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Valdelice Bonifácio | Terça, 20 de Setembro de 2016 - 14h00Agepen se solidariza com família de moça assassinada e defende concurso de MissVitória de jovem que matou manicure no Miss Primavera gerou polêmica

(Foto: Divulgação/Agepen)

Após a repercussão do concurso que escolheu a detenta Gabriela Santos Antunes, 22 anos, a Miss Primavera 2016, a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) divulgou nota na qual se solidariza com a família da vítima morta pela vencedora e defende o evento. A disputa foi realizada em 15 de setembro no Presídio Irmã Irma Zorzi, em Campo Grande,  e desde então tem gerado polêmica principalmente entre as famílias da assassina e da vítima.

Conforme as investigações da Polícia Civil, Gabriela teria matado a manicure Jeniffer Nayara em um crime premeditado no dia 15 de janeiro, na Capital. O motivo seria ciúmes, pois Gabriela desconfiava de um relacionamento de Jeniffer com seu marido, o que não ficou confirmado nas apurações do caso. Jeniffer foi assassinada a tiro por Gabriela que a levou para conversar na região do Céuzinho e, na sequencia, a vítima despencou de 20 metros de altura.

A suspeita, após um mês foragida, se entregou à polícia em 15 de fevereiro e desde então está presa. “A Agepen, a direção do presídio feminino e os responsáveis pela organização do concurso compreendem e se solidarizam com a dor da família da vítima morta pela vencedora do concurso e destaca que a intenção do Miss Primavera é a melhor possível em seus 14 anos de existência”, diz a Agepen.

Conforme a agência, o evento não envolve apenas o desfile, nem definir quem é bonita. “É um trabalho conjunto e positivo, em que as reeducandas, servidoras e colaboradores se esforçam para sua realização; também é uma forma de integrar a sociedade em prol da reinserção social, já que a realização ocorre totalmente com apoio de parceiros e voluntários, sem investimentos públicos.”

Na mesma nota, a Agepen explica que o concurso é aberto a todas as internas que, no momento, não estão respondendo ou em cumprimento de sanção por indisciplina, independente do crime cometido, tendo em vista que a pena é apenas de cerceamento da liberdade e não se pode excluir nenhuma reeducanda, pois seria uma forma de discriminação, o que não pode ocorrer aos olhos da lei.

Mães – Em mensagens encaminhadas à TV MS Record por meio de whatsapp, as respectivas mães desabafaram sobre o concurso. “Estou revoltada (...) assassinos têm regalia e vida boa dentro de presídio. Quem perde é só a família de quem morreu. Esses idiotas inventaram essa palhaçada de miss detento, por que assassinaram a filha deles. Ela é miss sim, dragão e assassina. Eles não tem o mínimo de respeito com a família. Faz oito meses que minha filha morreu”, disse Lucimar Guilhermete, mãe de Jeniffer.

Já a mãe de Gabriela reagiu às críticas à escolha da filha. “Minha filha está pagando pelo erro dela. As pessoas poderiam respeitar a minha dor? Enfim são duas famílias destruídas”, disse a mãe da jovem presa.

Concurso - Além de Gabriela Antunes, o concurso consagrou também Juliana Keli como Miss Simpatia e Adelaine Silva Miss Elegância. Com o resultado, Gabriela representará o estabelecimento da Capital, no concurso estadual, previsto para novembro e que reunirá representantes de todos os presídios femininos, de regime fechado, de Mato Grosso do Sul.

Confira na íntegra a nota divulgada pela Agepen:

O Concurso Miss Primavera do Estabelecimento Penal Feminino Irmã Irma Zorzi, assim como das demais unidades prisionais femininas do Estado, tem por objetivo trabalhar a ressocialização, através do fortalecimento da autoestima da mulher em situação de encarceramento. Nenhuma pena de prisão no Brasil é eterna, indivíduos que hoje estão presos irão retornar ao convívio em sociedade em algum momento. Por isso, são necessárias várias ações de promoção social.

O concurso é aberto a todas as internas que, no momento, não estão respondendo ou em cumprimento de sanção por indisciplina, independente do crime cometido, tendo em vista que a pena é apenas de cerceamento da liberdade e não se pode excluir nenhuma reeducanda, pois seria uma forma de discriminação, o que não pode ocorrer aos olhos da lei.

A Agepen, a direção do presídio feminino e os responsáveis pela organização do concurso compreendem e se solidarizam com a dor da família da vítima morta pela vencedora do concurso e destaca que a intenção do Miss Primavera é a melhor possível em seus 14 anos de existência. É um evento que não envolve apenas o desfile, nem definir quem é bonita, é um trabalho conjunto e positivo, em que as reeducandas, servidoras e colaboradores se esforçam para sua realização; também é uma forma de integrar a sociedade em prol da reinserção social, já que a realização ocorre totalmente com apoio de parceiros e voluntários, sem investimentos públicos.

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