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20 de abril de 2019 • Ano 8
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Gênero e sexualidade

Blog recebe relatos positivos de jovens dissidentes

Por meio de depoimentos projeto de pesquisa aponta seis maneiras de transformar a escola em ambiente não hostil à pessoas LGBT+

12 Fev2019Luany Mônaco - Especial para o Diário Digital14h14
Professor Dr° Tiago Duque (Foto: Marco Miatelo)
  • Fabricio é um adolescente de 15 anos preocupado com a desigualdade dentro das escolas
  • Professor Dr° Tiago Duque (Foto: Marco Miatelo)
  • (Foto: Marco Miatelo)
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  • (Foto: Marco Miatelo)
  • Gráficos ilustrados foram desenvolvidos para demonstração de dados (Foto: Marco Miatelo)

Diferentemente da maioria das pesquisas realizadas para compreender o mundo LGBT+, depoimentos positivos sobre a vivência das questões de gênero e sexualidade dentro de escolas do Estado estão sendo coletados pelo estudante Fabricio Pupo Antunes e seu professor orientador, Tiago Duque, por meio do blog TransIdentidades. Todas as informações reunidas por eles colaborarão diretamente com a pesquisa “A produção das identidades em ambiente escolar: experiências contemporâneas de jovens dissidentes de gênero e sexualidade nas escolas de Mato Grosso do Sul inspirados na obra A Garota Dinamarquesa” pensada e também desenvolvida por um adolescente de 15 anos preocupado com o tratamento diferenciado de pessoas LGBT+ dentro das escolas.

Já no colégio, especificamente desde o 6° ano do ensino fundamental, a instituição onde Fabricio Pupo estudava promovia grande incentivo à pesquisa aos alunos, o que proporcionou ao garoto participações em diversos concursos, olimpíadas e feiras científicas no Brasil e no mundo. Quando expôs seu primeiro projeto “Estudo sobre sexo, gênero e orientação sexual a partir da análise literária da obra A Garota Dinamarquesa de David Ebershoff” o estudante foi cinco vezes finalista em importantes feiras, além de receber Menção Honrosa na 70° SBPC realizada na UFAL em Maceió-AL em reconhecimento ao mérito do trabalho e ao conjunto dos dados da pesquisa.

Em uma de suas participações o adolescente prodígio conquistou credenciamento para se apresentar na FEBRACE – USP 2018, onde foi premiado como o melhor projeto do estado de Mato Grosso do Sul, 1° lugar na categoria Ciências Humanas, recebeu credenciamento para o Vences (Prêmio Veraño Nacional Científico Para Estudiantes Sobresalientes) realizado no México e como premiação se tornou bolsista do PIBIC Júnior pela USP (Universidade de São Paulo), uma das mais respeitadas instituições de ensino superior do Brasil.

Em 2017, quando participou da Fecintec, Fabricio recebeu de uma das avaliadoras da feira uma carta de recomendação que sugeria a apresentação de seu trabalho ao Prof° Dr° Tiago Duque. Na época o estudante passou a participar do cotidiano da UFMS (Universidade Federal de Mato grosso do Sul) e recebeu orientações informais do educador, mas depois de conquistar a premiação como bolsista do PIBIC Jr./USP Tiago foi escolhido por Fabricio para orientar formalmente o projeto “A produção das identidades em ambiente escolar: experiências contemporâneas de jovens dissidentes de gênero e sexualidade nas escolas de Mato Grosso do Sul inspirados na obra A Garota Dinamarquesa” que pretende provar como a experiência de seres LGBT+ pode ser totalmente positiva e proveitosa em ambientes escolares agradáveis e não hostis por meio de relatos positivos fornecidos por jovens de 18 a 25 anos.

Lili Elbe foi a segunda pessoa no mundo a passar por uma cirurgia de transgenitalização e também é a principal personagem do livro onde Fabricio iniciou seus questionamentos sobre gênero e sexualidade, a obra ‘A garota Dinamarquesa’. Para poder aprofundar melhor a sua tese o adolescente estudou vários livros que discutiam livremente os temas, inclusive de filósofos como Michel Foucault, e conseguiu contato direto com o autor David Ebershoff que demonstrou total apoio a pesquisa, lhe revelou maiores detalhes sobre Lili e forneceu contatos que conhecem profundamente a biografia da personagem.

“Depois da apresentação jovens dissidentes de gênero e sexualidade começaram a se inspirar em Lili Elbe e passaram a relatar suas experiências, positivas ou não, nas escolas. Foi isso que me inspirou a escrever este projeto”, conta Fabricio que se sensibilizou com a desigualdade sofrida pelos colegas e decidiu agir. Hoje, o adolescente tornou os relatos uma de suas principais fontes para pesquisa.     

Existindo a necessidade de apresentação de um produto nas feiras e de um meio para recepção de depoimentos espontâneos, foi criado o blog TransIdentitdades. Na página da web Fabricio e seus colaboradores discutem aberta e detalhadamente os temas gênero e sexualidade, além de aguardarem na aba ‘TransEscola’ depoimentos de jovens LGBT+, estudantes no MS, de 18 a 25 anos que remetam como o bom acolhimento escolar proporcionou boas experiências em suas vidas.

Analisando os depoimentos foi utilizada a metodologia de pesquisa pós-crítica onde foram selecionados alguns pontos de experiências positivas (embasados em obras de grandes escritores) relatadas por esses jovens. Os pontos são 1 - encontro das diferenças em ambiente escolar; 2 - discussões promovidas em sala de aula sobre gênero e sexualidade; 3 - exercício da afetividade em ambiente escolar; 4 - respeito ao direito do uso do nome social; 5 - direito ao uso do banheiro pelo gênero ao qual a pessoa se identifica; e 6 - oferecimento de educação crítica a fim de diminuir o preconceito.  

“Todos esses pontos são experiências positivas que a escola pode proporcionar, portanto o colégio pode ser um ambiente acolhedor a essas vidas, ela se mostrou um ambiente produtor de experiências positivas a essas pessoas. Evidenciar experiências positivas relacionadas a gênero e sexualidade no ambiente escolar pode servir como inspiração para outras histórias, outras escolas, outros professores, outros alunos” explica o prodígio pesquisador Fabrício Pupo.

Para o orientador do projeto, Tiago Duque, o projeto tende a oferecer mais uma solução para o problema da desigualdade, “a gente acaba chegando num produto que ganha certa visibilidade na gramática da feira, um espaço onde o jovem pode ir lá e relatar sua experiência. Sem contar no resultado dessas análises que apontam algumas ações que os jovens do MS que participaram da pesquisa indicam como positivas, agora temos seis pontos que servem como Norte”. Vale lembrar que o blog ainda está em processo de aceitação de depoimentos para continuar a elaboração do estudo.

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