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16 de setembro de 2019 • Ano 8
Diretor de RedaçãoUlysses Serra Netto
Campo Grande

Famílias são notificadas para deixar área pública

Moradores receberam aviso para sair da favela perto do antigo lixão do Jardim Noroeste em cinco dias

19 Mai2019Valdelice Bonifácio10h10
Lillian Beatriz e Vilma Sanches também receberam as notificações para deixar os imóveis
  • Cleide e Claudete clamam ajuda do poder público, pois afirmam não ter para onde ir
  • Lillian Beatriz e Vilma Sanches também receberam as notificações para deixar os imóveis
  • Máquinas já começaram limpar os fundos da área ocupada pelos moradores
  • (Foto: Marco Miatelo)
  • (Foto: Marco Miatelo)
  • (Foto: Marco Miatelo)
  • (Foto: Marco Miatelo)
  • (Foto: Marco Miatelo)
  • (Foto: Marco Miatelo)
  • (Foto: Marco Miatelo)
  • (Foto: Marco Miatelo)

O papel amarelo nas mãos dos moradores é um sinal de alerta que deixou várias famílias apreensivas. Elas foram notificadas a deixar as casas precárias em favela do Jardim Noroeste, em Campo Grande, no prazo de cinco dias. A área onde as moradias foram construídas é pública e fica próxima ao antigo aterro de entulhos, desativado em 2017.

Na Rua Acuri, a vendedora Cleide Alves da Silva, de 44 anos, recebeu a notificação para deixar o imóvel na sexta-feira, 17 de Maio. Ela conta que ergueu a casa no terreno invadido há cerca de cinco anos, após ficar desempregada e não conseguir mais pagar aluguel.

Com o tempo, Cleide melhorou a residência que hoje é de alvenaria. “Estou há 12 anos na fila da Emha e da Agehab. Nunca fui contemplada com moradia popular. Um dia me vi sem saída e acabei aqui, lá se vão cinco anos. E agora sou notificada a deixar tudo em cinco dias. Não sei o que fazer”, reclama.

Moradora da mesma rua, a auxiliar de serviços gerais, atualmente desempregada, Claudete Alves da Silva, 32 anos, também foi notificada. “Moro na favela há cinco anos e nesta casa (ela mostra o barraco de madeira) estou há um. Sou mãe solteira e o dinheiro que consigo com bicos atualmente mal dá para bancar a alimentação. Queremos que o Poder Público olhe por nós. Não venha só nos expulsar, mas apresente uma solução”, clama.

Moradores ouvidos pela reportagem reclamaram ainda das dificuldades em obter cadastro na Emha. “Eles ficam exigindo comprovante de residência, conta de água ou luz. É claro que não temos. Quem tem faturas é porque tem endereço fixo. Aqui as ligações são clandestinas”, comentou um homem que preferiu não se identificar.

Segundo os moradores, máquinas da prefeitura já estiveram na região e iniciaram a limpeza nos fundos da área invadida. Eles temem que as habitações sejam derrubadas, caso não cumpram o prazo para deixar as moradias.

Uma contagem informal feita pelos próprios moradores aponta que a notificação já teria sido entregue a mais de 20 famílias. “Eles vão continuar na segunda-feira. Vão notificar as outras casas. Todos serão intimados a sair”, acredita Cleusa Alves.

Um grupo está se mobilizando para procurar a prefeitura na próxima semana em busca de um encaminhamento para as famílias.

Conforme apurou o Diário Digital, as notificações foram expedidas pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Semadur). A intenção da secretaria seria a de transformar toda a região em área verde e afastar a possibilidade de moradias improvidas no local que é considerado de risco.

A reportagem enviou questionamentos à prefeitura de Campo Grande, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.

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