Campo Grande •24 de Julho de 2017  • Ano 6
OrganizaçãoIvan Paes BarbosaDiretor de RedaçãoUlysses Serra Neto

Valdelice Bonifácio | Segunda, 17 de Julho de 2017 - 14h00Repaginada, velha prática ajuda a natureza e o bolsoOficinas ensinam receitas aprimoradas de sabão feito com óleo de cozinha usado

  
"Não é comida", alerta Albertina Barbosa Suriano exibindo os produtos de limpeza feitos na oficina ministrada pela Águas Guariroba (Foto: Marco Matielo)
  • Não é comida, alerta Albertina Barbosa Suriano exibindo os produtos de limpeza feitos na oficina ministrada pela Águas Guariroba
  • O instrutor João Robson de Oliveira ensina a fazer sabão e encoraja mulheres a empreender (Foto: Marco Miatelo)
  • Albertina e Cícera felizes com o conhecimento adquirido no final da oficina (Foto: Marco Miatelo)
  • Oficina percorrerá vários bairros de Campo Grande levando educação ambiental e alternativa de renda (Foto: Marco Miatelo)
  • O coordenador de projetos sociais da Águas Guariroba Maurício de Jesus Peixoto (Foto: Marco Miatelo)
  • Curso ensina o passo a passo das receitas para fazer sabão em casa (Foto: Divulgação)
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Uma prática bastante comum desde o tempo da vovó continua sendo alternativa para preservar o meio ambiente e gerar renda atualmente. Fazendo sabão e outros produtos de limpeza com óleo de cozinha usado, mulheres da  periferia de Campo Grande ajudam a minimizar os danos à natureza, pois evitam o descarte incorreto, e ainda podem ganhar dinheiro. Por isso, elas não perdem uma aula da oficina oferecida pela concessionária Águas Guariroba, onde o preparo dos produtos segue fórmulas repaginadas. Muitas das alunas já sonham até com uma futura cooperativa para fazer e comercializar os produtos.

Dona Albertina Barbosa Suriano, de 63 anos, exibe feliz sua produção feita na oficina ministrada no Centro de Referência  de Assistência Social (Cras) Hércules Mandetta, no Bairro Novos Estados. Ela já produzia sabão em casa usando o óleo de cozinha, mas agora aprendeu novas possibilidades com a mesma matéria prima.

Nas mãos dela, sabão, sabonete e sabão líquido são feitos em formatos e cores diferentes do convencional. "O bombom não é comida, é sabão", avisa mostrando ainda uma rosquinha e um pedaço de fruta, elaborados com ajuda de corantes. "Vou dar de presente para as irmãs da igreja. Acho que vão gostar. Também gostei da sugestão apresentada aqui de criarmos uma cooperativa. Unindo forças poderemos abrir este negócio", acredita.Na oficina que percorrerá vários bairros da Capital neste ano, o instrutor João Robson de Oliveira ensina muito mais do que a mistura certa para a produção de produtos de limpeza. Ele reitera a necessidade de atitudes sustentáveis dentro e fora de casa e ainda encoraja as mulheres a se tornarem empreendedoras, agindo como incentivador do empoderamento feminino. "Aqui são dois objetivos preservar o meio ambiente e ajudar a gerar renda. É uma alternativa de trabalho em época de crise. Aliás, trata-se de uma possibilidade com as matérias que elas já têm dentro de casa", explica.

Nas aulas dele, a antiga receita é repassada de forma revisada e melhorada, de modo que produto final terá qualidade e beleza visual. Ele começa por uma tarefa básica, pouco utilizada no modo convencional de fazer sabão, que é a purificação do óleo, essencial para o sucesso da produção, segundo o professor.

"Pegue um litro de óleo, um litro de água e 100 ml de água sanitária. Misture bem. Leve ao fogo para esquentar um pouco. E por fim coloque para decantar (separação de misturas) em uma vasilha transparente. No dia seguinte, o óleo estará em cima e a água embaixo. O óleo terá perdido o odor por causa da água sanitária e estará limpo, purificado e pronto para fazer o sabão. Um produto diferenciado e de qualidade começa por aí", detalha.Importantes para o visual do produto, as forminhas diferenciadas são encontradas com facilidade e em formatos variados nas lojas, assim como os corantes e as essências, conforme professor. Logo, basta a aluna escolher suas preferidas e caprichar na preparação do produto. "O produto personalizado e diferenciado torna-se vendável", analisa. As receitas estão detalhadas na apostila elaborada especialmente para o curso e entregue às participantes. Veja abaixo desta matéria as receitas completas para fabricação de sabão.

