Menu
24 de setembro de 2018 • Ano 7
Diretor de RedaçãoUlysses Serra Neto
Mega Banner Victor Center
119 anos

Campo Grande é paixão à primeira vista

Na primeira visita à Capital, artista e cineasta aponta qualidades de primeiro mundo na cidade

25 Ago2018Valdelice Bonifácio08h15
Artista expõe quadros no Centro Cultural José Octávio Guizzo (Foto: Marco Miatelo)
  • Ismael Oliveira que já percorreu o mundo, visitou Campo Grande pela 1ª vez neste mês de agosto e ficou maravilhado
  • Artista expõe quadros no Centro Cultural José Octávio Guizzo (Foto: Marco Miatelo)
  • Ismael Oliveira ficou encantado com Campo Grande (Foto: Marco Miatelo)
  • (Foto: Marco Miatelo)
  • (Foto: Marco Miatelo)
  • (Foto: Marco Miatelo)
  • (Foto: Marco Miatelo)
  • (Foto: Marco Miatelo)
  • (Foto: Marco Miatelo)
  • (Foto: Marco Miatelo)
  • (Foto: Marco Miatelo)
  • (Foto: Marco Miatelo)
  • (Foto: Ismael Oliveira)
  • (Foto: Ismael Oliveira)
  • (Foto: Ismael Oliveira)
  • (Foto: Ismael Oliveira)
  • (Foto: Ismael Oliveira)
  • (Foto: Ismael Oliveira)
  • (Foto: Ismael Oliveira)
  • (Foto: Ismael Oliveira)

O artista plástico paulista Ismael Oliveira já visitou cidades mundo afora, mas poucas vezes se surpreendeu tanto como ao percorrer Campo Grande pela primeira vez neste mês de agosto. Ele esteve na Capital para realizar uma exposição de quadros. "Vejo que essa cidade foi planejada. Tem ruas largas mesmo na periferia", diz. Em entrevista ao Diário Digital, ele definiu as impressões que teve da cidade, que neste domingo, 26 de Agosto, completará 119 anos.

Ismael relata que o cheiro de Campo Grande é agradável e convida a passear pelas ruas. Além do Centro da Capital, onde passou boa parte do tempo organizando a mostra de arte que foi no Centro Cultural José Octávio Guizzo (CCJOG), ele esteve no Carandá Bosque, Cidade Morena, Chácara Cachoeira e outros bairros. Ao final do tour, estava maravilhado. "A cidade é plana. Achei isso incrível. Além disso, embora seja uma cidade grande, você consegue ver o pôr do sol. Isso é algo sensacional", enaltece.

O artista reparou em detalhes que passam despercebidos por muitos moradores de Campo Grande. "Uma coisa que me chamou a atenção foi a arquitetura dos semáforos. Eles são geometricamente bem feitos", analisa. "Também gostei de ver ciclovias. Aqui tem calçadas largas, facilitando o acesso do pedestre. Eu diria que aqui o pedestre é convidado a usufruir da cidade. Lá em São Paulo, por exemplo, as ruas são sinuosas, as calçadas são pequenas e quebradas. As pessoas andam pelas ruas", compara.Em relação ao trânsito, não foi só na arquitetura dos semáforos que Ismael reparou. "Esse limite de 50km nas avenidas, eu também achei ótimo. Quisera que todos os lugares fossem assim", valoriza. Ismael também mencionou a arquitetura da cidade. "Percebi que existe uma tentativa de preservar prédios históricos."

Outro encantamento foi com um dos motivos de orgulho da terra, a rica arborização. "Isso é maravilhoso. As árvores se horizontalizam, a copa se esparrama, combina com a cidade horizontal. Eu vi uma grande quantidade de áreas verdes de reservas. Há locais em que a população tem preconceito com a terra. Tem gente que impermeabiliza tudo. Aqui em Campo Grande, não. Notei que as pessoas ainda gostam de cultivar um bom jardim. Nos bairros, eu vi casas humildes, mas generosas quanto ao terreno. Isso é ótimo pois garante dignidade à vida das pessoas", acredita.

Além de artista visual, Ismael é também cineasta e fotógrafo especializado em fotografia noturna. Sendo assim, é claro que ele fez vários cliques da Capital. Algumas fotos, inclusive, foram cedidas para compor esta matéria. Ismael ficou especialmente admirado com a Praça do Rádio Clube, no Centro da Capital. Ele fotografou várias vezes o espaço amplo da praça com os prédios de fundo. Também gostou dos monumentos do local, como a obra que homenageia o centário da imigração japonesa, a concha acústica e as esferas do concreto.Uma imagem especial foi escolhida para definir Campo Grande aos olhos de Ismael. Trata-se da fotografia acima que retrata um pedestre  cruzando a Praça do Rádio em movimento diagonal. "Ela diz tudo sobre a cidade. É uma praça ampla com espaço. É uma imagem urbana, mas uma praça que mostra um enorme campo de vista e passeio. O ser humano em escala sente o espaço aberto, em uma cidade onde a arquitetura respira com o céu, e os edifícios devido às ruas largas e espaçadas não asfixiam. Essa é uma cidade que não oprime seus moradores", afirma.

Para Ismael, a cidade foi projetada de modo a garantir a sensação de bem-estar à população, o que é um luxo se comparado a outros lugares do País. "O que eu vi aqui, qualificaria como coisa de primeiro mundo", elogia.

A série de fotos feitas da Capital, o artista e fotógrafo chamou de Noturnos Urbanos em Campo Grande.“Pro-Posições”  - A exposição de quadros de Ismael Oliveira chamada “Pro-Posições” ainda pode ser vista no Centro Cultural José Octávio Guizzo. A mostra circula pelo abstrato. Ao todo, são 18 obras sendo 11 trabalhos em papel na técnica guache e sete telas de pintura em acrílica. Nesta série, o artista articula sobreposições de formas e figuras derivadas de motivos como a arquitetura, figuras humanas, figuras animais, natureza, enfim, formas orgânicas e geométricas. "São criações muito espontâneas. É como se a mão falasse mais do que o cérebro", define.

Os quadros são intrigantes e denotam uma preocupação racional com a escolha das cores. Quando está diante das telas, Ismael se permite uma entrega completa ao imaginário sem preocupações mercadológicas. "Minha ideia não é encontrar uma arte para o mercado e sim um mercado para  minha arte. A virtude de um artista é a paciência. A arte é um processo lento. Mas, o passar dos anos já me deu essa segurança", revela.Nesta exposição, Ismael também se aventura pela poesia. As gravuras receberam pequenos poemas como nome. A inspiração veio da leitura dos poemas de outro orgulho dos campo-grandenses: o poeta Manoel de Barros. A mostra “Pro-Posições” segue aberta ao público até 30 de setembro.

Ismael já tem retorno marcado a Campo Grande neste ano. Ele fará outra exposição de arte no Museu de Arte Contemporânea, o Marco, a partir de 12 de dezembro.

Veja Também