Campo Grande •24 de Novembro de 2017  • Ano 6
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Valdelice Bonifácio | Sexta, 17 de Março de 2017 - 16h00Acampamento termina, mas protestos continuamManifestantes cumprem decisão judicial e desocupam canteiro em frente ao Damha

  
Ato de fim do acampamento teve direito a discursos e até queima de fogos (Foto: Marco Miatelo)
  • Ato de fim do acampamento teve direito a discursos e até queima de fogos
  • Lideranças sindicais e políticas discursaram em frente ao residencial Damha II (Foto: Marco Miatelo)
  • Deputado Pedro Kemp, do PT, diz que proposta do governo de Reforma da Previdência é nefasta (Foto: Marco Miatelo)
  • Militante prepara pipoca para distribuir aos manifestantes (Foto: Marco Miatelo)
  • Elvio Duarte, coordenador do Comitê Estadual contra a Reforma da Previdência (Foto: Marco Miatelo)
  • Deputado Cabo Almi discursa em frente ao residencial Damha (Foto: Marco Miatelo)
  • (Foto: Marco Miatelo)
  • (Foto: Marco Miatelo)
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  • (Foto: Marco Miatelo)
  • (Foto: Marco Miatelo)

O acampamento de manifestantes contrários à Reforma da Previdência montado em canteiro na frente do residencial de luxo Damha II, próximo à saída para Três Lagoas, em Campo Grande, está sendo levantado na tarde desta sexta-feira, dia 17 de março, cumprindo decisão judicial que determinou que a desocupação da área até às 18h. Contudo, os protestos continuam neste fim de semana, com a realização de carreata e panfletagens.

No residencial Damha II, mora o deputado federal Carlos Marun (PMDB), presidente da Comissão Especial de Reforma da Previdência, que criticou a atitude dos manifestantes, alegando que o acampamento constrangia sua família e os vizinhos. A decisão judicial que exigiu a saída dos manifestantes atende ao pedido do proprietário de um comércio localizado em frente ao residencial.

Desde que se instalaram no local, na quarta-feira passada, 15 de março, os manifestantes se espalham pelo canteiro e varandas do estabelecimento comercial que não conseguia abrir as lojas. Além de barracas, os acampados levaram para o local, um gerador de energia elétrica, uma caixa d´água, banheiros químicos e até um pequeno playground foi montado para as crianças.

Os manifestantes decidiram cumprir a ordem judicial e deixarão o local. O ato de despedida teve direito a discursos de representantes de entidades de classe e movimentos sociais de luta pela terra. Houve ainda queima de fogos. Os deputados estaduais petistas como Pedro kemp  e Cabo Almi compareceram.

Os manifestantes não criticaram a ordem judicial, pois avaliam que já obtiveram reconhecimento popular. “A gente entende que já cumpriu o nosso objetivo aqui, de chamar atenção dos parlamentares e da população. Porém, as mobilizações continuarão”, disse o coordenador do Comitê Estadual contra a Reforma da Previdência Élvio Duarte.

Agenda – Para amanhã, dia 18, está prevista uma carreata partindo da sede da Fetems (no Bairro Amambai) até o Centro da Capital ou residência de algum parlamentar federal, o que ainda será definido. Ao longo do dia, poderá haver panfletagens no Centro da Capital.

No domingo, os manifestantes esperam ser recebidos em reunião por parlamentares federais como a deputado federal Tereza Cristina (PSB) e Luiz Henrique Mandetta (DEM), ambos já foram alvos de protestos em frente suas residências.

Cada parlamentar que for visitado e se posicionar contra a Reforma da Previdência, será convidado a assinar um documento se comprometendo a votar contra a proposta do governo federal.

O Estado tem oito deputados federais e três senadores. Os mais resistentes em votar contra a proposta, conforme o movimento, são o próprio Carlos Marun e a senadora Simone Tebet (PMDB). Os demais, segundo os militantes, teriam sinalizado que podem apoiar o movimento ou que pelo menos vão avaliar as argumentações, mesmo porque não estariam plenamente de acordo com o projeto original do governo.

Saiba mais sobre a Reforma da Previdência:

•    Para conseguir uma aposentadoria de 100% do salário de benefício, o trabalhador terá que contribuir com o INSS durante 49 anos e ter idade mínima de 65 anos. A regra vale para homens e mulheres. Portanto, seu(ua) filho(a) terá que começar a contribuir aos 16 anos de idade.

•    O tempo mínimo de contribuição para se conseguir o direito à aposentadoria passa de 15 para 25 anos para homens e mulheres.

•    A proposta de Reforma da Previdência também muda a aposentadoria dos servidores públicos. A idade mínima também será de 65 anos para homens e mulheres e mínimo de 25 anos de contribuição. A alíquota de contribuição da categoria passa de 11% para 14%.

•    A aposentadoria especial dos(as) professores(as) também é alterada. Ninguém poderá aposentar com idade inferior a 55 anos e pelo menos 20 anos de contribuição.

•    Os dependentes de pensão por morte também ficam com direitos reduzidos, o cônjuge só receberá 50% do salário de benefício, e menores de 21 anos receberão 10%. As regras valem para trabalhadores do setor privado, servidores públicos e políticos.

•    O trabalhador rural perde a garantia de segurado especial e passa a contribuir com a Previdência pagando alíquota estimada de 5%. As regras da idade mínima de 65 anos para homens e mulheres e mínimo de 25 anos de contribuição também vale para a categoria.

•    A aposentadoria por invalidez só será concedida ao segurado que sofrer acidente de trabalho.

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