A ideia de produzir para vender despertou o interesse da aluna Cícera Amarante da Silva, 64 anos. Ela também pretende transmitir o saber adquirido na oficina para as próximas gerações da família, de modo que seus descendentes terão postura favorável à natureza e ainda conhecerão uma alternativa de geração de renda. "Vou ensinar para a minha filha fazer sabão na casa dela. Eu já fazia sabão com álcool, mas considero o processo ensinado aqui mais fácil.  A ideia de produzir para vender também é muito interessante", enaltece.

As oficinas são oferecidas gratuitamente nos Cras de Campo Grande. A duração é de três dias e ao final do curso, além das apostilas, as participantes recebem certificado e um kit de utensílios para a fabricação dos produtos.Impermeabilidade - O coordenador de projetos sociais da Águas Guariroba Maurício de Jesus Peixoto explica que o óleo de cozinha descartado incorretamente é o principal problema nas tubulações e na natureza. Na rede de esgoto, a gordura entope os canos e provoca vazamentos.

Se jogado diretamente na terra, o produto pode contaminar o solo e a água. "Se você despejar o óleo na terra, não nasce mais nada ali. Ele tem a capacidade de gerar uma camada de impermeabilidade e a água não vai mais se infiltrar naquele solo", alerta Peixoto. Se atirado nos rios e lagos, o óleo também terá um papel destruidor, pois como é  menos denso que a água, ficará na superfície, impedindo a entrada de luz e oxigênio e causanda a morte de espécies aquáticas.

Além dos problemas já apontados, vale mencionar outro dano citado por ambientalistas: o descarte incorreto do óleo favorece o aquecimento global. Isso porque quando bactérias realizam a decomposição do óleo, um dos produtos dessa reação é o gás metano que, juntamente com o gás carbônico, contribui para o aquecimento da Terra (*).

De Olho no Óleo - Além das oficinas que começaram neste ano, a Águas já realiza desde 2011 outro projeto para impedir o descarte incorreto do óleo de cozinha. O programa De Olho no Óleo percorre escolas da Capital e estimula os estudantes a realizarem a coleta seletiva e reciclagem de óleo usado. Desde então, foram recolhidos 24.674 litros de óleo, que poderiam estar causando danos à natureza ou prejuízos aos sistema de esgotamento da cidade.

Quando o programa chega às escolas o primeiro passo é a conscientização. Os alunos recebem material educativo e orientações. Em seguida, um ponto de coleta permanente do óleo de cozinha é instalado no estabelecimento de ensino. Ao final, as turmas participam de gincana, vence aquela que arrecadar maior quantidade de óleo usado.

As turmas vencedoras ganham uma visita à Estação de Tratamento de Água (ETA) da Águas Guariroba. O óleo  coletado na campanha é reutilizado para fins industriais por empresas parceiras. As garrafas de plástico em que o óleo é trazido também são recicladas, segundo a águas. Já as escolas são incentivadas a continuarem atuando como ponto de coleta de óleo, que poderá ser vendido às empresas parceiras da concessionária.Óleo vira biocombustível - Atualmente, o reproveitamento do óleo de cozinha vai muito além do sabão. Com ele podem ser feitos tintas a óleo, massa de vidraceiro e até biocombustível. Em 16 de junho, o Diário Digital veiculou reportagem sobre práticas sustentáveis adotadas pela famosa rede de fast food McDonald´s. Em Campo Grande, a unidade drive thru, do Bairro Santa Fé, nunca descarta o óleo de cozinha no meio ambiente, mas sim o reserva e depois envia a São Paulo onde é transformado em combustível para a frota da Rede  McDonald's.

O McDonald’s recolhe, por mês, cerca de 750 litros de óleo usados na fritura das batatas e nuggets, entre outros produtos nos cinco restaurantes de Campo Grande. Além da produção de biocombustível, a medida também tem como objetivo a preservação das águas já que a Capital é banhada por muitos córregos. Cada litro de óleo descartado incorretamente  pode poluir até 20 mil litros de água, segundo dado da diretoria de Sustentabilidade da rede.Destinação correta - Quem não tem interesse em fazer sabão ou qualquer produto com o óleo de cozinha usado não poderá descartá-lo ao léu como já foi mencionado na reportagem, portanto, recomenda-se que as donas de casa procurem as escolas que receberam o programa De Olho no Óleo, desenvolvido pela Águas Guariroba, já que elas são incentivadas a se tornarem pontos constantes de coleta do produto.

