Campo Grande •25 de Abril de 2017  • Ano 5
OrganizaçãoIvan Paes BarbosaDiretor de RedaçãoUlysses Serra Neto

Agência Brasil | Domingo, 1 de Janeiro de 2017 - 20h22Brasileiro usa jiu-jitsu para aproximar árabes e judeus em IsraelEm 2014, ele criou o projeto “Árvore da vida – nos recusamos a ser inimigos”

(Foto: Reprodução/RFI)

Marcos Gorinstein, 37 anos, deixou para trás um trabalho confortável e a praia de Tel Aviv para seguir seu sonho de trabalhar em prol da paz em Jerusalém – cidade onde 40% dos moradores são árabes e 60%, judeus. Em 2014, ele criou o projeto “Árvore da vida – nos recusamos a ser inimigos”, que tem como objetivo fazer com que alunos dos dois lados aprendam a conviver através de uma atividade em comum.

Quando chegou em Israel, em 2010, Marcos já tinha o sonho de lidar com o conflito entre árabes e judeus na região, mas não imaginava que seria por meio das artes marciais. “Eu vim para cá com o objetivo de trabalhar em algum trabalho sobre a questão do conflito palestino-israelense”, diz o carioca. “Chegando em Jerusalém, eu disse: ‘sou professor de jiu-jitsu, então vou usar essa arte marcial como ferramenta para poder criar contato entre judeus e palestinos’”

Marcos Gorinstein é faixa preta pela Academia Gracie da Tijuca, no Rio de Janeiro, onde estudou com o mestre Vinicius Aieta, o Vini. Para ele, o jiu-jitsu é o esporte perfeito para quebrar o gelo entre inimigos, no caso crianças judias e árabes, que enfrentam um ambiente de desconfiança mútua.

“Muitas vezes, quando a gente tenta o contato entre povos inimigos, esse contato é feito verbalmente, as pessoas conversam, as pessoas trocam olhares. Já o jiu-jitsu tem o toque. A gente toca o tempo todo, está junto o tempo todo. É uma luta com contato total do corpo”, explica Marcos. “O jiu-jitsu tem essa capacidade de a gente elevar a relação para o contato físico, o que é um lado muito positivo da prática. Além disso, é um esporte que faz com que a gente, o tempo todo, aprenda os nossos limites e os limites dos que estão treinando conosco”.

Atualmente, Marcos tem mais de 40 alunos, principalmente estudantes do colégio “Yad BeYad”, ou “De mãos dadas”, em Jerusalém, uma escola mista de árabes e judeus que faz um trabalho de convivência exemplar. Mas seu esforço já está sendo reconhecido e ele pretende montar uma academia própria onde poderá concentrar todas as turmas, de crianças e adultos.

'Fronteiras invisíveis' - A ideia é promover a coexistência por meio do esporte para outras áreas de Jerusalém e arredores, incluindo a Cisjordânia. Porém, há obstáculos no caminho, principalmente por parte das famílias dos dois lados, que nem sempre aprovam que seus filhos lutem juntos o jiu-jitsu. “A questão principal que a gente enfrenta aqui é um preconceito. Porque as pessoas não conhecem quem está do outro lado. Há fronteiras muito invisíveis que a gente não passa por elas”, conta Marcos.

“É muito raro você ver crianças judias indo a Jerusalém Oriental. É praticamente zero o número de crianças judias que fazem isso, por conta de medo dos pais, por conta da realidade em que a gente vive. Então a ideia é buscar, através de colégios, através de instituições que trabalham com jovens, a criação de turmas para que a gente possa quebrar essas fronteiras e que as crianças passem a conhecer uns aos outros através da prática do jiu-jitsu”.

Muitos alunos do sociólogo carioca não pagam mensalidade integral por falta de condições financeiras e Marcos busca, agora, parceiros institucionais que ajudem a completar o valor para que nenhuma criança deixe de competir. O sonho do brasileiro é que seus alunos, tanto árabes quanto judeus, se tornem instrutores dejiu-jitsu e, como ele e outros, se dediquem à promoção da paz na Terra Santa.

Veja Também
Receita alerta empresas sobre irregularidades na Contribuição Previdenciária
Cientista brasileira está entre as cem pessoas mais influentes do mundo
Mato Grosso do Sul figura entre os estados que mais gera emprego no País
Terça, 25 de Abril de 2017 - 08h47Rubens Valente fala sobre livro ‘Os fuzis e as flechas’ em evento na Uems Evento será nesta quinta-feira (27), às 19h, no anfiteatro do Bloco A.
Fundação do Trabalho atende cerca de 500 pessoas por dia e oferece centenas de vagas para cursos gratuitos
Índios bloqueiam a BR-163
Terça, 25 de Abril de 2017 - 07h53Possibilidade de chuva na tarde de hoje Previsão é de que possam acontecer até mesmo tempestades
Caminhada pela Paz Mulher Brasileira será realizada nesta sexta-feira 28
Rede de supermercados Comper inaugura loja da Spipe Calarge na quarta
‘Ônibus da Saúde’ leva atendimento oncológico até Três Lagoas
Vídeos
Últimas Notícias  
Diário Digital no Facebook
DothShop
DothNews
Rec banner - cirurgia.net
© Copyright 2014 Diário Digital. Todos os Direitos Reservados
© Copyright 2017 Diário Digital. Todos os Direitos Reservados
 Plataforma Desenvolvimento