologista Dr. Walter Peres. Ele é chefe da Unidade e conduz o tratamento do bebê até hoje. “Estou muito feliz. Na Unidade Intermediária ele terá um maior contato com o pai, com avó e toda família. Isso é muito importante para total recuperação dele. Nossa expectativa daqui para frente é que ele consiga chegar aos 2 kg, sugar o leite sozinho e ir para casa o quanto antes”, fala emocionado. Na UTI, Yago também foi responsabilidade da neonatologista, Dra. Claudia Perez Guimarães.

Yago é exemplo de resistência para a família e médicos. Com 43.8 cm e 1,685 kg, o menino passou por momentos críticos durante o tratamento, superando infecções e até uma cirurgia cardíaca de risco elevado, tudo antes de completar seu primeiro mês de vida. A cirurgia ocorreu no dia 27 de abril para a correção do canal arterial e foi conduzida pela Dra. Aparecida Afif, cirurgiã cardíaca pediátrica.

O caso de Yago é inédito em Mato Grosso do Sul e foi marcado por troca de informações com médicos do Espírito Santo, Paraná e Portugal, onde aconteceram situações similares. Com a morte encefálica da mãe, Renata Souza Sodré, 22 anos, o nascimento do bebê era uma aposta de alto risco.

Após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC) em 27 de janeiro, Renata teve a morte cerebral constatada por dois testes clínicos e exame de imagem. Os médicos descobriram que, apesar da mãe ter partido, o feto vivia e estava na 14ª semana. Abatidos pela ocorrência, o pai, Eduardo Noronha, e demais familiares, foram surpreendidos com a necessidade de uma decisão vital naquele momento trágico. Surgia a possibilidade de manutenção do corpo da esposa até uma possível concepção prematura do bebê.

Foi assim que Yago teve seu visto no passaporte para a vida revalidado, incumbindo o quadro técnico da Santa Casa da responsabilidade de levar a diante uma gestação em condições raras e complicadas. As batalhas marcam o início da vida do bebê, e ele contou com o apoio da equipe do CTI 7, sendo a responsável por este “milagre”, Dra. Patrícia Berg Leal.

Por dois meses a médica esteve presente de segunda a domingo, atuando para que a morte neurológica não se apossasse das demais células de Renata, pois Yago precisa delas para lhe partilhar a vida. “O momento mais emocionante e marcante foi o primeiro choro do Yago ao nascer. Desde a ultrassom ele sempre foi um bebê muito ativo. Um guerreiro. Ele passou por muitos momentos difíceis e ver o quanto ele está bem hoje é uma emoção muito grande”.

Yago veio ao mundo no dia 31 de março com 34 centímetros e 1,05 quilo. O responsável pelo parto foi o Dr. Manoel Barboza dos Santos, obstetra que acompanhou Renata até o momento da interrupção da gestação. 

Desde a gestação, o pai, Eduardo Noronha, sempre foi presente na vida do Yago e companha de perto cada evolução e dificuldades enfrentadas pelo pequeno guerreiro. Emocionado, Eduardo fala que não vê a hora de poder levar o filho para casa.  “Ele é minha força. Ele é tudo o que tenho e, mais que um filho, é uma parte da minha mulher que vive. A Renata com certeza aprovaria tudo que estão fazendo pelo filho. Não vejo a hora de ir para casa com ele”.

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