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25 de abril de 2019 • Ano 8
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Campo Grande

Água boa para sonhos bonitos

Água tratada vira realidade na aldeia urbana Água Bonita que agora anseia por moradia digna

8 Nov2018Valdelice Bonifácio16h31
Vice-cacique Alexandre Arévalos não precisa mais armazenar água no quintal (Foto: Marco Miatelo)
  • Tawany Francielle Gonçalves dos Santos, de 7 anos: 'Ficou bem melhor com água boa na torneira'
  • Vice-cacique Alexandre Arévalos não precisa mais armazenar água no quintal (Foto: Marco Miatelo)
  • Elizabete Almeida, esposa de Alexandre, feliz com a facilidade da água encanada (Foto: Marco Miatelo)
  • Vice-cacique agora espera pela casa nova (Foto: Marco Miatelo)
  • Ana Mikaele, filha da dona de casa Ana Paula, agora toma água tratada (Foto: Marco Miatelo)
  • Isac Porto, outro filho de Ana Paula, também se esbalda na torneira (Foto: Marco Miatelo)
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  • Planta das casas que serão construídas em aldeia urbana pelos próprios indígenas (Foto: Divulgação)
  • (Foto: Divulgação)
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  • (Foto: Divulgação)

O sonho acalentado durante anos agora é uma realidade cristalina na Aldeia Indígena Urbana Água Bonita, localizada no Bairro Tarsila do Amaral, em Campo Grande. A água tratada chegou às casas para alegria dos moradores. A realidade da aldeia que ansiava por água encanada foi retratada em matéria do Diário Digital veiculada em 31 de Outubro de 2017. Um ano depois, a reportagem voltou ao local e encontrou famílias aliviadas pelo fim do sufoco enfrentado no passado recente. Aliás, junto com a água, um tempo de progresso está chegando à aldeia. Uma parceria entre prefeitura e governo do Estado vai possibilitar a construção de casas de alvenaria para substituir as moradias improvisadas.

Entrevistada na matéria do ano passado, a dona de casa Ana Paula Porto, de 31 anos, relata que a vida mudou e muito. Mãe de  quatro fihos, ela já chegou a ficar cinco dias sem água. "Hoje, a situação é outra, a água chega abundante na torneira e não preciso mais armazenar", conta. Além da praticidade para fazer o serviço de casa, o motivo maior da felicidade de Ana Paula é a saúde das crianças. "Meus filhos tinham diarreia, febre e infecções. E o problema era a água sem tratamento que consumíamos. Sei disso porque quando íamos para a casa da minha mãe, eles melhoravam. Agora, como nossa água também é boa, não ficam mais doentes", detalha.

Antes da regularização, as famílias obtinham água através de um poço artesiano ou direto no córrego que passa nas proximidades. Como foi mencionado, o consumo da água sem o devido tratamento colocava a saúde dos moradores em risco. Contudo, a demora para a instalação da rede não se deve à má-vontade da concessionária Águas Guariroba, mas sim a resistências dos próprios indígenas, já que alguns preferiam continuar consumindo a água do córrego sem pagar nada por isso.A rede de abastecimento de água foi inaugurada oficialmente em agosto deste ano, após cerca de 10 anos de espera. A regularização do fornecimento do líquido só foi possível depois de tratativas com a Águas Guariroba que envolveu ainda Assembleia Legislativa, Ministério Público Federal (MPF),  Defensoria Pública,  Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), entre outros.

O projeto ganhou força em 2017 quando a Agência Estadual de Habitação (Agehab) doou a área denominada “Chácara Água Bonita”, onde vivem as famílias, à Associação de Moradores da Aldeia Indígena Água Bonita, o que demandou a aprovação de emenda pela Assembleia Legislativa.

Bom acordo - O acordo firmado com a concessinária foi elogiado por todos os moradores abordados pelo Diário Digital e, inclusive, pelo vice-cacique Alexandre Arévalos. "O acerto foi muito bom para a comunidade. Temos direito a 20 mil litros de água pelo valor de R$ 18 por mês. Se excedermos o limite, a gente paga o que passar", explica. O vice-cacique apareceu na matéria de 2017 detalhando sua dura rotina para manter água em casa. Ele armazenava o líquido em recipientes no quintal em quantidade suficiente para a própria residência e para dividir com vizinhos se fosse preciso.  Desta vez, sorridente, ele mostrou a água jorrando das mangueiras. "É outra vida."Conforme a concessionária, a aldeia se divide em duas partes, a antiga (casas de alvenaria) e a nova (ocupação parte de baixo). A parte antiga da aldeia, com 68 ligações, já possuía rede de água, mas essa rede foi construída passando por baixo das casas. Então a Águas Guariroba executou uma rede nova e instalou cavaletes para todas essas famílias. Ao todo, foram executadas na aldeia 218 ligações e instalados cerca de dois mil metros de rede de abastecimento.

A concessionária também executou 15 ligações para atender as hortas da comunidade, neste caso a água será fornecida gratuitamente. A horta comunitária, assunto também abordado na reportagem do ano passado, continua parada. "Perdemos muita verdura neste ano. Precisamos nos organizar novamente para fazer um plantio que compense", explica o vice-cacique.

Muito ainda precisa ser organizado na aldeia que está em fase de mudanças, mas o certo é que o hidrômetro na frente das casas virou um símbolo de que a sede de dignidade está sendo saciada. Na residência de Taína Gonçalves, de 21 anos, o equipamento está protegido por uma casinha feita artesalmente em madeira e vidro. "Isso é para as crianças não mexerem e ninguém danificar", revela. "Nossa situação era bem complicada antes da água encanada chegar. Agora, pra felicidade ficar completa só falta a casa nova", diz.A construção das casas é assunto de entrevista em vídeo concedida pelo diretor-presidente da Fundação Municipal Social do Trabalho (Funsat) Cleiton Freitas Franco. Em parceria com a Agência Estadual de Habitação (Agehab), a Funsat está capacitando os próprios indígenas para construírem as moradias na comunidade. Cinquenta indígenas entre homens e mulheres participam do curso. Além do treinamento, eles recebem almoço, salários e cestas básicas. Ao todo, serão edificadas 80 moradias. Assista abaixo.

Fundada em 2001, a aldeia reúne indígenas de várias etnias como Guarani-Kaiowá, Terena, Kadiwéu e Kinikinau. Na época da fundação, foram entregues 60 unidades habitacionais e, segundo indígenas, o Poder Público teria prometido mais 60, porém, os anos passaram sem que a promessa fosse cumprida. 

Agora, as moradias surgirão da parceria entre o município e o Estado. A construção é financiada pela Agehab com ajuda do governo federal. Em nota, a Agência de Habitação informou que as casas terão 42,56 metros quadrados com dois quartos, sala, cozinha, banheiro, circulação e área de serviço coberta. O valor de cada unidade é de R$ 39,9 mil. As famílias pagarão o valor de R$ 382,00 por ano.

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