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16 de julho de 2018 • Ano 7
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Especial

Ponto de coleta de óleo usado resiste no Mercadão

Material depositado por clientes do estabelecimento é trocado por produtos de limpeza

19 Jul2017Valdelice Bonifácio14h00
(Foto: Marco Miatelo)
  • Daniel Amaral conta que clientes do Mercadão já trazem o óleo espontaneamente ao Mercadão
  • (Foto: Marco Miatelo)
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  • Mercadão também é ponto fixo do programa Conta Cidadã (Foto: Marco Miatelo)
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O Mercado Municipal Antônio Valente, mais conhecido como Mercadão, mantém logo no estacionamento um ecoponto para a coleta de óleo de cozinha usado. É o único estabelecimento comercial na área central de Campo Grande que mantém local específico para recolher o produto trazido pelos clientes que não aproveitam o óleo usado em casa.

"Começamos com a coleta há uns três anos. Já virou tradição. As pessoas trazem mesmo de casa. Quando vêm fazer as compras no Mercadão, já passam por aqui para deixar o óleo de cozinha usado", relata o assessor administrativo do estabelecimento Daniel Amaral.

O ponto de coleta do óleo é uma estrutura bem simples, se resume a um tambor azul identificado. Toda vez que um cliente quer depositar o produto, Daniel aciona um funcionário do Mercadão para abrir o recipente e ajudar no despejo do óleo de cozinha.O produto recolhido no Mercadão é entregue à empresa Katu Oil tema de reportagem veiculada nesta terça-feira, 18 de julho, pelo Diário Digital. A Katu Oil compra o óleo usado de vários estabelecimentos comerciais e pessoas físicas pelo valor de R$ 0,50 o litro e exporta o produto para o Sul do Brasil onde é transformado em ração.

No caso do Mercadão, a moeda de troca escolhida é outra. "A gente preferiu trocar o óleo de cozinha por produtos de limpeza, uma possibilidade oferecida pela empresa compradora. Esse material ajuda na higienização dos banheiros", revela Daniel Amaral.

A cada duas semanas, a Katu Oil recolhe o tambor com capacidade para 208 litros no estacionamento do Mercadão. A empresa também compra o óleo que sobra das pastelarias e lanchonetes do estabelecimento. Por hora, o Mercadão é o único estabelecimento de grande porte que mantém fixo um ponto para receber o óleo de cozinha dos clientes. Feira Central - Um trabalho parecido é realizado pela Feira Central de Campo Grande. Porém, lá os feirantes não mantêm um ponto único para recolhimento do óleo como faz o Mercadão. "O cliente da feira pode deixar o recipiente com o produto no guichê de entrada do estacionamento que a gente recolhe, armazena e depois encaminha para a empresa especializada que compra o óleo de cozinha usado da feira", explica a presidente da Associação dos Feirantes Alvira Soares de Melo.

Diferente do que ocorre no Mercadão, a dirigente relata que os frequentadores da Feira Central não têm o hábito de levar o óleo até lá, embora o serviço seja oferecido há anos. "Não temos como fazer mídia para divulgar  isso, mas sempre oferecemos este serviço. Porém, todo óleo que chegar lá será recolhido e encaminhado de maneira correta", garante Alvira. Supermercados - Durante algum tempo, grandes mercados como a Extra, por exemplo, também mantiveram um ponto para esta finalidade, mas o desativaram.  Segundo informações apuradas extra-oficialmente, os custos para a manutenção do local de coleta -- é preciso ao menos um funcionário para tomar conta do setor -- desestimularam as empresas a manterem o serviço.

A Rede Comper não tem ecoponto, mas segundo a assessoria de imprensa, está em busca de parcerias com empresas para implantar a coleta de óleo de cozinha usado nas lojas.

Legislação municipal - O poder público não tem atualmente ações específicas voltadas diretamente para o descarte correto do óleo de cozinha. Em 2010, a prefeitura criou o Programa Coleta de Óleo de Cozinha Usado (Recol). Pontos de coleta foram distribuídos em locais públicos, mas à época não prosperaram devido à baixa adesão popular. 

Em 2011 foi sancionada a lei que criou o Programa Municipal de Coleta e Reciglagem de Óleos de Origem Vegetal para proteger o meio ambiente. A norma prevê multa e até cassação do alvará de estabelecimentos que não cumprirem regras sobre destinação de óleo de cozinha. A lei vale para empresas que produzem mais de 50 litros de óleo para descarte mensal.Em nota encaminhada à redação do Diário Digital, a prefeitura informou que está "regulamentando, normatizando e atualizando as normas quanto às diversas naturezas de resíduos." Conforme o Poder Público, há um plano de coleta seletiva em fase final de construção. "Os aspectos das multas e punições fazem parte de todo esse processo de normatização. O importante é destacar que Campo Grande na atual gestão está avançando no referente aos resíduos de forma transversal e integrada", diz a nota.

Ainda de acordo com a prefeitura, atualmente, o recolhimento de óleo vegetal atinge 85% dos estabelecimentos (restaurantes e bares) de Campo Grande.

Inimigo da natureza - A preocupação com descarte inadequado do óleo de cozinha usado levou a concessionária Águas Guariroba a desenvolver projetos de educação ambiental. Desde 2011, o programa De Olho no Óleo percorre as escolas estimulando a recolhimento do produto. Também por iniciativa da Águas estão sendo desenvolvidas oficinas para ensinar receitas repaginadas do sabão de óleo, assunto que foi tema de reportagem veiculada na segunda-feira, 17 de julho.

O óleo de cozinha descartado incorretamente é o principal problema nas tubulações e na natureza. Na rede de esgoto, a gordura entope os canos e provoca vazamentos. Se jogado diretamente na terra pode contaminar o solo e a água. Se atirado nos rios e lagos, ficará na superfície, impedindo a entrada de luz e oxigênio e causanda a morte de espécies aquáticas.

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