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21 de agosto de 2018 • Ano 7
Diretor de RedaçãoUlysses Serra Neto
II Congresso de Empresas Familiares
Campo Grande

Borracheiro luta para provar que não cometeu crime

Homem foi preso e condenado por assassinato que outro confessou ter cometido

11 Jan2018Valdelice Bonifácio14h50
O advogado José Amaral Cardoso Júnior (Foto: Marco Miatelo)
  • Marinaldo Magalhães da Silva recebe o apoio de familiares, vizinhos e familiares
  • O advogado José Amaral Cardoso Júnior (Foto: Marco Miatelo)
  • (Foto: Marco Miatelo)
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Desde que realizou um baile funk no clube de sua propriedade, no Bairro Nova Lima, em Campo Grande, na noite de 30 de dezembro de 2012, a vida de Marinaldo Magalhães da Silva, de 45 anos, e de sua família nunca mais foi a mesma. Houve um assassinato no local durante uma briga. Um rapaz confessou o crime. Porém, Marinaldo é que foi preso e condenado pelo homicídio. Ele está recorrendo da sentença em liberdade e luta para provar sua inocência com apoio de amigos e vizinhos.

“A pessoa que confessou ter matado foi absolvida dos crimes de homicídio e porte de arma. E eu que não matei fui preso e condenado”, reclama Marinaldo ao lado de familiares, amigos e vizinhos que se uniram para protestar e informar à sociedade sobre a suposta injustiça.  A defesa dele vai encaminhar recurso contra a condenação ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) e espera que os desembargadores levem em conta a confissão do verdadeiro assassino.

A família de Marinaldo realizava bailes com música sertaneja no Rancho Country, na Rua Agenor Pinto, há anos. Porém, em 30 de dezembro decidiu realizar um baile funk. Por volta das 3 horas da madrugada, houve uma briga que começou no local e, após os envolvidos serem retirados da parte interna, continuou na rua.

No meio da confusão, Luciano Vicente de Souza, 27 anos, e o irmão dele Lucas Vicente de Souza, 19 anos, foram baleados. Luciano morreu após atendimento médico. Já Lucas teve ferimento nas nádegas. Após o crime, a Polícia Civil levou Marinaldo à delegacia para prestar depoimento como testemunha do crime já que era proprietário do estabelecimento onde a confusão começou.

Ele foi ouvido e liberado. Porém, por volta das 5 horas, policiais chegaram à casa de Marinaldo e o prenderam em flagrante pelo assassinato de Luciano. Ele ficou preso por sete meses no Instituto Penal de Campo Grande (IPCG), localizado no complexo penal, no Jardim Noroeste. Marinaldo sofreu muito e emagreceu cerca de 40 quilos na prisão.

Segundo familiares, ele foi preso com base em depoimento de três testemunhas, duas adolescentes que são primas da vítima e um rapaz que era namorado de uma delas. Eles disseram à Polícia Civil terem visto Marinaldo atirando.

Contudo, no julgamento, realizado em 13 de Novembro, um rapaz de nome Jean Carlos de Oliveira Ramos, que também estava no banco dos réus,por ser considerado suspeito, confessou o assassinato. O motivo do desentendimento entre ele e os irmãos baleados até hoje não ficou totalmente esclarecido. Porém, a confusão teria começado devido a um esbarrão que deu início a uma briga e posteriormente aos tiros.

O promotor de Justiça não se convenceu da confissão de Jean e pediu a condenação de Magalhães pela morte de Luciano. O júri popular condenou o réu por 4 votos a 1.  A sentença estipulada foi de 13 anos e seis meses de prisão.

Conforme familiares, havia muitas pessoas no local no momento do crime e várias confirmaram terem visto Jean atirando nos rapazes. Contudo, não foram ouvidas oficialmente.

Uma das filhas de Marinaldo, Gabriela Araújo, de 23 anos, explica que as adolescentes que incriminaram o pai agiram por motivações pessoais. “Não deixávamos adolescentes entrarem no rancho. Isso era uma regra. Elas foram barradas várias vezes e por isso se indignaram”, comenta. O namorado de uma delas, inclusive, meses depois do depoimento à polícia, voltou atrás em sua versão e admitiu ter mentido sobre ter visto Marinaldo atirando.

“Não há provas concretas contra Marinaldo apenas o depoimento destas duas adolescentes que é questionável. Além disso, uma pessoa confessou o crime e, inclusive, nos disse que está à disposição. Estamos usando todos estes argumentos para recorrer da condenação. Marinaldo não matou ninguém”, disse o advogado do borracheiro José Amaral Cardoso Júnior.

A defesa reclama também de falhas processuais. Marinaldo passou pelo exame residuográfico a fim de detectar a presença de pólvora no corpo. Porém, o resultado dos exames não apareceu no processo e não há explicações para tal ausência, conforme o advogado.

O clube de shows foi fechado após o ocorrido em 30 de dezembro de 2012. Atualmente, Marinaldo se dedica à sua borracharia. “Às vezes, ele acorda deprimido e com vontade desistir de tudo. Nós é que o estimulamos e continuar suas atividades”, revela Gabriela.

Quando da visita do Diário Digital à borracharia nesta quarta-feira, 10 de janeiro, vários amigos e vizinhos estavam no local. Todos prestando seu apoio a Marinaldo. Vários deles levaram cartazes para bradar pela inocência do borracheiro.

O servidor público Hudson Ribeiro da Silva, 45 anos, afirma ter certeza que Marinaldo é inocente. “Eu o conheço há muito tempo. Tenho certeza de que ele não agiria desta forma. Além disso, há uma pessoa que confessou o crime, isso precisa ser levado em consideração”, argumenta.

Marinaldo tem passagens pela polícia por receptação, furto de energia e violência doméstica, ficha que foi levada em conta pelo Ministério Público durante o julgamento. Ele foi condenado por homicídio duplamente qualificado, um júri que durou um dia inteiro na 2ª Vara Criminal de Campo Grande. O juiz permitiu que Marinaldo recorresse do crime em liberdade.

Lucas que sobreviveu ao tiroteio no qual o irmão Luciano foi morto chegou a ser ouvido pela Polícia Civil, mas ele afirmou não ter visto quem efetuou os disparos. Um ano e quatro meses após a morte do irmão, Lucas também foi assassinado. Ele levou um tiro na cabeça quando participava de uma festa no Bairro São Bento, em Sidrolândia, no dia 9 de abril de 2014. O autor do crime foi preso no mesmo dia.

O Diário Digital tentou contato com Jean Carlos de Oliveira, mas ele não foi localizado até a publicação deste texto.

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