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Saúde Pública

Ajudar Aedes a botar ovos é melhor tática, diz doutor

Professor da UFMS propõe deixar potes de água para fêmea botar ovos como forma de combate ao mosquito

25 Jan2016Valdelice Bonifácio07h00
(Foto: Victor Chileno)
  • Professor da UFMS e doutor em Doenças Tropicais André Luiz  Soares da Fonseca sugere ajudar fêmea do Aedes a botar ovos para combater mosquito
  • (Foto: Victor Chileno)
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A melhor estratégia para combater o mosquito Aedes Aegypti -- transmissor da dengue, febre chikungunya e Zika vírus -- é retirar do ambiente todos recipientes que acumulem água limpa? Se a pergunta for feita para o doutor em Doenças Tropicais e Saúde Internacional André Luis Soares da Fonseca a resposta será não. "Retirar potinhos de água não adianta nada. É uma estratégia errada. Você tem é que colocar potinhos de água para a fêmea do mosquito botar os ovos, depois basta você jogar a água fora e estará eliminando o problema", ensina André Luis que é médico veterinário e professor de Imunologia na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

O professor explica que é adepto da estratégia em sua casa  e ensina aos seus alunos na universidade. "Retirar os potinhos de água não funciona. Estamos fazendo isso há 10 anos e não resolve", analisa. "Depois de botar o ovo, o mosquito morre. Você tem que colocar os potinhos de água em lugares que você se lembre de retirar depois que a fêmea botar os ovos. Ao menos três vezes por semana, você deve jogar a água fora. Se eu retirar todos os potinhos, o mosquito vai procurar a caixa da água ou locais escondidos, que eu não vou achar. Ajudando o mosquito a botar os ovos estou sendo mais inteligente do que ele", acredita.

A proliferação do mosquito se deve a um "desequilíbrio ambiental imenso", segundo o professor. Para ele, a teoria da higiene também está ajudando a aumentar a população do Aedes e demais mosquitos. "Quem contra a população de mosquitos, as aranhas e lagartixas. Porém, você não as vê mais nos ambientes", diz. André Luis ataca também o fumacê amplamente usado pelas prefeituras para combater o Aedes. "Isso não funciona e agride o meio ambiente. O inseticida polui os mananciais de água. Isso não tem efeito biológico contra dengue. Quando você usa o fumacê para matar o mosquito, você também mata a aranha", explica.

O doutor alerta que, diante da falta de predadores, os mosquitos se tornaram o topo da cadeia alimentar, num grave desequilíbrio ambiental. Para ele, a saúde pública no Brasil carece de críticas fundamentadas. "Hoje o País gasta milhões de reais em estratégias que não funcionam (...) Quanto mais se usa inseticidas,  mais estamos agravando a situação da dengue, pois estamos eliminando não só os mosquitos, mas seus predadores", critica.

Porém, ele enaltece as iniciativas científicas, como os mosquitos transgênicos estéreis que foram soltos em fase de teste no interior de São Paulo. Após liberado, o macho de DNA alterado fecunda a fêmea que produzirá ovo infértil, impedindo  o nascimento de novos mosquitos. "Isso sim é ciência, é eficaz de verdade. Deveríamos investir em tecnologias desse tipo", propõe.

Números do Aedes -- Dados da Secretaria Estadual de Saúde (SES) apontam para o registro de 4.698 casos suspeitos de dengue, só neste ano, em Mato Grosso do Sul. Destes, 2.078 foram notificados em Campo Grande, onde duas pessoas morreram em 2016 em  decorrência da doença. Já em relação à febre chikungunya há três casos notificados, sendo dois em Corumbá e um em Dourados, porém, sem confirmação até o momento. O  zika vírus foi confirmado em sete pacientes, sendo seis da Capital e um de  Aquidauana.

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