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Segurança Pública

Em MS, delegacias serão reformadas por presos

Projeto "Mãos que Constroem" vai começar pela delegacia das Moreninhas

15 Set2016Da redação16h40
(Foto: Roberto Okamura)
  • Reforma da 4ª Delegacia de Polícia Civil, no Bairro Moreninha II, será a obra piloto do programa “Mãos que Constroem”
  • (Foto: Roberto Okamura)
  • (Foto: Roberto Okamura)
  • (Foto: Roberto Okamura)
  • (Foto: Chico Ribeiro/Governo de MS)
  • (Foto: Chico Ribeiro/Governo de MS)

Internos do sistema penal de Mato Grosso do Sul vão reformar os imóveis da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), a começar pelas delegacias. A ação é parte do projeto “Mãos que Constroem” cujo contrato foi celebrado nesta quinta-feira, 15 de setembro, entre Governo de Mato Grosso do Sul e o Poder Judiciário.

Participaram da assinatura o governador Reinaldo Azambuja, o secretário da Sejusp, José Carlos Barbosa, o vice-presidente do Tribunal de Justiça do Estado, desembargador Pascoal Carmelo Leandro, o juiz da 2ª Vara, Albino Coimbra Neto e a presidente do Conselho da Comunidade de Campo Grande, promotora Regina Broch.

O projeto está incluído no programa de investimentos “MS Mais Seguro”, que prevê cerca de R$ 10 milhões para reformas. Segundo o secretário da Sejusp, José Carlos Barbosa, o “Mãos que Constroem” possibilita a realização de mais obras utilizando o recurso que está disponível. “Com esse programa lançado hoje, vamos poder quadriplicar o número de reformas, ou seja, ao invés de contemplar apenas 10 unidades, vamos beneficiar cerca de 40”, explicou o secretário.

“Esse programa vai permitir que possamos atuar não só nas delegacias, mais também nos batalhões, presídios, entre outras unidades ligadas à secretaria de Segurança Pública. Esse é um caminho que encontramos para  criar oportunidades de formação profissional e reinserção no mercado de trabalho destas pessoas, além da economia de diminuir custos para a administração pública”, enfatizou o governador Reinaldo Azambuja, em seu discurso.

A reforma da 4ª Delegacia de Polícia Civil, no Bairro Moreninha II, será a obra piloto do programa, com investimento de R$ 123,4 mil. Pelo convênio, o Governo do Estado reduz os custos da reforma em 75%. A delegada titular desta unidade, Marilda do Carmo Rodrigues, ao saber que a sua delegacia seria a primeira contemplada pelo projeto comemorou.

“Essa reforma é de extrema importância, pois atende os anseios dos policiais civis que há muito tempo aguardam a realização desta obra de melhorias, que proporcionará um ambiente de trabalho mais agradável, motivando cada vez mais o efetivo”.

O contrato de prestação de serviço, firmado por intermédio da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública e o Conselho da Comunidade de Campo Grande, prevê a contratação de 10 internos dos regimes aberto e semiaberto do sistema prisional da Capital, nas especialidades de pedreiro, pintor, eletricista, encanador e ajudante geral.

Durante o evento o juiz da 2ª Vara de Execução Penal, Albino Coimbra Neto, que autorizou a utilização da mão de obra carcerária, anunciou que o projeto terá um apoio importante do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), que irá proporcionar um curso teórico e prático para os internos durante a execução das obras de reforma, agregando qualidade.

“Neste primeiro momento o curso que será oferecido é o de pedreiro, com carga horária de 180 horas. O objetivo desta parceria é fortalecer ainda mais esse projeto, que além de recuperar os prédios públicos, também contribuirá com a ressocialização e diminuição da pena”, frisou o juiz.

Oportunidade - Além de ganhar um salário mínimo, ao final de cada reforma o reeducando receberá uma carta de recomendação atestando sua eficiência no trabalho, com um pequeno descritivo das atividades por ele desenvolvidas, objetivando a reinserção no mercado.

Um dos reeducandos que participará desta primeira reforma é Emerson Fernandes Gonçalves de Souza, 37 anos, que foi preso por receptação há oito meses. “Vejo essa iniciativa como uma opção de me qualificar como mestre de obras, reduzir a minha pena e voltar para o mercado de trabalho, ao invés do mundo crime”.

Alexandre Arcoverde dos Santos, 30 anos, foi condenado por oito anos pelo crime de roubo. Ele acredita que o projeto “Mãos que Constroem” é uma oportunidade de mudar de vida. “Apesar de já ter errado, eu acredito na minha recuperação através deste projeto”, declarou Alexandre, que já cumpriu três anos de sua pena.

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