Outra possibilidade é entregá-lo em pontos comerciais que recolham o produto. Em Campo Grande, o tradicional Mercado Municipal Antônio Valente, conhecido como Mercadão, recebe óleo há anos. Há ainda na Capital, a possibilidade de ganhar dinheiro com o óleo usado vendendo-o diretamente para empresas especialidades que compram o produto.

Empresas desse segmento e o ecoponto do Mercadão, aliás, serão temas das próximas reportagens especiais sobre a destinação do óleo de cozinha usado a serem veiculas respectivamente nesta terça-feira, 18 de julho, e quarta-feira, 19, pelo Diário DigitalCofira receitas para fazer sabão:

Sabão da mamãe

Utensílios:

Luvas de borracha

Mascara de proteção

1 balde grande

1 coador de pano

1 cabo de vassoura

1 forma grande: de plástico ou madeira forrada com plástico

Ingredientes:

7 litros de óleo de cozinha coado em coador de pano

(reaproveitado)

2 litros de álcool (Etanol compra no posto de gasolina)

2 litros de água morna +/- 37°

1 kg de soda caustica granulada da marca de sua preferência

Como fazer:

Amornar a água em mais ou menos 37° (para medir a temperatura coloque o dedo na água e conte até 10, você deve suportar o calor pelos 10 segundos da contagem).

Despeje a água em um balde grande, acrescente a soda caustica e mexa até dissolver – use um pedaço de madeira, um cabo de vassoura serve 5.

Atenção: Cuidado com o vapor que sobe ao diluir a soda na água, use mascara e óculos de proteção. Não pare de mexer e Acrescente os 7 litros de óleo coado e mexa por 5 minutos até misturar bem. Não pare de mexer e acrescente os 2 litros de álcool e mexa bem por 5 minutos.

Após os 5 minutos ele começa a engrossar, dando ponto de massa. Deixe do seu lado, já preparada a forma: pode ser uma caixa de madeira forrada com plástico grosso, uma bacia ou forma de plástico. Deixe descansar por 3 dias

Desenforme e corte em barras – se preferir embrulhe em papel ou Plástico. A cor do sabão depende da cor do óleo, quanto mais escuro o óleo estiver, mais escuro o sabão fica.

 

Sabão líquido com óleo e álcool, o mais rápido

Ingredientes:

• 2 litros de óleo de cozinha usado

• 2 litros de álcool

• 1/2 kg de soda em flocos ou escamas

Modo de fazer:

Em um balde misture o álcool e a soda, depois, acrescente o óleo e mexa até fica homogêneo. Aguarde aproximadamente 30 minutos e acrescente dois litros de água fervente e dissolva o conteúdo.

Depois, misture 20 litros de água em temperatura natural. Guarde em recipientes. Este sabão é ótimo para limpeza geral.

 

Sabão em barra com óleo e álcool, o mais famoso.

Ingredientes:

• 1 kg de soda cáustica em flocos

• 2 litros de água

• 4 litros de óleo de cozinha

• 1 litro de álcool

• 5 ml de essência

Modo de fazer:

Se preferir, você pode colocar elementos decorativos, como ervas aromáticas, especiarias, flores secas, conchas etc.

Coloque no balde a soda cáustica e adicione lentamente 2 litros de água quente. Misture com muito cuidado utilizando a colher de pau até a soda cáustica dissolver completamente. Junte os 4 litros de óleo e continue mexendo por 20 minutos.

Acrescente o álcool e a essência. Se quiser, este é o momento para colocar elementos de decoração. Misture até obter uma pasta consistente.

Despeje o conteúdo em um caixote de madeira forrado com um pano ou em formas, espalhe bem e acomode a pasta dentro do recipiente. Deixe secar por no mínimo 24 horas. Após a secagem, corte o sabão no tamanho desejado e enrole os pedaços em papel filme.

 

Sabão com óleo e detergente, o mais econômico

Ingredientes:

• 6 litros de óleo usado

• 1 litro de soda cáustica líquida

• 1 litro de detergente de coco

Modo de fazer:

Despeje todo o conteúdo em um recipiente plástico. Não mexa. Despeje o conteúdo em outro recipiente e troque de recipiente, passando de um para o outro por quatro vezes. Não passe mais vezes, pois a mistura endurece e fica difícil tirar do recipiente. Despeje em uma caixa de papelão e espere até secar.

(*) Manual da Química/UOL

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